UM “PARADIGMA NOVO” PARA “UM TEMPO NOVO”
Entramos em um novo milênio. Alguns de nós tem sido conscientes de que uma determinada forma de pensar e atuar desembocou na mudança climática, no consumismo que empobrece aos pobres e na ausência dos valores que geram plenitude… Dizem por aí que aqueles que não contemplam sua história estão condenados a repeti-la, e embora o começo do ano 2000 marcou um ponto de reflexão para começar a fazer as coisas de forma diferente, só a vontade e a decisão pessoal e intransferível de ir além dos mapas da realidade que tínhamos concebido até agora poderão superar os limite que nos pusemos para encontrar novas soluções aos conflitos que assolam o mundo.
Se pretendermos trocar “a realidade”, é lícito perguntar-se: O que é a realidade? O que abrange, onde termina e onde começa? A física quântica vem a nos complicar um pouco mais as coisas afirmando que a realidade observada depende da condição do observador. Esta idéia proposta já faz muitos séculos pelos místicos foi magistralmente resumida pelo lingüista Korzybsky ao dizer: “o mapa não é o território”. Se o mapa mental fora tão exato como o território ocuparia exatamente o mesmo lugar, com o qual não seria funcional, não nos caberia na mochila.
Cada pessoa confecciona em sua mente um mapa funcional “da realidade” atendendo às experiências e sucessos que considera mais relevantes, ou os que nos são ou acostumamos a registrar. Deste modo sintetizamos “a realidade” em um mapa controlável que vai condicionar o que percebemos, o que recordamos, como o relacionamos e, portanto como valorizamos o vivido. Segundo a lingüística há três formas básicas de síntese mental para que a realidade se converta em um mapa de bolso: o princípio de generalização, de omissão e distorção. Dito de outra forma, todos nós sem exceção, para gerar explicações sobre o que está passando em nosso mundo recorremos a: generalizar idéias em base a nossa experiência, omitir certa parte de informação e relacionar e encadear sucessos, distorcer, segundo nosso próprio critério.
O mapa da compreensão do Universo e do comportamento das partículas elementares que conformam a matéria proposto pela ciência atual, diz-nos que não existe separação entre as partículas, que tudo é energia em distintos graus vibratórios e que toda separação é ilusória. Como diz David Bohm: “a comunicação entre partículas muito distantes é possível porque na realidade não estão separadas” e Paul Davies afirma: “o universo (e todo o contido nele) não está formado de um conjunto de partes separadas, mas sim existe uma espécie de unidade universal”. Acredito que todos havemos escutado estas teorias que constituem o novo paradigma, mais amplo, para explicar o Universo e as relações dos objetos entre si. Se aplicarmos este mesmo mapa para pensar no Ser humano, suas relações com outros e com a natureza, o conceberíamos como uma Unidade constituída por infinidade de “partículas” aparentemente separadas embora unidas entre si em constante comunicação…
O antigo modelo da civilização grega concebe ao Ser humano constituído por três planos de manifestação: soma ou corpo físico, psique que é o conjunto de intelecto e emoções (chamada alma e/ou mente) e pneuma, o plano mais sutil (ao que chamamos espírito). Neste antigo modelo se descreve à psique constituída por uma matéria flexível e de grande plasticidade que cumpre a função de conexão entre soma e pneuma, o corpo e o espírito. Este mapa do ser humano esteve presente em todas as colocações físicas e humanistas das civilizações antigas e embora foi abandonado por nossa civilização ocidental faz poucos séculos, começou a ser recuperado parcialmente a princípios dos anos 50 com o conceito de que o homem é uma unidade psicossomática.
Ao longo da história e dependendo das teorias emergentes em cada época se sintetizou “a realidade” generalizando algumas idéias e omitindo e distorcendo – relacionando – outras. Havemos generalizado a importância do pneuma omitindo o soma e a psique (Idade Média) ou havemos relacionado soma e psique omitindo o nous (positivismo). Para elaborar uma teoria controlável generalizamos um modelo de relações que sempre limitará de alguma forma nossa compreensão, mas será controlável. Isto é vital para que nos demos conta de que o que pensamos sobre a realidade é uma síntese e não é tão infalível, é um mapa útil com todas as limitações de um mapa de bolso que merece a pena ser revisado e analisado para saber que parâmetros temos generalizado, omitido e distorcido.
Einstein insistia em que não se pode resolver nenhum problema do mesmo nível de consciência no que se criou. É hora de ampliar nosso mapa da realidade para procurar novos pensamentos e ações ante o grande desafio do século XXI. Cada um terá que fazer sua própria análise para re-elaborar seu mapa, ocupar seu lugar e efetuar as ações oportunas em conseqüência.
Minha re-elaboração pessoal adquiriu o paradigma da ciência atual para acreditar que todos e tudo está interconectado e unido por uma energia comum, que meus pensamentos, sentimentos e ações têm conseqüências em todo o planeta. Este mapa mental me tem feito pôr muita atenção e carinho aos pensamentos, sentimentos e ações do dia a dia, sabendo que posso projetar consolo para Nova Orleans e que posso limpar o planeta desencardindo minhas próprias ações. Também ressoa em mim essa realidade interconectada do pneuma-psico-somático apontada nos gregos e acredito que todos os campos têm incidência uns sobre os outros, que somos capazes de adoecer e sanar com nossos pensamentos, emoções e experiências espirituais e que o trabalho corporal me aproxima do centro psicológico e à experiência espiritual.
Se quiser trocar “a realidade” talvez seja interessante compreender primeiro como elaboraste teu próprio mapa mental, o que procura generalizar, omitir, relacionar/distorsionar. Talvez este seja o primeiro passo para gerar novas ações, novos modelos para um tempo novo.
Traduzido pela Equipe Sua Mente.com.br
Gustavo Bertolotto Vallés – www.iphpnl.net – ipn@iphpnl.net . Tel. 91 314 7736


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