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	<title> &#187; horóscopo</title>
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		<title>Sincronismo</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Aug 2008 21:21:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sua-mente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em 1952, Jung publica um artigo chamado "Synchronizität als Prinzip akausaler Zusammenhänge" ("Sincronismo como Princípio das Ligações Causais"). O conceito de sincronismo vai para além das explicações puramente causais do mundo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1952, Jung publica um artigo chamado &#8220;Synchronizität als Prinzip akausaler Zusammenhänge&#8221; (&#8221;Sincronismo como Princípio das Ligações Causais&#8221;). O conceito de sincronismo vai para além das explicações puramente causais do mundo – que ainda é o domínio das nossas ciências naturais. Jung argumenta que acontecimentos que ocorrem sincronizados (isto é, ao mesmo tempo) não têm necessariamente de estar relacionados causalmente. Poderá existir, no entanto, uma importante ligação entre eles.</p>
<p>KingfisherAnthony Stevens descreve uma experiência que Jung teve. Durante um sonho, ele encontra uma figura com as asas de um alcião (um pássaro). Jung quis desenhar a figura para poder recordar a imagem. Enquanto o fazia, encontrou no seu jardim o corpo morto de um alcião. Estes pássaros são extremamente raros na zona de Zurique. Esta situação extraordinária coincidiu com fortes emoções internas.</p>
<p>Provavelmente está familiarizado com situações que o levam a pensar : &#8220;Isto não pode ser uma coincidência!&#8221;. Talvez tenha acabado de ler um livro que fala de ideias pouco comuns. Subitamente todas as pessoas do seu meio falam-lhe sobre estas ideias, passam reportagens na TV e na internet depara-se com conceitos semelhantes a toda a hora. Estes incidentes ocorrem simultaneamente mas é claro que um não causa o outro. Eles parecem estar ligados de uma forma diferente.</p>
<p>Brigitte Hamann, astróloga alemã, resume este fenómeno no seu artigo &#8220;Gedanken über Astrologie, Synchronizität und Prognose&#8221; (&#8221;Reflexões sobre a Astrologia, Sincronismo e Predição&#8221;):</p>
<p>Um certo incidente ocorre a uma certa pessoa, numa certa altura, de tal maneira que adquire para ela um significado especial, revelando importantes ligações na vida dessa pessoa. Qualquer outro observador do mesmo incidente considerá-lo-ía um acidente do acaso, sem qualquer sentido em particular. Para ele, não há qualquer ligação sincrónica no acontecimento e por isso, não significa nada para si.</p>
<p>A &#8220;influência das estrelas&#8221; não existe &#8230;A Astrologia baseia-se no princípio do sincronismo. A &#8220;influência das estrelas&#8221; não existe num sentido causal. Não há nenhum tipo de influência causal. A Astrologia &#8220;trabalha&#8221; – se é esta a palavra correcta – da forma inscrita na tábua smaragdina:</p>
<p>O que está em baixo é como o que está em cima. E o que está em cima é como o que está em baixo, para que o milagre do Uno possa ser alcançado.</p>
<p>Pode dizer-se que o universal reflecte-se no específico. Por conseguinte, podemos tirar conclusões a respeito de acontecimentos terrestres por intermédio das constelações planetárias.</p>
<p>Liz Greene: Os posicionamentos do céu num determinado momento, por reflectirem as qualidades desse momento, reflectem também as qualidades de qualquer outra coisa nascida nesse momento. (…) Um não causa o outro; estão sincronizados e reflectem-se mutuamente.</p>
<p>Esta é, sem dúvida, uma noção alargada de sincronismo, já que não se refere simplesmente a um indivíduo e à sua relação com o seu meio-ambiente directo. De facto, esta noção vê tudo no universo como estando interligado de uma forma significativa. Esta atitude de assumir ligações importantes entre fenómenos que ocorrem simultaneamente é comum à astrologia e ao sincronismo de Jung.</p>
<p>Fonte: www.astro.com/</p>
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		<title>O que um Horóscopo pode nos dizer</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Aug 2008 19:09:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sua-mente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na escola, aprendemos Ciências e Matemática, Geografia e História, Literatura e Línguas, Artes, mas não nos ensinam muito acerca de nós próprios enquanto indivíduos. E, no entanto, é muito importante tentarmos compreender-nos a nós próprios e aos outros, porque isto nos ajudará a levar uma vida mais feliz e satisfatória.
É aqui que os horóscopos nos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na escola, aprendemos Ciências e Matemática, Geografia e História, Literatura e Línguas, Artes, mas não nos ensinam muito acerca de nós próprios enquanto indivíduos. E, no entanto, é muito importante tentarmos compreender-nos a nós próprios e aos outros, porque isto nos ajudará a levar uma vida mais feliz e satisfatória.</p>
<p>É aqui que os horóscopos nos podem ajudar. Um horóscopo não nos pode dizer o que vai acontecer, a nós a outra pessoa qualquer. Mas pode dizer-nos que tipo de pessoa somos. Alguns psicólogos utilizam o horóscopo para melhor compreender e ajudar pessoas que se encontram perturbadas ou confusas acerca de si próprias.</p>
<p>Cada um de nós é tão complicado, que é como se tivéssemos várias pessoas diferentes cá dentro. Sabemos que, por vezes, nos sentimos felizes e queremos estar com outras pessoas, enquanto noutras alturas sentimo-nos introspectivos e queremos estar sozinhos. Com algumas das pessoas que conhecemos, podemos ser pessoas divertidas, enquanto com outras podemos comportar-nos de forma séria e reservada. Podemos ser pacientes e cobrir de atenções um animal de estimação, mas sermos apressados e descuidados com as tarefas escolares.</p>
<p>Os signos do Sol, da Lua e os planetas na nossa carta natal podem mostrar-nos por que é que parece haver tantas pessoas diferentes dentro de nós, e assim podemos aprender a viver melhor com cada uma destas diferentes facetas da nossa personalidade e retirar o melhor partido de nós próprios. O horóscopo completo ao mostrar a relação especial entre o Sol, a Lua e os outros planetas no momento e local do nascimento, pode dizer-nos como pensamos e sentimos as coisas, quais são os nossos talentos, que tipo de conhecimento devemos adquirir, e quais os aspectos da vida que mais nos podem fazer felizes.</p>
<p>Estes são os diferentes aspectos da nossa vida e da nossa personalidade que o Sol, a Lua e cada um dos planetas representam:</p>
<p><strong>O SOL </strong><br />
<img src="/wp-content/uploads/Astrologia/O_que_um_horoscopo_pode_nos_dizer/kid_pl_1.gif" alt="Horóscopo - O SOL" title="Horóscopo - O SOL" width="60" height="60" border="0" /><br />
mostra os nossos maiores objectivos de vida, aquilo que queremos.</p>
<p><strong>A LUA </strong><br />
<img src="/wp-content/uploads/Astrologia/O_que_um_horoscopo_pode_nos_dizer/kid_pl_2.gif" alt="Horóscopo - A LUA" title="Horóscopo - A LUA" width="60" height="60" border="0" /><br />
mostra como nos comportamos emocionalmente, como sentimos as coisas.</p>
<p><strong>MERCÚRIO</strong><br />
<img src="/wp-content/uploads/Astrologia/O_que_um_horoscopo_pode_nos_dizer/kid_pl_3.gif" alt="Horóscopo - MERCÚRIO" title="Horóscopo - MERCÚRIO" width="60" height="60" border="0" /><br />
mostra a forma como pensamos e como nos expressamos.</p>
<p><strong>VÊNUS</strong><br />
<img src="/wp-content/uploads/Astrologia/O_que_um_horoscopo_pode_nos_dizer/kid_pl_4.gif" alt="Horóscopo - VÊNUS" title="Horóscopo - VÊNUS" width="60" height="60" border="0" /><br />
mostra a forma como nos relacionamos com os outros.</p>
<p><strong>MARTE </strong><br />
<img src="/wp-content/uploads/Astrologia/O_que_um_horoscopo_pode_nos_dizer/kid_pl_5.gif" alt="Horóscopo - MARTE" title="Horóscopo - MARTE" width="60" height="60" border="0" /><br />
mostra a forma como utilizamos a energia e o talento de que dispomos para conseguir aquilo que queremos.</p>
<p><strong>JÚPITER</strong><br />
<img src="/wp-content/uploads/Astrologia/O_que_um_horoscopo_pode_nos_dizer/kid_pl_6.gif" alt="Horóscopo - JÚPITER" title="Horóscopo - JÚPITER" width="60" height="60" border="0" /><br />
mostra a forma como nos divertimos e como expandimos o nosso entendimento.</p>
<p><strong>SATURNO</strong><br />
<img src="/wp-content/uploads/Astrologia/O_que_um_horoscopo_pode_nos_dizer/kid_pl_7.gif" alt="Horóscopo - SATURNO" title="Horóscopo - SATURNO" width="60" height="60" border="0" /><br />
mostra a auto-disciplina e a força de carácter de que dispomos.</p>
<p><strong>URANO</strong><br />
<img src="/wp-content/uploads/Astrologia/O_que_um_horoscopo_pode_nos_dizer/kid_pl_08.gif" alt="Horóscopo - URANO" title="Horóscopo - URANO" width="60" height="60" border="0" /><br />
mostra de que forma somos originais, inventivos e criativos.</p>
<p><strong>NEPTUNO</strong><br />
<img src="/wp-content/uploads/Astrologia/O_que_um_horoscopo_pode_nos_dizer/kid_pl_9.gif" alt="Horóscopo - NEPTUNO" title="Horóscopo - NEPTUNO" width="60" height="60" border="0" /><br />
mostra de que forma podemos ajudar melhor os outros.</p>
<p><strong>PLUTÃO</strong><br />
<img src="/wp-content/uploads/Astrologia/O_que_um_horoscopo_pode_nos_dizer/kid_pl_10.gif" alt="Horóscopo - PLUTÃO" title="Horóscopo - PLUTÃO" width="60" height="60" border="0" /><br />
mostra de que forma podemos crescer, aprofundando o auto-conhecimento.</p>
<p>Agora podemos aprender mais acerca de cada um dos doze signos do Zodíaco, o ponto fundamental para a compreensão da personalidade, não apenas de cada um de nós, mas também dos outros.</p>
<p>Fonte: www.astro.com/<a href="/wp-content/uploads/" onclick="ps_imagemanager_popup(this.href,'','','');return false" onfocus="this.blur()"	 ><img src="/wp-content/uploads/" width="96" height="96" border="0" title="O que um Horóscopo pode nos dizer" alt=" O que um Horóscopo pode nos dizer" /></a></p>
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		<title>O Horóscopo</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Aug 2008 18:02:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sua-mente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os astrólogos utilizam uma espécie de mapa ou diagrama, chamado horóscopo, para perceber a relação especial que existe entre uma pessoa e o Sol, a Lua e os planetas. Um horóscopo é, na verdade, uma fotografia do aspecto exacto do céu, visto do local onde a pessoa nasceu, no momento do dia em que nasceu, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os astrólogos utilizam uma espécie de mapa ou diagrama, chamado horóscopo, para perceber a relação especial que existe entre uma pessoa e o Sol, a Lua e os planetas. Um horóscopo é, na verdade, uma fotografia do aspecto exacto do céu, visto do local onde a pessoa nasceu, no momento do dia em que nasceu, na data e no ano do nascimento. Mas em vez de um desenho fiel do céu, mostrando a posição do Sol, da Lua e dos planetas na altura e no local em que se encontravam, os astrólogos utilizam símbolos que colocam no horóscopo.</p>
<p>Procure no diagrama do Sistema Solar os símbolos astrológicos do Sol, da Lua e dos planetas:</p>
<p><img src="/wp-content/uploads/Astrologia/o_horoscopo/O_Hor__scopo_1.JPG" alt="O horóscopo - 1" title="O horóscopo - 1" width="196" height="267" border="0" /></p>
<p>Estes são os símbolos que os astrólogos utilizam para designar cada um dos doze signos do Zodíaco:</p>
<p><img src="/wp-content/uploads/Astrologia/o_horoscopo/O_Hor__scopo_2.JPG" alt="O horóscopo - 2" title="O horóscopo - 2" width="219" height="280" border="0" /></p>
<p>Este é o aspecto do horóscopo de Madonna:</p>
<p><img src="/wp-content/uploads/Astrologia/o_horoscopo/madonnachart.jpg" alt="Horóscopo da madona" title="Horóscopo da madona" width="250" height="250" border="0" /></p>
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		<title>História da Astrologia no Ocidente</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Aug 2008 17:18:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sua-mente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Introdução
Alguns estudiosos(i) imaginam que a história da astrologia tenha se desenvolvido em 3 estágios ou fases, sendo a primeira resultante das anotações dos presságios, ainda sem zodíaco; na segunda fase introduz-se o zodíaco com signos de 30 graus sem que haja nenhum horóscopo individual, mas muita atenção aos trânsitos de Júpiter pelos signos &#8211; do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Introdução</strong></p>
<p>Alguns estudiosos(i) imaginam que a história da astrologia tenha se desenvolvido em 3 estágios ou fases, sendo a primeira resultante das anotações dos presságios, ainda sem zodíaco; na segunda fase introduz-se o zodíaco com signos de 30 graus sem que haja nenhum horóscopo individual, mas muita atenção aos trânsitos de Júpiter pelos signos &#8211; do qual parece derivar a prática das profecções anuais que mais tarde vai se desenvolver na astrologia &#8211; sem casas astrológicas. Waerden assinala este período de 630 a 450 a C; o zodíaco é sideral e seus “ayanamsha”(ii) muito próximos aos de Fagan(iii).</p>
<p>A terceira fase consiste da astrologia horoscópica. As fontes antigas mencionam os “caldeus” que faziam mapas para pessoas e, segundo até Aristóteles, houve um “caldeu” que previu a morte de Sócrates e que o pai de Eurípides, o famoso dramaturgo grego, encomendou a leitura do mapa de seu filho. Nestes mapas de nascimento, as posições correspondem muito mais a um zodíaco sideral que utilizava um ayanamsha como o Fagan/Bradley do que com um zodíaco tropical.</p>
<p><strong>Origens na Mesopotâmia</strong></p>
<p>Para quem trabalha com astrologia no ocidente, a história segue um rumo definido, que começa na Mesopotâmia &#8211; há registros de cerca de 15 mil anos a C, em que as fases da Lua já eram anotadas em pedaços de osso e estas parecem ser as mais antigas observações astronômicas que se conhece. A palavra Mesopotâmia é grega e refere-se ao fato de ser uma terra entre dois rios, o Eufrates e o Tigre (’mesos” significa meio e ‘pótamos’ significa rios).</p>
<p>Os registros mesopotâmicos atestam o que se chama hoje de presságios, como origem da astrologia ocidental. Tal como ocorreu com outras culturas, tratava-se de examinar os céus para ver o que poderia afetar os reinos. A maior parte destes presságios misturavam previsões de tempo e astronomia, mas o que diferenciou os mesopotâmicos de outros povos do Ocidente foi que naquela época eles começaram a gravar de forma sistemática os fenômenos celestes e tentar correlacioná-los com eventos terrestres. Um exemplo do tipo de anotação de presságios do período acádio, veja o seguinte trecho:</p>
<p>“Se Vênus aparecer a Oeste no mês de Airu e os Grandes e Pequenos Gêmeos circundarem-na, todos os quatro, e ela estiver escura, então o rei de Elam cairá doente e não permanecerá vivo”.</p>
<p>O mais extenso documento contendo os presságios babilônios estão no épico chamado Enuma Anu Enlil, condensados por volta do segundo milênio a C.</p>
<p>A civilização mesopotâmica nasceu há cerca de 4 mil anos a C &#8211; com o povo ubaida, depois vieram os sumérios, que inventaram a escrita cuneiforme, uma das mais antigas formas de registro escrito, que consiste na confecção de formas de baixo-relevo com cunhas no barro, que depois era cozido.</p>
<p>O traço histórico marcante, que, segundo estudiosos, terá muito impacto na própria constituição da astrologia, como também de outros conhecimentos, é a forte instabilidade política da região, durante milênios. Os acádios conquistaram os sumérios (2330 a C). Em 1350 a C tem início o Império Assírio, que mais tarde irá estender seu controle político e cultural por toda a região da Mesopotâmia, parte da antiga Pérsia, Síria, Palestina e Egito (730 e 650 a C). O segundo império babilônico (612 a C) dura até a tomada da região pelos persas, quando também o Egito fica unificado sob a dominação política persa.</p>
<p>Com a perspectiva sempre presente da perda do poder por parte de lutas regionais, os reis e imperadores mantinham um séquito de observadores do Céu, que informavam em “memorandum” os fenômenos que viam, como sinais de eventos que ocorreriam aos poderosos.</p>
<p>Não havia o “mapa astrológico” tal como o conhecemos hoje em dia. Cosmologia e cosmogonia astral entremeavam-se nos longos épicos da criação, como as Tábuas de Vênus do rei Amizaduga e o Enuma Anu Enlil, cuja forma acabada será conhecida apenas nos últimos séculos anteriores à queda da Babilônia. Os registros falavam de estrelas fixas também e não há relatos sobre casas astrológicas ou aspectos tais como os conhecemos hoje.</p>
<p>Os sumérios inventaram o sistema sexagesimal, que facilitou operações matemáticas muito complicadas com relação à astronomia e este seu sistema numérico foi exportado para toda a antigüidade. Os egípcios adotaram este sistema para fazer ainda melhor suas correlações arquitetônicas e celestiais. Quando o Egito ficou unificado juntamente com a Babilônia, a troca de conhecimentos foi facilitada; durante a dominação persa também, sendo este povo muito devotado à astrologia, o que facilitou o intercâmbio entre Egito e Mesopotâmia. Sabemos que os egípcios construíam obras arquitetônicas alinhadas às estrelas fixas, com precisão de minutos de arco, talvez querendo a simpatia do Céu para com suas propostas de poder e religião, mas não pareciam ter nenhuma teoria planetária envolvida nesta função, nem técnicas matemáticas apropriadas.</p>
<p>Por todos os séculos que se sucederam, os povos que viviam entre o Tigre e o Eufrates continuaram cuidadosamente a registrar suas observações, até que após verificar a recorrência de ciclos planetários, chegaram a calcular com grande grau de acerto as posições dos planetas para o resto do tempo futuro. Registros de eclipses que começavam em 727 a C e que cobriam até o período após as conquistas de Alexandre mostraram-se corretos, segundo todos concordam. Naquele período babilônico, o que se fazia era marcar o Céu de acordo com estrelas, e não através de marcas fixas de um zodíaco de 30 graus; os babilônios usavam estrelas individuais para marcar a posição dos planetas.</p>
<p><strong>A dominação persa</strong></p>
<p>Em setembro de 539 a C, o rei Nabonidus encontra as tropas do rei Ciro II, da Pérsia, perto da atual Bagdá. O império da Babilônia encontra seu fim. Com Ciro, a região encontra uma certa estabilidade. O período de enorme atividade e descoberta, dos astrólogos assírios e babilônios, havia chegado a um limite, também. Após centenas de anos registrando, nos “Diários Astronômicos”, os fenômenos celestes para informação dos reis, os persas, no contato com os astrólogos da Mesopotâmia, introduziriam a matemática no cálculo astronômico e astrológico.</p>
<p>A astrologia e astronomia conhecem um grande avanço, com a regularização dos calendários como conseqüência de um entendimento maior dos ciclos celestes. O período sinódico dos planetas é descoberto, assim como o período sideral. A descoberta destes dois períodos possibilitou a formulação de períodos planetários bem mais amplos no tempo. Os planetas ficam estabilizados em signos zodiacais ao invés de em constelações, como vinha se fazendo até então. Os cálculos matemáticos se provaram eficientes na sofisticação do sistema astrológico. O contato com os Mazdeísmo, religião persa, impulsiona a relação entre o simbolismo solar e astrologia, carregando para dentro do corpus astrológico o conceito de monoteísmo, que contradizia frontalmente o politeísmo assírio-babilônico.</p>
<p>A primeira carta astrológica conhecida da Babilônia data de provavelmente 29 de abril de 410 a C. O registro indica signos zodiacais, mas sem graus. Conta o nascimento de uma pessoa em determinada data e elenca os signos em que a Lua e outros planetas estavam posicionados. Apesar de aparentemente terminar com uma predição, esta parte da tabuleta foi perdida.</p>
<p><strong>A era alexandrina</strong></p>
<p>Quando Alexandre, o Grande conquista o Egito, todo o período alexandrino vai destacar-se na história da astrologia ocidental. Até a chegada de Alexandre, o Grande, a região floresceu em cultura e conhecimentos, acumulados de todos os povos anteriores. A partir de Alexandre (331 a C), toda a área fica sob dominação do império e o grego será a língua dominante. Tanto no Egito quanto na Mesopotâmia, dois generais alexandrinos ficarão responsáveis pelas dinastias subsequentes em cada uma das regiões. Na Mesopotâmia, o general Seleucos instaura a dinastia Seleucida e no Egito o general Ptolomeu I começa a dinastia dos Ptolomeus.</p>
<p>O período alexandrino foi rico na produção intelectual. Todos os povos sob a regra alexandrina tiveram a oportunidade de trocarem conhecimentos e ampliarem sua relação cultural com outras ciências nascentes. (Há muito que os gregos travavam contato com os babilônios; Pitágoras, Platão são alguns dos exemplos). O confronto cultural entre o pensamento helênico, que queria saber o por quê das coisas, e a tradição intelectual assíria, que se importava mais no como as coisas são feitas, alavancou a criação de uma explicação filosófica e matemática sobre o universo, o mundo natural. A filosofia estóica de Zeno, somada à teoria dos 4 elementos de Empédocles e mais tarde à teoria dos Humores de Hipócrates forneceu as bases da astrologia alexandrina. Enquanto os gregos teorizavam e procuravam melhorar a presteza matemática no cálculo de posições planetárias, os estudiosos caldeus calculavam alguns eventos dos ciclos: ascensão e ocaso, movimentos retrógrados, estacionários e oposições.</p>
<p>As cartas astrológicas do período de dominação helênico podem ter como exemplo a mais antiga, encontrada perto da região de Uruk, datando de 4 de abril de 263 a C. Os graus de signo já eram mencionados:</p>
<p>“Ano 48 da Era Seleucida, mês de Adar, a criança nasceu. Neste dia o Sol estava em 13.30o Àries, a lua em 10o Aquário, Júpiter no início de Leão, Vênus com o Sol, Mercúrio com o Sol, Saturno em Câncer, Marte no fim de Câncer..”<br />
(…)<br />
“Ele terá falta de saúde… Seu alimento não será suficiente para sua fome. A riqueza que terá na juventude não permanecerá. No seu 36o ano terá riqueza. Seus dias serão longos em número…”</p>
<p>As outras três tabuletas abarcam de 258 a C a 235 a C &#8211; uma é carta de concepção e a outra de nascimento, mostrando graus zodiacais para o Sol e todos os planetas, sendo que a Lua está sem nenhuma datação matemática. A última das tabuletas, também de Uruk, registra várias predições:</p>
<p>“Júpiter… em 18o Sagitário. O lugar de Júpiter significa: Sua vida será regular, boa; ele se tornará rico, alcançará a velhice, seus dias serão numerosos. Vênus em 4o Touro. O lugar de Vênus significa: Onde quer que ele vá, será favorável para ele; ele terá filhos e filhas. Mercúrio em Gêmeos, com o Sol. O lugar de Mercúrio significa: Este bravo será o primeiro nas paradas, será mais importante do que seus irmãos..”</p>
<p>Uma das efemérides mais antigas data de 307 a C, da era Seleucida &#8211; e até 42 d C elas foram produzidas. É desta época, também, o único texto com ilustrações de constelações e figuras zodiacais; as sete estrelas das Plêiades, que aparecem juntas da Lua crescente e o touro do Touro. Há também imagens do signo de Virgem com a estrela Spica, ao lado de Mercúrio e no reverso uma imagem de Júpiter com a estrela de oito pontas, ao lado da Hidra e do Leão. Com estas ilustrações, doze divisões, uma para cada signo do zodíaco; cada um destes signos está dividido em um micro-zodíaco, produzindo uma divisão de dois graus e meio ou dois dias e meio; cada signo zodiacal traz um comentário a respeito de sua significação astrológica.</p>
<p>A astrologia horoscópica conhecida por nós vai florescer, como já disse, na era alexandrina, com relação a aspectos mais elaborados. Os estudiosos que se debruçam sobre os textos gregos estão encontrando cada vez maiores evidencias disso. Uma das mais completas fontes dos registros gregos de astrologia foi compilada no final do século passado por uma equipe de estudiosos, e chama-se “catálogo grego dos registros astrológicos(iv).</p>
<p>Um sistema astrológico completo estava pronto por volta do século I de nossa Era, e escrito em grego, como se pode observar nos escritos de Doroteu de Sidon. Os registros gregos da era helenista estão cheios de referencias a um conhecimento ainda mais anterior da astrologia &#8211; em outras palavras, os para nós antigos gregos já escreviam sobre a astrologia referindo-se a ela como sendo muito antiga e contendo citações e/ou referencias a astrólogos ainda mais antigos é o do astrólogo Vettius Valens, que em sua obra se refere a velhos professores que encontrou em suas andanças pelo Egito, o que propiciou a este escritor que registrasse ensinamentos que somente são encontrados nas suas próprias obras.</p>
<p>Hiparco foi o primeiro grego a refletir sobre a precessão como sendo um fenômeno ordenado; compilou um catálogo de 100 estrelas. (C190-120 a C) O último mapa de nascimento escrito em caracteres cuneiformes que sobreviveu até nós data de 68 a C e Antioco I de Comagena, um dos últimos regentes helênicos, colocou seu mapa de nascimento em sua tumba (62 a C).</p>
<p><strong>Persas, gregos e indianos &#8211; a questão da astrologia indiana</strong></p>
<p>O avanço das tropas de Alexandre fez com que o grego se espalhasse como língua cultural, como instrumento da helenização de toda a região da Ásia Menor, que incluía a Magna Grécia &#8211; por muitos séculos, a língua grega desempenhou o papel que hoje a língua inglesa ocupa em nossa vida cultural.</p>
<p>Assim, os métodos babilônicos anexados na astrologia egípcia &#8211; bem como os próprios métodos egípcios puderam viajar em grego até a Índia, espalhando o conhecimento. A maior parte dos termos técnicos encontrados na astrologia indiana “cuja origem pode ser encontrada em outra língua são gregos, não babilônios, nem coptas nem mesmo em antigo egípcio” (1) e também é digno de nota que poucas palavras técnicas da astrologia grega tenham sua origem em qualquer outra língua. Entre as palavras semelhantes encontradas entre a língua grega e o sânscrito, encontram-se as referentes a casas e aspectos, o que talvez explique o impacto que a astrologia helenista teve na Índia neste item. Apesar de haver muita controvérsia a respeito do tema da origem e desenvolvimento da astrologia hindu, as referencias encontradas nos textos indianos às figuras dos Yavanas &#8211; pessoas que falavam grego, ainda que de variada origem étnica &#8211; não deixa dúvidas sobre a troca de conhecimentos.</p>
<p><strong>A Era Romana</strong></p>
<p>Embora sob dominação romana, a cultura ainda era helenista. Apenas dois autores romanos destacam-se na astrologia: Marcus Manilius, autor de Astronômica (C10 d C), um poema didático longo em latim; como ele não faz referências a autores da sua época, muitos duvidam de sua autoria, atribuindo o texto ao Renascimento e não à Antigüidade Clássica. Além deste, temos Julius Firmicus Maternus, que compilou muito do conhecimento da época e escreveu no seu Mathesis o livro 8, que trata de astrologia e suas técnicas, em latim; seu texto ficou conhecido por toda a Idade Média.</p>
<p>Data do primeiro século depois de Cristo o mais longo tratado astrológico de uma linhagem que nasce diretamente no movimento filosófico dos estóicos(2). O trabalho não chegou até nossos dias inteiro, mas há diversas referências dele entre diversos autores até da Era Medieval européia. O autor é Doroteu de Sidon e o nome do trabalho é o Pentateuco, um longo poema astrológico em 5 livros. Doroteu é a mais velha fonte conhecida do sistema de triplicidade trina. Uma versão deste Pentateuco é conhecida como Carmen Astrologicum, a Canção da Astrologia, mas que nos chega através de uma versão comentada em árabe, possivelmente com acréscimos posteriores. Este trabalho mostra o uso das triplicidades, eclipses e uma série de pontos como ASC, graus, em torno do mapa.</p>
<p>Parece que algumas fontes consideram Teucer, da Babilônia como sendo o primeiro a delinear os decanatos astrológicos, que também é do primeiro século, mas não se tem certeza. Da mesma época, no cenário romana destacam-se o astrólogo Balbilus &#8211; que era parente do astrólogo de Augusto e Tibério, Trasilo, tornou-se conselheiro de Caligula, Tibério, Cláudio, Nero e permaneceu ainda no reinado de Domiciano.</p>
<p>Entre 117 a 18 d C reina o imperador Adriano, que foi um patrono da astrologia; seu mapa natal sobreviveu até nossos dias. A Roma imperial e republicana não nos deixa muitos registros da utilização de astrologia, mas a confluência de xamanismo, rituais mágicos e encantamentos de variada origem era grande o bastante para atestar que a astrologia viceja forte não apenas na periferia do império mas também na população da baixa Itália(3). A tradição intelectual romana era bastante crítica com relação ao Zoroastrismo, Mitraísmo e demais práticas do Sol Invencível que adentrou a região conforme a fronteira política do estado Romano aumentava. Dentre os filósofos (estóicos) destacam-se Sêneca e Cícero; todos eles céticos com relação ao conhecimento astrológico. Mas a tradição continuava não apenas nas franjas do sistema, como foi aos poucos sendo levada e transformada em contato com as populações do norte da Europa e da Ásia Menor.</p>
<p>De todo modo, é desta época o conhecido Cláudio Ptolomeu (100?-170 d C?), egípcio de nascimento e provavelmente cidadão romano, embora tenha escrito em grego. Ptolomeu foi um grande sistematizador de uma certa corrente representativa do conhecimento astrológico, descrevendo no Almagesto e no Tetrabiblos tudo o que se conhecia a respeito na área e que se coadunava com as premissas filosóficas de Aristóteles. Portanto, Ptolomeu não pode nem deve ser considerado “a última palavra” na nossa raiz filosófica. Vários conceitos ele deixou de usar e até hoje, embora tenha se descoberto alguma evidência, por exemplo, de que ele jamais escreveu que havia apenas uma maneira de se calcular a Roda da Fortuna, ele utilizava um sistema de triplicidades bastante diferente de outros autores contemporâneos seus. Além do mais, Ptolomeu não era um astrólogo praticante; sistematizou em um conjunto inteligível tudo o que lhe pareceu suficientemente congruente com a tradição filosófica que professava. Contemporâneo de Galeno (120-199? D C) &#8211; que incorporou não apenas Hipócrates e seu Paradigma dos Humores mas estabeleceu a conexão entre estes e os elementos na astrologia &#8211; Ptolomeu incorpora as categorias da medicina aplicada ao simbolismo astrológico. O Almagesto é talvez escrito em 127 d C mas o impacto tanto desta obra quanto de seus trabalhos na geografia &#8211; ele era cartógrafo e matemático, além de astrônomo &#8211; foram de grande impacto durante 1400 anos. Ptolomeu catalogou 1022 estrelas (antes se conheciam 850).Foi Ptolomeu quem expôs de forma organizada a teoria geocêntrica, em que a Terra está no centro do universo, em torno da qual giram os outros corpos celestes; seguindo a tradição de outros gregos anteriores, Ptolomeu reconhece a esfericidade da terra &#8211; fato que seria “esquecido” durante um certo período da Idade Média no Ocidente. A teoria geocêntrica só será abalada com a teoria heliocêntrica, no século XIV, proposta e defendida por Nicolau Copérnico. A idéia de que a terra gira em torno do Sol, como os demais corpos celestes, só foi publicada após a morte de Copérnico, enquanto que a Igreja demorou muito tempo para aceitar esta nova teoria(4). Cláudio Ptolomeu escreveu um pequeno tratado sobre as estrelas fixas, além de um tratado sobre geografia. Uma outra tradição surge com um astrólogo praticante, que foi, para a vertente da astrologia estóica, o que William Lilly será para a astrologia horária do século 17. O que nos restou do que Vettius Valens (C150-185 d C) compilou na sua Antologia, é uma massa de material nascido da experimentação e da prática. Valens utilizava o sistema de profecções, sua filiação filosófica era estóica, utilizava os Lotes (erroneamente chamadas Partes Árabes), calculados diferentemente para nascimentos diurnos ou noturnos, o sistema de casas era semelhante ao de Ptolomeu &#8211; casas iguais que começavam 5 graus antes da cúspide, entre outros quesitos de sua análise. Sua obra mostra vigorosa aplicação do conceito de katarqué (o estudo dos inícios) como já a raiz de um dos ramos da astrologia que teria grande desenvolvimento posterior: a astrologia eletiva e horária. Só no final do século II d C teremos Antioquio de Atenas, que compila grande coleção de trechos e excertos de astrólogos anteriores; uma das partes é o Thesaurus, repleto de termos astrológicos técnicos.</p>
<p>Este período da história da filosofia ocidental é marcado pelo florescimento vigoroso do platonismo e temos em Clemente de Alexandria (150-215 a C) um dos maiores platonistas cristãos. A escola neoplatônica está forte e Plotino (205-270), considerado um dos mais importantes representantes, escreveu as Enéadas, que tenta dar conta de muitos dos problemas levantados pelos astrólogos de seu tempo. Jâmblico (C250-330 d C), um neoplatônico sírio, tentou criar uma religião neoplatônica combinada com as praticas mágicas de natureza tantrica. Em De Misteriis Jamblico lida diretamente com o problema das energias planetárias “maléficas” e suas relações com a alma.</p>
<p>Por volta do sec II os godos apareceram na Rússia, vindo aos poucos da Escandinávia. Bateram os germanos que moravam no norte do Império Romano e chegaram ao Mar Negro por volta do início do século 3. Ali, começaram a atacar as províncias romanas da Ásia Menor. Em pouco mais de cem anos seriam divididos em dois grandes grupos, visogodos e ostrogodos.</p>
<p>Em 313 d C, o Cristianismo vira a religião oficial do Estado, mas o paganismo ainda é tolerado; em 325 d C há o Concilio de Nicéia, que irá alterar para sempre a relação entre astrólogos, cristãos e estrutura social no ocidente. Depois que o Imperador Constantino lançou seu édito de tolerância para todas as religiões, em 313 d C, o cristianismo emergiu como a religião mais poderosa, enquanto movimento, dentro do Império Ocidental. A maior parte dos imperadores se tornaram cristãos na tentativa de ganhar mais poder por aumentar sua intimidade com a sociedade cristã organizada. Os desacordos internos na Igreja eram entendidos como ameaças que poderiam abalar a uniformidade e a unidade do império. Para contornar estas divisões, os imperadores conclamavam os encontros ecumênicos (do grego oikoumenos, ajuntar na casa &#8211; no caso &#8211; de Deus). O Concilio de Nicéia foi o primeiro de uma série e o ponto de discussão foi rejeitar o arianismo, que propunha ser Jesus Cristo um ser criado e não igual a Deus. Obviamente, o arianismo foi uma corrente religiosa que somava várias tradições mágico-religiosas das regiões dominadas pelo Império Romano e o ataque e anatematização do arianismo abriu a porta para a negação e perseguição de toda e qualquer forma de crença mágico-religiosa que não fosse alinhada com a linha programática da Igreja, ou melhor, de uma certa linha dentro da Igreja que estava para tomar a direção política e religiosa daquele período histórico(5).</p>
<p>No final do século 4, o Império Romano já estava repleto de contradições internas insolúveis; a vigilância necessária para a manutenção do poder na periferia do sistema, há mais de 100 anos, havia se afrouxado. A cizânia se estabelecera nas três Gálias; os hunos se fortaleciam sob as ordens de Átila, conhecido por não deixar pedra sobre pedra onde passava, salgando o chão e destruindo as casas, símbolos, segundo ele, da dominação romana. Da periferia oriental do Império o então jovem guerreiro Alarico liderou as hostes visigodas em um levante onde tomam grandes áreas da porção oriental romana, logo após a morte do imperador Teodósio, em 395.</p>
<p>Data desta época a formação do Império Bizantino. Um dos filhos de Teodósio ficou no comando da parte oriental do Império, enquanto o outro filho seria o administrador da parte ocidental, comandando a partir de Milão. Esta era uma divisão que, apesar de temporária, tornou-se permanente e determinou em muito as enormes diferenças culturais e filosóficas que inclusive são patentes na tradição astrológica.</p>
<p>Vai ser na porção oriental do império que a tradição filosófica e religiosa, além do debate teórico, será mais rico e produtivo. No ocidente, sobrariam poucas condições de troca de informações. A história teria outro rumo nas terras que seriam tomadas pelos vândalos.</p>
<p>Muitas eram as tentativas de manutenção de uma paz precária entre a parte oriental e ocidental do antigo império romano, tendo de se haver com hordas hunas, no oriente, vândalas no ocidente, entre outras, de par com as inúmeras cisões religiosas que espoucavam de todos os lugares do antigo império romano. Mas, em menos de cem anos, todo o império ruiria.</p>
<p>Roma caiu em uma manhã de 410, a despeito do aviso incessante dos gansos romanos, que protegiam a cidade sagrada das sete colinas; liderados por Alarico, chegaram os visigodos.</p>
<p>Cinco anos depois da queda de Roma, Hefaistio de Tebas escreve a Apotelesmatica, onde reconcilia a visão de Ptolomeu e Doroteu de Sidon; considerado um dos mais antigos interpretes de Ptolomeu e fonte primária dos fragmentos de Doroteu. Agostinho (354-430) escreve contra a astrologia individual, mas não nega a relação entre planetas e história. Paulus Alexandrinus (C378 d C) escreve as Matérias Introdutórias, que sobrevive intacta quase, dando um rico panorama da astrologia alexandrina e romana. Um tratado anônimo de 379 prescreve a utilização de 30 estrelas fixas na análise do mapa astrológico natal; são idênticas as que Ptolomeu utilizou no seu tratado chamado Fases.</p>
<p>Em 476 o Império Romano do Ocidente chegava ao fim, quando, curiosamente, reinava em Roma Romulo Augustulo, com o mesmo nome do primeiro dos chefes urbanos de Roma. Odoacro, um chefe bárbaro, o depôs. Antes dele, Diocleciano havia dividido o império em duas partes.</p>
<p><strong>Período Bizantino</strong></p>
<p>A primeira fase do Império Bizantino abarca de 324 a 640. Este longo período afastou e separou as duas metades do Império, tendo conseqüências importantes para manutenção e o desenvolvimento e de várias correntes que compõem nossa tradição astrológica. Uma das razões de não interrupção da prática e tradição astrológica noa região bizantina é que ali o grego ficou sendo a língua falada em primeiro lugar e na parte ocidental, ficou sendo o latim. Ora, a maior parte das obras eram escritas em grego e aos poucos foram desaparecendo aqueles que poderiam entender antigos escritos.</p>
<p>Bizâncio era uma colônia grega pequena, fundada no século 7 a C. Ali foi que o imperador Constantino, em 330 d C resolveu criar, no dia 11 de maio, a cidade de Constantinopla. Dizem que ele escolheu certas estrelas fixas para estarem elevadas neste dia, a fim de construir uma cidade que durasse em poder e glória muitas centenas de anos…</p>
<p>O imperador Justiniano sobe ao trono em 527. Justiniano recuperou muitas áreas que haviam sido tomadas pelos povos que invadiram o império romano e o fragmentaram.</p>
<p>Dentre os bizantinos que seguiram a tradição helenista antes do advento da era islâmica, temos Olimpiodoro, cerca de 564 d C, que deu aulas de astrologia mesmo sob a hostilidade crescente de Justiniano e Retório, no início do sec VII d C, que fez uma coletânea de textos de antigos escritos astrológicos.</p>
<p>Retório tinha à sua disposição os escritos de Ptolomeu e outros astrólogos. Elenca inclusive mais detalhes de interpretação. Utiliza as triplicidades e inclui elementos, 18 Lotes diurnos e 17 noturnos, discorre sobre o thema mundi cujo ASC seria em Câncer e conta como certos astrólogos acham que todos os ascendentes de todos os mapas devam estar neste signo, embora escreva que outros preferem que seja em Leo, o signo do Sol, mas ele mesmo prefere no final usar o equinócio da primavera e seu signo, Àries. Para Retório, a Lua adquire maior importância do que para Ptolomeu; a exaltação ou exílio dela é o mais importante; lista as casas da mesma maneira que Ptolomeu, mas as separa em masculinas e femininas, assim como os planetas e signos:</p>
<p>“se Mercúrio está em boa casa, especialmente a casa de Saturno, e bem aspectado por Júpiter, Saturno e Marte, ele produzirá astrólogos, profetas e sacerdotes; se Saturno está no ascendente na casa de Mercúrio ou Mercúrio está no ascendente, produzirá matemáticos portentosos”(6)</p>
<p>Mas os dias gloriosos da astrologia haviam terminado, pelo menos oficialmente. Pressionada pelo estado e pela Igreja, o caminho da sua proscrição começara em 357, quando Constancio chamou os mathematici &#8211; era este o nome dos astrólogos durante centenas de anos… &#8211; de indesejáveis, colocando no mesmo saco os magos, os adivinhos de sonhos, e os intérpretes de auspícios. Em 409 Honório e Teodósio mandaram os astrólogos queimar seus livros na presença de bispos e voltar à antiga fé católica sob pena de exílio. Em 425 Teodósio e Valentiniano chegaram a banir vários heréticos, inclusive os mathematici. Obviamente, nem tudo foi assim tão fácil e nem todos os astrólogos foram inteiramente banidos de Bizâncio. Um certo persa chamado Estefânio, o filósofo, gabava-se, no século 8, de haver reintroduzido a astrologia na região. Ele insistia que as estrelas não eram deuses e que só expressavam o desejo de Deus, que não agiam através de um poder que lhes era próprio, mas através do poder de Deus e, portanto, era um pecado que o ser humano não usasse este conhecimento(7). E já que falamos em persas, é importante lembrar a enorme e decisiva importância que esta cultura terá para a constituição da astrologia, seja no aspecto da importância do mito solar, ligado ao zoroastrismo, seja na maneira de criar divisões do mês baseadas nas fases da lua, para darmos apenas dois pequenos exemplos! Foram os persas que ensinaram aos povos autóctones da região perto de Harran muito da tradição espiritual e mágico-ritualística que criariam uma poderosa corrente esotérica que se manteria intacta durante centenas de anos. Na cidade de Harran, no atual Iraque, levas e levas de grupos filosóficos e esotéricos de origem árabe, persa, grega &#8211; neoplatônicos e platônicos &#8211; mantiveram-se, como em um enclave de resistência, até o tempo das Cruzadas. É desta cidade &#8211; que agora começa novamente a ser escavada &#8211; que saiu a forma acabada das mansões lunares &#8211; tal como é conhecida no ocidente &#8211; e os símbolos sabeus.</p>
<p><strong>Os árabes</strong></p>
<p>Próximo do ano de 227, a região do atual Irã foi tomada dos partas pelos exércitos sassânidas do persa Adachir I. Coroado, transformou o Zoroastrismo a religião do estado; fazia parte da cultura persa o amor à astrologia e durante o império de 4 séculos dos sassânidas, a arte floresceu bastante. Os imperadores persas abrigavam todos os filósofos que os cristãos baniam… Várias artes e práticas cresceram bastante. No entanto, tendo de brigar com hunos, romanos, bizantinos, de acordo com cada século, foram perdendo muito de seu território. Depois da ascensão do Império Sassânida, quando há este florescimento da astrologia e o Zoroastrismo é restaurado, alguns pesquisadores consideram que a astrologia árabe foi uma extensão da tradição astrológica grega e que recebeu influencias da astrologia hindu. Depois, no século 7, quando os árabes islâmicos dominam as áreas semitas da Mesopotâmia e da Pérsia, além do Egito, a troca de conhecimentos astrológicos cresce como resultado da própria dominação política daquelas regiões, que impõe maior contato cultural.</p>
<p>Após a dominação árabe, a maior parte dos textos de astrologia persa foram destruídos, mas os registros que chegaram até nós indicam que os maiores astrólogos da era árabe eram persas.</p>
<p>Praticantes de uma astrologia um pouco diferente da grega ou hindú, os árabes introduziram conceitos tais como orbe de aspectos, e muitos outros que ainda foram utilizados pela astrologia horária dos séculos mais recentes, tais como frustração e translação de luz e outros. Embora a astrologia árabe deva muito à astrologia helenista, os árabes introduziram modificações novas que podem ter sua origem na astrologia persa.</p>
<p>Na sua forma mais acabada, a astrologia árabe &#8211; que seria a terceira fase da história da astrologia &#8211; é a origem mais imediata do que hoje se pratica no ocidente.</p>
<p><strong>Período Clássico da Idade Média</strong></p>
<p>Data deste período a maior divisão entre dois braços da astrologia: a grega e a hindu, sendo que também continua a linhagem da astrologia originada das fontes persas, como uma terceira via, que mais tarde vai desembocar na composição do corpus astrológico árabe.</p>
<p><strong>Era Árabe</strong></p>
<p>Data desta época o grande florescimento da astrologia, com a contribuição de sírios, gregos, egípcios, persas e hebreus.</p>
<p>Teófilo de Edessa ( final do sec VIII) representa uma ponte entre a astrologia grega e árabe; cerca de 770 d C, alguns trabalhos astronômicos da Índia &#8211; a astrologia hindu se parece muito com a persa no estilo e nos métodos mas os dados astronômicos são de origem indiana, que por sua vez tem origem em textos ainda mais antigos do Oriente Próximo. Desta fase destacam-se Masha’ allah (770 &#8211; c 815), Messala em latim, autor de muitas obras astrológicas. Também surge Omar de Tibérias (815)– possivelmente tradutor de Doroteu do persa para o árabe, tendo um estilo helenista nos seus escritos astrológicos. No começo do século 9 d C, surge Abu Bakr e, entre 822 a 850, surge Kahel, um dos astrólogos de linha claramente helenista dentro da corrente árabe da astrologia.</p>
<p>Por volta de 854 surge Abu ‘Ali al &#8211; Khayyat, aluno de Masha’allah e autor do Julgamento das Natividades, um trabalho que mostra grande importância das idéias de Doroteus.</p>
<p>Alguns anos mais tarde, surge o astrólogo Al &#8211; Farghani (Alfarganus em latim) e já no final do século 9 (870) surge Al-Kindi, cujos trabalhos tiveram grande impacto na metafísica neoplatônica, mais do que na própria astrologia &#8211; influenciou Robert Grosseteste e John Dee; escreveu Sobre os Raios Estelares. Em 886 surge Abu Mashar (Albumassar em latim), representante da corrente persa na astrologia; um dos mais importantes autores da era árabe, era um persa que escreveu em árabe e persa. Escreveu As Grandes Conjunções, A Grande Introdução a Astrologia, A abreviação da Introdução a Astrologia e De Revolutionibus, além de Flores Astrologiae, sobre astrologia mundial. Entre 834 e 901, vive o astrólogo Thabit ibn Qurra &#8211; hermético, neoplatônico; entre 820 e 912, Qusja ben Luqa, ou Costa bem Luca; em 865 &#8211; 932, Ar-Razi, em latim Rhazes. Em 967, aparece Al-Qabisi, em latim Alcabitius, que empresta seu nome a um sistema de divisão de casas, embora não tenha sido seu autor, pois é um sistema que nasceu ainda na era clássica. Um dos trabalhos de Alcabitius, Introdução a Astrologia, traduzido para o latim, foi muito popularizado. Depois de 1040 o astrólogo Ali ibn abi r-Rijal, em latim Haly Abenragel, foi um dos mais influentes astrólogos da Era árabe no período latino tardio; escreveu um grande tratado sobre astrologia.</p>
<p>Entre 973-1049 viveu o astrólogo Al-biruni, que escreveu o Livro da Instrução nos Elementos da Arte da Astrologia, um dos mais cultos e preparados astrônomos da era árabe e conhecedor de astrologia.</p>
<p>Entre 1092-1167 Avraham ben Meir Ibn Ezra, Ibn Ezra, professor judeu que escreveu obras de grande importância, como O Inicio da Sabedoria e o Livro das razões, entre outros. Ibn Ezra foi muito influente no ocidente latino.</p>
<p><strong>Período Latino-Medieval</strong></p>
<p>Cobre o período da era latina do ocidente, que derivou quase que totalmente da astrologia árabe, sem maiores contribuições criativas. No panorama ocidental, uma das empreitadas mais importantes foi a constituição de um grupo de astrólogos tradutores das obras em persa, árabe e grego na corte de Espanha, pelo rei Alfonso de Castela e Leão (1226-1284), que também promoveu a elaboração das Tábuas Alfonsinas, de tanto uso na navegação em épocas posteriores. As Tábuas Alfonsinas, são tábuas planetárias usadas durante a Idade Média por astrônomos e astrólogos. Entre os astrólogos traduzidos para o castelhano medieval estavam as obras de Ali Aben Ragel (1254).</p>
<p>As figuras mais importantes são: Isidoro de Sevilha (560-636), João Escoto Erígena (815-877), Pedro Abelardo (1079-1142); Hugo de Santilla (1119-1151) traduz obras do árabe, compilações de métodos árabes não encontrados em outras fontes. Em 1125, temos a figura de Adelardo de Bath, inglês que aprendeu cultura árabe e traduziu as obras de Abu Mashar para o inglês. Em 1138, surge a tradução do Tetrabiblos de Ptolomeu, do árabe para o latim, feita por Platão de Tivoli; foi a primeira tradução. João de Sevilha (c 1150) traduziu do árabe e escreveu um tratado de astrologia &#8211; considerado um dos escritores mais antigos dos trabalhos originais em Latim durante a Idade Média. Também há Robert Grosseteste (1175-1253), bispo inglês envolvido nas teorias metafísicas da linhagem de Al-Kindi a John Dee, que foi conselheiro de reis e rainhas na corte da Grã-Bretanha.</p>
<p>Alberto Magno (1193-1280), professor de Tomás de Aquino, responsável pela introdução do aristotelismo na sua vertente árabe no pensamento ocidental, era um estudioso de Alquimia e Astrologia, e escreveu, ao que parece, uma obra intitulada Speculum Astronomiae, uma bibliografia critica que examinava as obras astrológicas que estavam ou não em harmonia com o Cristianismo.</p>
<p>A figura de Guido Bonatti (C1210-1290) desponta como um dos mais importantes compiladores e práticos latinos, escreveu o Liber Astronomiae, uma enciclopédia que sumariza o conhecimento da tradição árabe; Bonatti experimentou e testou os conhecimentos que aprendeu, tendo sido conselheiro do conde de Montefeltro, inclusive para assuntos militares, onde exercia sua arte astrológica no comando de operações de guerra. Recebeu de Dante Alighieri um lugarzinho no Inferno da sua Divina Comédia… Por volta de 1210 nasce Campanus de Novara, um dos supostos autores da divisão de casas conhecida como Campanus, mas sabe-se que este sistema era usado entre os árabes.</p>
<p>No final do século XIII, surge Pedro de Abano, astrólogo e mago que escreveu uma longa obra, Conciliador, sobre astrologia e medicina astrológica, dentro de uma visão escolástica; traduziu ibn Ezra do francês para o latim; no começo do sec XIV, há registros dos trabalhos de um astrólogo chamado Andalo di Negro. Também neste século surge o primeiro astrólogo inglês importante, John de Ashenden, que praticava astrologia política e mundial, muito influenciado por Abu’Mashar, e por volta de 1400, Antonio de Montulmo, que escreveu sobre astrologia mágica, além de um livro chamado Sobre o Julgamento das Natividades.</p>
<p><strong>Renascimento</strong></p>
<p>A corrente arabe-latina da astrologia continua forte, mas surgem os pensadores que acreditam que Ptolomeu seria a única fonte verdadeira, e o conhecimento árabe é pouco a pouco criticado. Surgem criações e pesquisas e uma “reforma” da astrologia que segue a linha das obras de Kepler. Os trabalhos de Morin de Villefranche (Morinus) são aristotélicos, e inovam em certos aspectos da prática e da análise.</p>
<p>Laurentius Bonincontrius (1410-1502) escreve o Tratado sobre as Eleições; Marcilio Ficino (1433-1499) traduz todas as obras do Corpus Hermeticum, muitas obras de Plotino e Platão, para o latim e conclui uma das obras mais importantes para o panorama cultural renascentista: o Liber Vitae, o Livro da Vida, em que recupera a tradição mágico-ritualística há muito esquecida, e propõe as mudanças de hábito de acordo com cada temperamento. Regiomontanus (1436-1473) escreve sobre o Almagesto de Ptolomeu e ajuda o florescimento da astronomia entre os povos germânicos &#8211; apesar de ser atribuída a ele o sistema de casas que leva seu nome, este sistema era conhecido antigamente pelos árabes, sendo que ele próprio chamava este sistema de “racional”. Lucas Gauricus (1475-1558), astrólogo que trabalhou para setores da Igreja, escreveu muitos livros. Nicolau Copérnico (1473-1543) cria um sistema de astronomia heliocêntrica; escreve De Revolutionibus. Johannes Schoener (1477-1547) foi um astrólogo e astrônomo muito importante que disseminou as obras de Regiomontanus e compilou efemérides anuais; escreveu Opusculum Astrologicum e Três Livros sobre o Julgamento das Natividades.</p>
<p><strong>Em 1492 a América é descoberta.</strong></p>
<p>No final deste século, Melanchton, amigo de Lutero e grande patrono da astrologia, faz a primeira tradução do Tetrabiblos do grego original e era amigo de Schoener; seu pensamento estava um pouco à esquerda de outros luteranos e por isso foi considerado herético; influenciou o pensamento de intelectuais como Jacob Boheme.</p>
<p>No começo do século XVI, Girolammo Cardano, matemático, astrólogo, mago, escreve algumas obras importantes. Em 1503 nasce Nostradamus, que ficou famoso pelas suas centurias. Junctinus (1523-1590) foi outro astrólogo que escreveu obra enciclopédica chamada Speculum; da mesma época são os trabalhos de John Dee, astrólogo e alquimista, que circulava nas rodas poderosas da Inglaterra. Outros astrólogos foram: Johannes Garcaeus (1530-1575), que escreveu uma compilação de mapas de nascimento; Claude Dariot (1530-1594), que influenciou outros astrólogos europeus, como William Lilly, e escreveu algumas obras. Durante aquele século, Tycho Brahe fez a compilação do mais completo catálogo de estrelas, além de outros registros planetários que foram a base das observações de Kepler.</p>
<p>Galileu Galilei vive entre 1564-1642. Um seu contemporâneo foi Morin de Villefranche, astrólogo que escreveu 28 volumes entre os quais a Astrologia Gallica, tentou reformar a astrologia; era conselheiro do ministro Colbert, da corte francesa.</p>
<p><strong>O Declínio</strong></p>
<p>O começo do declínio da astrologia na Europa é antecedido por um grande florescimento da astrologia na Inglaterra, com as figuras de W Lilly (1602-1681), que desenvolveu a astrologia horária e se apoiava nas técnicas medievais, tornou-se a fonte da revitalização contemporânea da astrologia na Inglaterra. Outro astrólogo importante foi Plácido de Tito (1603-1668), que alterou algumas formulas dos sistemas de Maginus e dos árabes e criou o que conhecemos por sistema de casas Placidus; tentou criar uma astrologia cientifica baseada em Ptolomeu e Aristóteles, mas a revolução da idéias já não permitiria espaço para a astrologia. Nicholas Culpeper (1616-1654), médico inglês e astrólogo, escreve muitas obras que disseminam conhecimentos astrológicos. Outros nomes da astrologia na Inglaterra são Gadbury (inimigo de Lilly), Coley, Partridge.</p>
<p>O abalo da revolução copernicana nos setores científicos europeus detonaria o que muitos autores chamam de “a segunda morte da astrologia”. Após a profusão de almanaques publicados na Inglaterra, França e Itália, em que a popularização da astrologia de pouca reflexão se espalhou, os poucos teóricos e estudiosos realmente sérios já não conseguiam espaço político junto às academias científicas. A idade do racionalismo, com o seu universo dessacralizado, estava para se tornar hegemônica na produção cultural do ocidente.</p>
<p>Quando, ao final do ano letivo de 1770, o último curso acadêmico de astrologia é fechado na Universidade de Salamanca, a intelligentsia européia já não tinha mais porque reclamar; algumas dezenas de anos antes, a astrologia havia sido banida da formação regular da Sorbonne, na França.</p>
<p>Durante o século 18 e 19, a idéia da previsibilidade dos ciclos históricos, deslocada da tradição até então relacionada à arte astrológica, desloca-se para as ciências e disciplinas “novas”, como a sociologia &#8211; que nasce como um subproduto para melhor dominar os povos coloniais &#8211; baseada no positivismo de Augusto Comte e seus critérios de anomia e ordem social. Na análise mais profunda, são os mesmos temas milenaristas de controle do ciclo do tempo e da relação entre grupo social e ciclos de perpetuação do controle político do estado que vem desde o tempo da Mesopotâmia e que podem ser encontrados até mesmo na produção teórica marxista.(8)</p>
<p>Durante mais de um século, o conhecimento astrológico ficou reduzido a pequeno grupo de pessoas na Europa. Somente em meados do século XIX é que se começa a registrar maior movimentação na área. A astrologia européia, assim como sua vertente norte-americana, só se recuperaria em todo o seu vigor no “boom” astrológico da segunda metade do século 20, salvo as raras exceções nas décadas anteriores, que ilustram quadros infelizes da relação entre astrólogos e nazistas &#8211; ou a sua contraparte britânica, cujo serviço secreto chegou a chamar astrólogos para tentar descobrir quais seriam as próximas manobras de Hitler.</p>
<p>A corrente de transmissão do conhecimento astrológico só seria plenamente refeita nos anos 90, quando um movimento informal de alcance internacional e liderado por astrólogos ingleses, norte-americanos, espanhóis e russos se dedicaria à recuperação das fontes primárias da arte astrológica, não para brigar pela “verdade” astrológica &#8211; que inexiste &#8211; mas pelo direito ao conhecimento do passado, para melhor produção no presente.</p>
<p><strong>A América</strong></p>
<p>Aqui o genocídio cultural já havia sido perpetrado por ocasião da invasão das terras pelos portugueses e espanhóis. Ingleses no Norte da América destruíram povos e tradições espirituais, e o processo de retomada e descoberta, assim como de recuperação deste conhecimento &#8211; de astronomia física e cultural &#8211; ainda que esteja sendo feito, pode estar comprometido se não houver a necessária troca de informações entre vários conhecimentos do céu.</p>
<p>NA América Espanhola e Portuguesa o quadro é igual, mas as conseqüências são mais trágicas. No genocídio do povo maia perdeu-se quase que totalmente a prática de utilização da astrologia deste povo, conhecido depois pela sofisticada matemática e precisão astronômica a que chegaram. Astecas, toltecas, quíchuas, povos nativos do Peru, cuja tradição xamânica e mágico-ritualistica muitas vezes remete a estações do ano e períodos do dia, também quase que se transformaram em motivo de teses de doutoramento esparsas ou suspeitos movimentos milenaristas, com raras e honrosas exceções.</p>
<p>Pouca gente conhece o que existe, o pouco que sobrou do genocídio &#8211; e, quem conhece, não tem olhos nem interesse pelos estudos da culturalização do Céu ou do simbolismo das estações. Também, pouca gente sabe que durante a Inquisição no Brasil alguns brasileiros e portugueses foram presos ou torturados por denúncias de prática de feitiçaria e ou astrologia, também chamada de outros epítetos, embora a história oficial fale de uma Inquisição branda na colônia portuguesa do Brasil e uma, muito mais feroz, nas colônias espanholas nossas vizinhas. Para uma história da astrologia no Brasil moderno, consultar a obra de Antonio Carlos Harres.</p>
<p>Pouca gente sabe também que os Tupinambá do interior da Bahia, no Brasil, produziram até marcos geográficos semelhantes aos de Stonehenge na Inglaterra &#8211; mas a diferença de valor cultural faz com que esta descoberta, que motivou exposição no Rio de Janeiro em 1997, não consiga nem ao menos romper as fronteiras lingüisticas. Afora o trabalho paciente e difícil de pessoas como Kaká Werá Jacupé, guarani criado por txucarramães, poucos se lembram que os povos da floresta brasileira tinham sim, antes do genocídio, um céu cheio de símbolos e uma vida com significado e propósito, que é, afinal de contas, tudo o que um astrólogo quer saber ver nos mapas do céu de alguém ou de um país…</p>
<p>(1) Hand, R – op. cit<br />
(2) Zeno, cerca de 300 a C, ensinava em Atenas perto do Stoa Poikile (coluna pintada) da ágora (praça), daí o nome Stoikos, que originou estóicos. Zeno pregava que o universo era racional e governado pelo destino; o ser humano deviam encontrar seu lugar na sociedade, ajudando a melhora-la e cumprindo suas obrigações, e aprendendo que a melhor maneira de se haver com o destino era não fugir dele, mantendo a cabeça forte e tranqüila. O estoicismo tem 3 fases, a ultima delas abarca o período em questão. Mesmo Sêneca sendo estóico, não aceitava a astrologia, embora no corpus doutrinário da filosofia houvesse lugar para uma cosmologia complexa que abarcava a teoria política e ética, além da física. Até em Descartes, muitas centenas de anos depois, vamos encontrar uma forte tendência estóica. Este foi o movimento mais forte de todo o Império Romano.<br />
(3) Para a discussão do tema, v. Betz, H D &#8211; The Greek Magical Papyri &#8211; UCP, 1992.<br />
(4) V. Compton’s Interactive Encyclopedia, 1994, 1995 Compton’s NewMedia, Inc.<br />
(5) Arius (250-336) &#8211; foi um sacerdote cristão de Alexandria.<br />
(6) Tester, Jim &#8211; A History of Western Astrology &#8211; UK, Boydell Press, 1996 &#8211; pag 95<br />
(7) Tester, Jim &#8211; op.cit &#8211; pag 95<br />
(8) Para a discussão do tema verificar Campion, N &#8211; The Great Year &#8211; UK, Penguin Arakana, 1994.</p>
<p>_____________</p>
<p>i Waerden – Science Awakening – Vol II, Oxford P, citado por Hand, R :”The History of Astrology -<br />
another view “<br />
ii Termo sânscrito: “grau anual”, indica a diferença em arco entre os pontos de início dos zodíacos tropical e sideral.<br />
iii Hand, R- op. cit<br />
iv Em 1898, Franz Cumont conduziu explorações arqueológicas na Ásia Menor e Síria; o resultado está em Studia Pontica (1906) e em outra obra, de 191. Em colaboração com outros, Cummont produziu o Catalogus Codicum Astrologorum Graecorum (28 volumes), com descrições e fragmentos de códices gregos</p>
<p>FONTE: Barbara Abramo, primavera de 1998</p>
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		<title>Sentido Cósmico dos Signos e dos Elementos</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Aug 2008 00:38:36 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Quando se afirma que um determinado signo é “masculino” ou “feminino”, “cardinal”, “fixo” ou “mutável”, por vezes não sabemos muito bem o significado que se quer imprimir com estas classificações. A seguir fazemos uma breve descrição destes sentidos cósmicos dos signos.
Masculinos
- Emissão, dinamismo, exteriorização dos sentimentos, dos desejos e das ideias na acção, iniciativa e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando se afirma que um determinado signo é “masculino” ou “feminino”, “cardinal”, “fixo” ou “mutável”, por vezes não sabemos muito bem o significado que se quer imprimir com estas classificações. A seguir fazemos uma breve descrição destes sentidos cósmicos dos signos.</p>
<p><strong>Masculinos</strong></p>
<p>- Emissão, dinamismo, exteriorização dos sentimentos, dos desejos e das ideias na acção, iniciativa e coragem física.</p>
<p>- Atenção: risco de orgulho, impulsividade, violência, temeridade, desdém e avaliação exagerada de si próprio quando os trânsitos são contrários no horóscopo.</p>
<p><strong>Femininos</strong></p>
<p>- Receptividade, reserva, discrição, interiorização dos sentimentos, reacção aos ambientes, sentido do secreto, diplomacia, tenacidade.</p>
<p>- Atenção: risco de insatisfação relativamente ao seu destino, de inquietude e de passividade quando os trânsitos são contrários no horóscopo.</p>
<p><strong>Cardinal</strong></p>
<p>- Actividade, iniciativa, princípio das coisas e compromisso no mundo físico.</p>
<p>- Risco de uma visão simples e incoerente das coisas e dos acontecimentos quando o horóscopo é maioritariamente influenciado por aspectos negativos nos quatro signos cardeais: Carneiro, Caranguejo, Balança, Capricórnio, e também nas quatro Casas angulares: I, IV, VII e X.</p>
<p><strong>Fixos</strong></p>
<p>- Personalidade forte, sentido do empreendimento, firmeza, estabilidade e manifestação da natureza emocional.</p>
<p>- Risco de manifestação brutal face à adversidade e de incoerência do raciocínio quando o horóscopo recebe aspectos contraditórios nos quatro signos fixos: Touro, Leão, Escorpião, Aquário, e também nas Casas II, V, VIII e XI.</p>
<p><strong>Mutáveis</strong></p>
<p>- Adaptabilidade, reflexão, flexibilidade espiritual, fim das coisas, despertar da natureza mental e universal, visão nova e invulgar do mundo e das metamorfoses da existência.</p>
<p>- Risco de perda da energia e da objectividade face à adversidade quando o horóscopo recebe maus aspectos nos signos mutáveis: Gémeos, Virgem, Sagitário, Peixes, e também nas Casas III, VI, IX e XII.</p>
<p><strong>Elementos</strong></p>
<p><strong>Fogo</strong></p>
<p>- Centro da energia, generosidade, reacção rápida, exaltação espontânea, tendência para o heroísmo e para o dom-quixotismo.</p>
<p>- Bons aspectos no horóscopo geram dirigentes e chefes sem igual.</p>
<p>- No entanto, riscos de fanatismo exagerado, de partidos tomados cegamente e de falta de flexibilidade quando o horóscopo recebe maioritariamente aspectos contraditórios nos signos de Fogo: Carneiro, Leão, Sagitário, e também nas três casas correspondentes a estes signos: I, V e IX.</p>
<p><strong>Terra</strong></p>
<p>- Energia tranquila, tenacidade das ideias e das reacções face aos acontecimentos, clareza de visão, sentido prático e realizador concreto, determinação e continuidade dos objectivos fixos, espírito fecundo e criador.</p>
<p>- Quando o horóscopo recebe bons aspectos, isso pode favorecer a emergência dos dirigentes no sentido alargado da palavra, bem como chefes de Estado, magnatas da finança, artistas, desportistas, religiosos e magistrados sem igual.</p>
<p>- Existe o risco não desprezível de tirania, de despotismo, de crueldade mental e física quando o horóscopo recebe maioritariamente aspectos contraditórios nos signos de Terra: Touro, Virgem, Capricórnio, e nas três casas correspondentes a estes signos: II, VI e X.</p>
<p><strong>Ar</strong></p>
<p>- Adaptação, sensibilidade, espírito orientado para o pensamento e as trocas de ideias.</p>
<p>- Os objectivos fecundos e abstractos são favoráveis às trocas teóricas e intelectuais.</p>
<p>- Concretização das ideias e das sensações superiores num horóscopo bem influenciado nos signos de ar e nas Casas correspondentes.</p>
<p>- Risco de hesitação perante uma escolha a fazer.</p>
<p>- Pensamento utópico e ideias quiméricas perante a adversidade quando o horóscopo recebe aspectos muito contraditórios nos signos de Ar: Gémeos, Balança, Aquário, e nas três casas correspondentes a estes signos: III, VII e XI.</p>
<p><strong>Água</strong></p>
<p>- Necessidade de agir por inércia, força passiva, poder de desintegração, sentido da penetração e visão introvertida das coisas e dos acontecimentos por uma força imprevisível.</p>
<p>- Domínio das sensações e controlo do meio com um horóscopo bem influenciado nos signos de Água e nas Casas correspondentes. Risco de ser dominado pelas impressões.</p>
<p>- Tendência destrutiva e nociva, passividade, indecisão e hesitação perante o imprevisto quando o horóscopo recebe aspectos fortemente contraditórios nos signos de Água: Caranguejo, Escorpião, Peixes, e também nas três Casas correspondentes: IV, VIII e XII</p>
<p>Fonte: www.nova-lis.com</p>
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		<title>Os Nódulos Lunares &#8211; Indicadores Cármicos</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Aug 2008 23:42:41 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Os Nodos são os pontos, do céu definidos pela intercepção da órbita de um astro com a ecliptica, no presente caso quanto a Lua cruza a ecliptica de Sul para Norte chama-se a esse ponto Nodo Norte e quando cruza de Sul para Norte chama-se Nodo Sul.
O eixo que conjuga os dois nodos (do Sul [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os Nodos são os pontos, do céu definidos pela intercepção da órbita de um astro com a ecliptica, no presente caso quanto a Lua cruza a ecliptica de Sul para Norte chama-se a esse ponto Nodo Norte e quando cruza de Sul para Norte chama-se Nodo Sul.<br />
O eixo que conjuga os dois nodos (do Sul ao Norte) indica a Via que o Ser escolheu seguir para levar a cabo o seu programa. O Nodo Sul recolhe em si as experiências das vidas precedentes, o Nodo Norte indica o fim que nesta vida têm que perseguir para executar o programa escolhido ou que aceitou.</p>
<p>O Nodo tem um ciclo de 18 &#8211; 19 anos, isto significa que cada 18 &#8211; 19 anos o individuo tem a ocasião de renascer e de contribuir para as correcções colocadas em funcionamento no programa ou de aliviar os aspectos negativos do carma.</p>
<p>É necessário ter presente que no Nodo Norte estão abertas todas as possibilidades, ao contrário do Nodo Sul que impõem as condições a que se chama: inércia, apego, recusa, debilidade.</p>
<p>É portanto evidente que se o carma for muito pesado, poderá não ser suficiente uma só vida para dissolvê-lo por completamente, em caso contrário, de não ser muito denso, e com o exercício do equilíbrio energético, que faz fluir as energias entre os pólos opostos, podendo dissolvê-lo.</p>
<p>Todas as oposições planetárias que implicam ou não um retrógrado, indicam uma tensão energética que deve ser libertada, fazendo fluir energia.</p>
<p>Do mesmo modo isto pode ser activado entre o Nodo Sul e o Norte: deve-se utilizar positivamente isto que foi colocado à disposição do indivíduo pelo Nodo Sul para chegar ao Nodo Norte que deve funcionar como activador e como condutor.</p>
<p>No entanto, se inverter a circulação de energia ela desabará sobre a pessoa, nos seus próprios costumes, já vividos, no apego, na posse e repetir-se-á uma vez mais a lição, como uma dívida cármica mil vezes mais pesada!</p>
<p>Isto significa que é de vital importância compreender o significado dos Nodos Lunares nos Signos e nas Casas pelo recordo finalmente que o uso dessa energia é deixado ao livre-arbítrio (talvez!) do indivíduo.</p>
<p>Por sua vez, a energia primária que podemos utilizar activando certos pólos planetários é um pouco como uma faca: não é nem &#8220;boa&#8221; nem &#8220;má&#8221;, é o uso que o indivíduo faz dela é que a converte em &#8220;boa&#8221; ou &#8220;má&#8221;</p>
<p>A Lua Negra ou Lilith é o segundo foco da ecliptica teórica desenhada pela Lua no seu percurso ao redor da Terra, tem um período de evolução zodiacal de cerca de nove anos. Simbolicamente representa a face escura da Lua, quer dizer, a que permanece sempre escondida aos olhos dos seres humanos.</p>
<p>Há duas formas de interpretar a Lua Negra: um de tipo genético, o outro de tipo cármico. A interpretação normal está ligada à sexualidade e à sensualidade, uma vez que Lilith ou lua infernal era a primeira mulher do Adão. Lilith não procriou, representava por si o Sexo pelo Sexo e por isso mesmo foi atirada ao Mar Morto a 328 metros abaixo do nível do mar e 962 metros abaixo do nível de Jerusalém.</p>
<p>Não é por acaso, é que no Mar Morto não se dá forma alguma de vida. No entanto, as lamas que se extraem do seu fundo são potentes estimulantes sexuais. Além disso, no Mar Morto a densidade de sal é muito elevada, 5 vezes superior às águas dos oceanos, o que faz com que o sal não se afunde, e que se encontrem blocos de sal a flutuar.</p>
<p>Por isso, pode-se fazer a analogia com: conservação, cristalização e purificação. A Lua negra é similar aos Nodos: contém em si o programa a realizar pelo indivíduo, agarra-se aos instintos que por sua vez estão profundamente alojados no fundo do inconsciente do indivíduo para o obrigar a evoluir. E fará com que o individuo viva situações que não conseguirá controlar e que portanto o fará sofrer.</p>
<p>Estando o individuo obrigado a fazer frente aos problemas que não são perceptíveis até que eles aconteçam, e não são controláveis enquanto se desenvolvem. A mente não poderá exercer nenhum poder sobre ela e sobre o que ela supõe.</p>
<p>Quanto à Lua Negra ela faz esquecer de quando em vez, e inclusive de uma vida para a outra, as lições repetidas e não assimiladas pelo indivíduo. Ela é activada para fazer viver o dia-a-dia, instante a instante, ou melhor dizendo, o aqui e o agora.</p>
<p>Estando-se impossibilitado de programar, raciocinar, controlar e só se pode sofrer. Quando o indivíduo é colocado frente a si próprio, não pode e não deve fazer artifícios para fugir ao problema, sobre pena de cair na escuridão mais absoluta. Quase a escuridão da morte.</p>
<p>Lilith sugere, manda, impõe comportar-se de um certo modo e se o individuo a vivência mal, opondo-se a ela, corre o risco do bloqueio das energias. Portanto, não se podem corrigir as dificuldades do Signo onde se encontra Lilith, está-se obrigado a deixar-se levar e a adaptar-se ao dia a dia e a experimentar tudo aquilo a que é submetido.</p>
<p>Mas Lilith quando nos coloca obstáculos, fá-lo-á para nos proteger do mal, de facto ela nesse momento converte-se num anjo da guarda que tendo o conhecimento do passado cármico do individuo e dos seus enganos, actua de modo a que sejam bloqueados antes que o individuo possa actuar de forma negativa seja em relação a si próprio ou em relação ás outras pessoas.</p>
<p>Fonte: www.nova-lis.com</p>
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		<title>O valor da astrologia</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Aug 2008 22:50:18 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje em dia, algumas pessoas acham que a Astrologia não passa de uma superstição, e que os antigos astrólogos viviam numa época primitiva e ignorante. Estas pessoas esquecem que Stonehengeos seus antepassados remotos foram suficientemente inteligentes para construir as pirâmides do Egipto, que se mantêm há mais de quarto mil anos, e também Stonehenge, que os arqueólogos acreditam agora ser um fantástico e preciso relógio baseado nos movimentos do Sol, da Lua e das estrelas.</p>
<p>Sir Isaac Newton, um dos maiores cientistas de sempre, não desdenhava da Astrologia. Ele próprio a praticava e, quando um dos seus amigos lhe perguntava por que acreditava em tal &#8220;disparate&#8221;, respondia &#8220;Senhor, eu estudei o assunto. Você não!&#8221; Mais recentemente, o famoso psiquiatra suíço Carl Jung interessou-se bastante pela Astrologia e abordou o assunto nos seus livros. E alguns cientistas modernos de forma alguma riem-se da Astrologia. Têm utilizado métodos de pesquisa para tentar perceber por que razão as crenças da Astrologia parecem ser verdadeiras. E têm descoberto coisas entusiasmantes sobre os diferentes tipos de energia que cada planeta emite, e começam a compreender que a Lua realmente exerce uma poderosa influência sobre os seres vivos. Estas pesquisas podem um dia ajudar a explicar por que razão a Astrologia funciona.</p>
<p>Entretanto, cada vez mais pessoas começam a perceber que o conhecimento astrológico pode ser algo muito útil. Já dissemos aqui que este conhecimento pode ajudar-nos a compreender melhor a nós próprios e aos outros. Em países como a Índia, a Astrologia é usada há milhares de anos para ajudar as pessoas a escolher a pessoa certa para casar, e para seleccionar a melhor altura do ano para casar. Hoje em dia, os psicólogos podem estudar o horóscopo de um paciente para melhor compreender a personalidade daquela pessoa, e algumas empresas começam a utilizar a Astrologia para seleccionar as pessoas mais indicadas para cada tarefa, porque um horóscopo pode mostrar quais as maiores capacidades de cada pessoa.</p>
<p>Uma coisa importante a reter no estudo da Astrologia é que nenhum signo do Zodíaco é melhor ou pior do que outro. É tão bom ser Leão como ser Escorpião, e as pessoas de Virgem têm tantas qualidades especiais como as de Capricórnio ou Gémeos. Cada signo indica dons ou capacidades especiais, embora não existam duas pessoas com qualidades e personalidades exactamente iguais, porque existe uma infinidade de outros aspectos a ter em conta em cada caso particular, como a posição da Lua e dos planetas.</p>
<p>Como podemos aprender mais sobre Astrologia? Algumas universidades americanas ensinam actualmente Astrologia, e um pouco por todo o mundo, é possível aceder a um curso por correspondência, quando não têm possibilidade de estar presentes nas aulas. Existem também muitos livros que podem ser lidos, sobre Astrologia. Alguns deles foram escritos por um autor francês, Michel Gauquelin, que apurou algumas estatísticas fascinantes com o objectivo de provar quão exacta a astrologia pode ser no que respeita à avaliação da personalidade e das capacidades das pessoas. Os livros de Michael Gauquelin, como tantos outros, permitiram a muitas pessoas lançar um novo e sério olhar sobre a Astrologia, e estão disponíveis em bibliotecas e livrarias. Dê-lhes uma olhadela! E não se preocupe se algumas pessoas disserem que a Astrologia é um disparate. Provavelmente não sabem nada sobre ela. No mundo actual, sabemos bastante sobre a construção de coisas como automóveis, frigoríficos e televisores, mas temos tendência a ignorar os grandes mistérios da vida e da morte. As pessoas estão a ganhar consciência disto, e a adquirir um novo interesse em muitos ensinamentos antigos, incluindo a Astrologia.</p>
<p>Existe ainda outra forma de encarar a Astrologia. Os antigos astrólogos acreditavam que todo o universo era um enorme ser vivo, a que chamavam Deus. Acreditavam que cada uma das partes deste universo estava interligada com as restantes, de maneira que, embora por vezes uma pessoa se sentisse sozinha, na realidade não estava. Era antes uma parte deste grande e único ser vivo, independentemente de se chamar Deus, Jesus, Alá, Krishna, Buda, Mitras, ou qualquer outro nome. Os antigos astrólogos acreditavam ainda que este Ser estava em constante evolução, tornando-se cada vez mais perfeito, e que cada ser vivo dentro do universo também evoluía e se aperfeiçoava. Acreditavam que em cada pessoa existe uma chama eterna de vida, que nunca morre, mesmo quando o corpo deixa de ter vida. Essa chama de vida continua a existir, e regressa em muitos corpos diferentes, vida após vida, tornando-se cada vez mais sábia, mais bela e mais perfeita.</p>
<p>Talvez a Astrologia tenha hoje em dia algo para nos oferecer, porque está mais ligada aos valores humanos do que qualquer outra ciência. Pode ajudar-nos a compreender que as nossas vidas têm um propósito. Pode ser que exista alguma verdade nas crenças ancestrais, e que nós e os planetas façamos todos parte de um cosmos unificado. Conhecer um pouco a Astrologia pode ajudar-nos a abrir os olhos para muitas coisas, e a mais importante de todas elas é quem realmente somos interiormente. E talvez seja esse o fulcro central da vida.</p>
<p>Textos retirados de &#8220;Looking at Astrology&#8221;, © Liz Greene 1977<br />
Traduzido por Dora Alexandre</p>
<p>Fonte: www.astro.com/</p>
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		<title>As casas astrológicas</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Aug 2008 22:48:48 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[1ª Casa (Ascendente) – A personalidade individual
Juntamente com o sol e a lua, o ascendente é um dos factores mais importantes num horóscopo. O signo no princípio da primeira casa diz-nos imenso acerca da personalidade de uma pessoa, do seu temperamento e da sua constituição. Tipifica a nossa reacção instintiva e mostra como nos apresentamos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>1ª Casa (Ascendente) – A personalidade individual</strong><br />
Juntamente com o sol e a lua, o ascendente é um dos factores mais importantes num horóscopo. O signo no princípio da primeira casa diz-nos imenso acerca da personalidade de uma pessoa, do seu temperamento e da sua constituição. Tipifica a nossa reacção instintiva e mostra como nos apresentamos ao mundo. O planeta que rege o signo ascendente é de particular importância para a interpretação.</p>
<p><strong>2ª Casa – Valores e Haveres</strong><br />
A segunda casa e os seus ocupantes falam-nos acerca das condições materiais, da necessidade de comprar e da forma como lidamos com os haveres e as coisas materiais. Isto inclui a relação com o nosso próprio corpo.</p>
<p><strong>3ª Casa &#8211; Comunicação</strong><br />
A terceira casa e todos os planetas que a ocupam falam-nos da forma como nós comunicamos na vida diária e das relações que determinam o nosso quotidiano.</p>
<p><strong>4ª Casa – Raízes e Origens</strong><br />
Esta casa descreve a nossa origem, a casa de família e as circunstâncias que influenciam a infância e a juventude. Descreve como nos relacionamos com a &#8220;família&#8221;, a nossa atitude para com &#8220;o lar&#8221;. A figura do pai e a relação com o pai real também é aqui que se encontra.</p>
<p><strong>5ª Casa – Prazer e Criatividade</strong><br />
Esta é a casa da sexualidade e erotismo, mas também da vontade de brincar e todos os tipos de expressão criativa. Esta casa também descreve como nos relacionamos com as crianças, com o prazer e o divertimento.</p>
<p><strong>6ª Casa – Trabalho e Rotina</strong><br />
A sexta casa descreve as circunstâncias que nos rodeiam na nossa vida diária, incluindo o ambiente de trabalho e a rotina. Isto inclui o nosso comportamento para com os subordinados. A higiene e o cuidado com o corpo também aqui se encontram, assim como a tendência para contrair doenças.</p>
<p><strong>7ª Casa &#8211; Relações</strong><br />
O signo descendente e os planetas que ocupam a sétima casa dizem-nos como seleccionamos os nossos parceiros e descreve as associações e relações que nós procuramos. Muitas vezes somos involuntariamente atraídos para pessoas cujos horóscopos têm uma grande ênfase no signo que está na nossa sétima casa.</p>
<p><strong>8ª Casa – Perda e Propriedade Comum</strong><br />
A oitava casa mostra como nos relacionamos com os bens comuns e como lidamos com as perdas materiais. Os impostos que pagamos todos os anos são um bom exemplo disto e mostra como estas áreas estão estreitamente ligadas. A astrologia tradicional defende que esta casa tem uma afinidade com a morte e todas as coisas metafísicas. A morte seria então a perda material última. De entre outras coisas, o estudo da metafísica pode ser uma forma bastante diferente de lidar com esta perda, que inevitavelmente nos espera a todos.</p>
<p><strong>9ª Casa – Filosofia e Países distantes</strong><br />
A nona casa descreve a nossa aprendizagem espiritual, a filosofia de vida e a nossa visão do mundo. Isto é de facto, frequentemente influenciado pelas viagens a países estrangeiros. As atitudes tidas e formadas nesta casa podem influenciar em muito os temas da décima casa. (ver abaixo)</p>
<p><strong>10ª Casa (MC) – Ocupação e Chamamento</strong><br />
Esta casa é de particular importância, já que afecta não só a nossa escolha profissional e o nosso chamamento – é também muito importante para o nosso desenvolvimento em geral, aquilo em que nos tornamos. Isto prolonga-se pela nossa vida fora. De acordo com a tradição, bem como com experiências mais recentes, esta casa descreve a imagem da mãe e a relação com a mãe real.</p>
<p><strong>11ª Casa – Amigos e Conhecidos</strong><br />
A décima primeira casa mostra como nos relacionamos com os amigos, benfeitores e professores – as pessoas que nos querem bem ou com quem podemos aprender. Também nos mostra a nós nesse papel. Esta casa mostra como nos relacionamos com a sociedade em que vivemos.</p>
<p><strong>12ª Casa – Para além do pessoal</strong><br />
Esta casa representa aquelas esferas da vida onde o indivíduo já não representa um papel, onde nós recuamos para um enorme buraco ou nos deixamos cair nele. A astrologia tradicional vê os hospitais, prisões e instituições psiquiátricas nesta casa. Está também associada a mosteiros e outros retiros.</p>
<p>Fonte: www.astro.com/</p>
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		<title>Princípios Junguianos</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Aug 2008 22:33:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sua-mente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O psicólogo suíço e antigo discípulo de Freud, Carl Gustav Jung, interessava-se pelos ensinamentos da alquimia e da astrologia, especialmente nas últimas etapas da sua carreira. As revelações resultantes podem ser encontradas na sua Psicologia Analítica. Esta teoria vai muito mais além dos ensinamentos de Freud.
Freud defende que uma criança nasce como uma &#8220;tábua rasa&#8221; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O psicólogo suíço e antigo discípulo de Freud, Carl Gustav Jung, interessava-se pelos ensinamentos da alquimia e da astrologia, especialmente nas últimas etapas da sua carreira. As revelações resultantes podem ser encontradas na sua Psicologia Analítica. Esta teoria vai muito mais além dos ensinamentos de Freud.</p>
<p>Freud defende que uma criança nasce como uma &#8220;tábua rasa&#8221; e que o seu carácter começa a formar-se a partir do nascimento. Jung, pelo contrário, afirma no seu livro Tipos Psicológicos: A disposição individual é já um factor na infância; é inata e não pode ser adquirida durante o curso da vida.</p>
<p>Toda a teoria astrológica baseia-se neste princípio. Liz Greene, psicoterapeuta Junguiana e astróloga, acredita que a astrologia pode ajudar a descobrir a natureza dessa semente inata. A Astrologia fala-nos não só sobre o Eu que conhecemos mas também sobre aquele que não conhecemos, escreve Liz Greene em &#8220;Relacionamentos&#8221;. O horóscopo, sendo um &#8220;mapa da psique&#8221;, pode apontar para traços do carácter que ainda não se tenham tornado conscientes. Com a sua ajuda podemos conhecer-nos melhor e chegar a um maior entendimento da nossa verdadeira natureza. A Psicologia Analítica de Jung fala de algo muito semelhante: individualização e encontro com o verdadeiro Eu.</p>
<p>Alguns dos princípios Junguianos reflectidos na Astrologia serão descritos nas páginas seguintes. Observaremos os conceitos de &#8220;Sincronismo&#8221;, &#8220;Arquétipos&#8221; e de &#8220;Tipos Psicológicos&#8221;.</p>
<p>Fonte: www.astro.com/</p>
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		<title>Sistemas de Casas</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Aug 2008 22:22:57 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Como referimos anteriormente, as casas astrológicas mostram-nos que certas esferas ou aspectos da vida têm mais peso que outras no horóscopo. Cada casa astrológica representa uma dada esfera. A atribuição das casas num horóscopo varia de pessoa para pessoa, já que é calculada de acordo com a hora de nascimento exacta e a posição geográfica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como referimos anteriormente, as casas astrológicas mostram-nos que certas esferas ou aspectos da vida têm mais peso que outras no horóscopo. Cada casa astrológica representa uma dada esfera. A atribuição das casas num horóscopo varia de pessoa para pessoa, já que é calculada de acordo com a hora de nascimento exacta e a posição geográfica do local de nascimento.</p>
<p>O horóscopo é dividido em dois eixos, em direcção aos hemisférios oriental e ocidental, bem como em direcção aos hemisférios de dia e noite. Os quatro pontos de intercepção destes dois eixos com a eclíptica determinam a divisão das casas do horóscopo. Esta é normalmente baseada numa divisão posterior de cada quadrante em três. Existem vários modelos matemáticos de acordo com os quais as casas são calculadas. Consequentemente existe uma lista bastante longa de diferentes sistemas de casas (Placidus, Regiomontanus, Igual, Vehlow, etc.). A maior parte destes diferem no método de cálculo usado para dividir os quadrantes.</p>
<p>A transição de uma casa para outra não é tão clara como a de um signo para outro. Os planetas que ocupam uma posição perto do fim de uma casa são geralmente interpretados como pertencentes à casa seguinte.</p>
<p>O horizonte<br />
Ascendente e Descendente<br />
O indivíduo e o seu complementar</p>
<p>Este eixo, que divide o horóscopo em um lado ‘superior’(lado-dia) e um ‘inferior’(lado-noite), representa o horizonte local aquando da hora de nascimento. Esse ponto em que o horizonte oriental intercepta a eclíptica é chamado o ascendente. É o princípio ou cúspide da primeira casa. Em oposição a ele, na cúspide da sétima casa, encontramos o descendente. Discutiremos a interpretação das casas nas páginas seguintes. Os planetas que se encontram perto do ascendente no momento do nascimento estão a nascer ou acabaram de nascer, enquanto que os planetas perto do descendente se estão a pôr.</p>
<p>O meridiano &#8211; A Divisão Vertical<br />
Imum Coeli ou Meio do Céu e Medium Coeli ou Fundo do Céu<br />
Origens e Orientação</p>
<p>O Segundo eixo mais importante na divisão de casas é o meridiano. Este divide o horóscopo em oriental (no lado esquerdo do mapa) e o ocidental (no lado direito do mapa). O ponto superior de intercepção deste eixo com a eclíptica é chamado de Imum Coeli (MC) ou meio do céu, o ponto inferior (situado abaixo do horizonte) é chamado de Medium Coeli ou Fundo do Céu (FC). Os planetas próximo do MC ocupam a posição mais alta possível nos céus na hora do nascimento, enquanto que os planetas perto do FC estão, por assim dizer, debaixo dos nossos pés no outro lado da terra.</p>
<p>Fonte: www.astro.com/</p>
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		<title>Horóscopos Harmônicos</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Aug 2008 21:01:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sua-mente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[harmônicos (ou sons concomitantes), os quais estão presentes em cada horóscopo. O zodíaco integral (360º) é tomado como uma tonalidade básica representada pelo número um (1). Utilizando uma vibração elevada, poderíamos “provocar” uma oscilação mais rápida no círculo, por assim dizer, e investigar quais planetas trabalham juntos neste padrão particular. Por exemplo, o quarto harmônico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>harmônicos (ou sons concomitantes), os quais estão presentes em cada horóscopo. O zodíaco integral (360º) é tomado como uma tonalidade básica representada pelo número um (1). Utilizando uma vibração elevada, poderíamos “provocar” uma oscilação mais rápida no círculo, por assim dizer, e investigar quais planetas trabalham juntos neste padrão particular. Por exemplo, o quarto harmônico implicará todos os planetas conectados pelas quadraturas (90º ou a divisão do círculo em quatro partes). Na carta harmônica, estes planetas formam conjunções. O número correspondente a cada “vibração” influencia a interpretação.</p>
<p>Apesar do risco de se cair no simplismo, pode-se dizer que o estudo dos harmônicos ao mesmo tempo em que amplia a teoria dos aspectos diferencia-se enormemente dela.</p>
<p><strong>Simbolismo numérico e aspectos</strong></p>
<p>Os aspectos implicam relações favoráveis, desfavoráveis e ambivalentes entre os planetas. Apesar de a interpretação depender em grande parte da natureza dos planetas envolvidos, essa visão deriva largamente do tradicional simbolismo dos números 1,2,3 e 4. Quando o círculo é dividido pelo número 1, o resultado dá 360º ou 0º, a distância que define uma conjunção. A divisão por 2 resulta-nos em 180º (oposição); a divisão por 3 gera-nos o trígono (120º). Quando o círculo é dividido por 4, obtemos uma quadratura (90º). </p>
<p>O número 1 simboliza a unicidade de todo ser e em conseqüência dois planetas em conjunção convertem-se numa totalidade unificada. O número dois é a separação desta</p>
<p>unicidade em duas polaridades, por exemplo masculino e feminino, superior e inferior, yin e yang etc., provocando uma certa tensão entre opostos. O número 3 simboliza um esforço criativo &#8211; da tese e da antítese nasce uma</p>
<p>síntese. Geralmente, os planetas em trígono estão no mesmo elemento. Conseqüentemente, se apóiam e complementam-se entre si. O número 4 é a matéria, a lei cumprida, aquilo que já foi realizado. Sua correspondente, a</p>
<p>quadratura, é geralmente difícil, um lado obstruindo ao outro, a incapacidade de ceder.</p>
<p><strong>Aspectos menores e Harmônicos</strong></p>
<p>Considerando o exposto, podemos nos perguntar o que é feito da divisão do círculo por outros números, como 5,6,7,8,9 e 10. Chegamos assim aos chamados aspectos menores, o que vale dizer o sextil, a semiquadratura, o semiquartil, o semiquintil ou decil. Entretanto, apenas chega-se a estes aspectos e seus múltiplos por intermédio de cálculos. Para além disso, a interpretação dos aspectos menores não possuem significado tão claro como a dos aspectos maiores.</p>
<p>O uso da técnica dos harmônicos permite, pois, concentrar-se numa pré-determinada divisão do círculo, ao invés de buscar aspectos menores. Assim, a divisão a que submetemos o círculo será a única escolha a ser feita, seja por 5, por 57 ou por 228, e uma delas deve contemplar o significado simbólico do número de escolhas. Ao escolher um número, por exemplo, 36, pode-se calcular um tipo de horóscopo auxiliar, que poderá ser utilizado numa analise posterior.</p>
<p><strong>Harmônicos Aplicados</strong></p>
<p>Ao se empregar a carta harmônica correspondente ao 36, pode-se observar que planetas formam ângulos de 10º (360 ÷ 36= 10) e logo estarão em conjunção. Pode-se por exemplo tomar o número 36 como indicativo da habilidade em resolver facilmente os problemas: 36 = (2 x 2) x (3 x 3), onde a tensão entre opostos e o esforço para se obter uma solução sejam várias vezes multiplicados. Neste caso, a 36ª harmônica poderia nos contar sobre os problemas a serem enfrentados por um indivíduo, bem como a abordagem para solucionà-los da maneira mais fácil. Dentro da 36ª harmônica, pode-se usar os aspectos maiores, pode-se comparar a harmônica com a carta natal, pode-se relacionar os trânsitos às posições harmônicas de eventos etc. Finalmente, a 36ª harmônica pode ter relação com o 36º ano da vida, já que esta será a 36º vez &#8211; o número de vezes em que se completou a jornada ao redor do Sol e o indivíduo será sensível a esta freqüência.</p>
<p>Quando trabalhamos com harmônicos, uma das dificuldades em que se pode esbarrar consiste na determinação do significado específico de cada harmônico; em outras palavras, de descobrir qual é o valor simbólico de cada fator numérico. Na prática, os números são reduzidos aos múltiplos daqueles números ou aspectos cuja interpretação é tida como segura, como o exemplo mencionado. Outro sistema para se chegar ao significado dos altos valores é recorrer às somas cruzadas ou outras práticas matemáticas e numerológicas. Teoricamente, pode-se calcular uma infinita quantidade de horóscopos harmônicos a partir de uma carta natal. Acaba-se debatendo entre recorrer a um vago misticismo numerológico ou trabalhar visando uma sistemática avaliação do tema por meio de estudo comparativo.</p>
<p><strong>Bibliografia</strong></p>
<p>John M. Addey, Harmonics in Astrology, Fowler &#038; Co. Trata-se da mais abrangente obra sobre o tema, com instruções pormenorizadas acerca de cálculos, interpretação e aplicação dos harmônicos.</p>
<p>Michael Harding u. Charles Harvey, Working with Astrology, Arkana 1990, De fácil leitura, o trabalho apresenta uma introdução aos harmônicos com numerosos exemplos práticos. Um excelente manual prático.</p>
<p>David Hamblin, Harmonic Charts, Aquarian Press. John Addey, autor da primeira obra citada, prefacia este livro, sugerindo-o como importante obra sobre o tema.</p>
<p>Tradução para o Português: Maria-Fernanda Alves Guimarães (Brasil)</p>
<p>Fonte: www.astro.com/</p>
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		<title>Uma abordagem psicológica para trânsitos e progressões</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Aug 2008 20:08:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A natureza da predição
Como interpretar trânsitos e progressões dentro de uma perspectiva psicológica? Eu gostaria de começar dizendo que, embora a natureza interna da nossa exploração possa ser clara para qualquer estudante de astrologia que conheça a abordagem psicológica, não estou de forma nenhuma negando o valor e a longa tradição do trabalho preditivo na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A natureza da predição</strong></p>
<p>Como interpretar trânsitos e progressões dentro de uma perspectiva psicológica? Eu gostaria de começar dizendo que, embora a natureza interna da nossa exploração possa ser clara para qualquer estudante de astrologia que conheça a abordagem psicológica, não estou de forma nenhuma negando o valor e a longa tradição do trabalho preditivo na astrologia. Mas as duas noções não são mutuamente excludentes.&#8221;Psicológico&#8221; não significa somente &#8220;interno&#8221;. Já tivemos demandas de prognósticos precisos de um tipo especifico e concreto para fazer de conta que os planetas não estão relacionados tanto com o mundo exterior e interior, ou que é impossível predizer certos tipos de eventos em determinadas ocasiões.</p>
<p>Alguns anos atrás, eu dei um seminário para o Wrekin Trust, que foi transcrito, editado e se transformou num livro chamado &#8220;The Outher Planets and Their Cycles&#8221;. A propósito, enquanto examinava a carta natal da União soviética, eu fiz uma previsão sobre o seu futuro. Foi uma espécie de palpite, eu não tinha nessa época muito conhecimento sobre as sutilezas da astrologia mundial. Minha previsão bastante ingênua era baseada no fato que Plutão se aproximaria lentamente da conjunção do Sol natal da União Soviética em sete anos. Eu havia observado que sempre que um transito poderoso atingia esse Sol em Escorpião, a liderança soviética mudava. Em termos mundiais isto é uma conclusão razoavelmente óbvia e simples, uma vez que o Sol reflete, entre outras coisas, a liderança de uma nação. A razão pela qual eu esperava um colapso em vez de outra típica luta pela liderança é porque a abrangência de Plutão é bastante mais ampla do que a dos outros planetas exteriores. Ele tende e apagar tudo e nada resta da sua forma ou estrutura originais.</p>
<p>Havia outros trânsitos – por exemplo, a conjunção de Urano-Netuno- Saturno no primeiro decanato de Capricórnio – aproximando-se de Vênus da União Soviética na quarta casa – que sugeriam que esse colapso iminente seria como um rompimento matrimonial. Seria ser uma desintegração vinda mais de dentro do que de fora, e os vários países satélites começariam a pedir o divórcio. Isso foi como eu entendi naquele momento, e não havia em 1982 uma indicação dos fatos que estavam por acontecer. Um novo líder surgiria; mas um colapso total era impensável. Portanto, nos sete anos subseqüentes não pensei sobre isso. Então tudo se passou como havia previsto. Existem muitas situações, tanto mundiais quanto pessoais em que os astrólogos podem fazer prognósticos precisos.</p>
<p>Entretanto, focar somente o lado preditivo da astrologia é como o médico que se concentra somente no sintoma físico, sem considerar o indivíduo como um todo e na interação entre corpo e mente. Ao longo dos anos acreditei que uma boa parte do que acreditamos estar predestinado, em termos de trânsitos e progressões, não é, em absoluto, o destino – são os nossos complexos inconscientes atuando.Tanto como indivíduos ou coletivamente, inconscientemente contribuímos para criar ou sermos levados por situações que ativam questões internas – tanto porque nós estivemos evitando-as no passado, ou porque elas estão simplesmente maduras e Kairós, o momento certo, chegou. Seria uma tolice imaginar que todas as situações da vida são uma criação individual, porque muitas não são.</p>
<p>Não se pode dizer que seis milhões de judeus tinham um transito particular ou aspectos progredidos que os levariam aos campos de concentração. É loucura supor tal coisa assim como a recusa da nossa cumplicidade inconsciente quando estes atos de brutalidade acontecem num nível de massa. Existem movimentos coletivos e revoltas, assim como existem desastres naturais tais como inundações e terremotos os quais podem suplantar a escolha, complexos e a vontade individual. Também pode haver outros fatores mais profundos e de ordem espiritual, sobre os quais eu não estou em posição de comentar.</p>
<p>Muitas pessoas do círculo astrológico crêem em Karma. Eu não sou incrédula. Mas eu sinto que tudo é mais complicado do que aquilo que um dia alguém chamou de &#8220;a teoria do ding-dong&#8221; – alguém foi bom ou mau em sua vida passada e portanto será recompensado ou punido na vida atual. Como moralidade é uma coisa profundamente subjetiva e relativa, eu atribuo pouco valor a essas aproximações simplistas com o reino do espírito. Mas deve haver algo que continua através e além de uma simples encarnação mortal, ao qual a herança recebida acumula substancia de acordo com as escolhas feitas em cada vida, e que atua como um imã para o tipo de experiência que atraímos. Isto pode ser o fator acima e além dos esforços conscientes na vida de uma pessoa. Pode haver fatores na herança familiar sobre os quais não se tem controle. Por mais injustos que eles pareçam, nós somos herdeiros dos conflitos e complexos familiares que se cristalizaram através de muitas gerações e estes freqüentemente agem como um tipo de destino. Se esses conflitos permanecem sem solução por muito tempo, nós podemos perder a mobilidade para escolher ou evitar certos eventos, e sem dúvida, qualquer indivíduo possui maior liberdade de escolha se não há um peso acumulado desta herança psicológica.</p>
<p>Assim, há muitos outros fatores além da consciência individual que determinam como trânsitos e progressões serão expressos. No entanto, uma boa parte daquilo que nós supomos ser previsível pode não o ser totalmente, uma vez que a consciência individual começou a expandir os níveis do que nós experimentamos como realidade. Por essa razão eu acredito que necessitamos tentar viver como se tivéssemos a liberdade de trabalhar com nossos trânsitos e progressões num nível psicológico. Nós podemos assim ter espaço para modificar eventos futuros, ou lidar mais criativamente com qualquer coisa que seja a nossa própria criação de acordo com a atuação dos complexos inconscientes. E quanto às coisas sobre as quais não temos realmente nenhuma escolha, nós as identificaremos cedo o bastante e esperançosamente aprender a aceitá-las e viver com as nossas necessidades com o espírito mais tranqüilo.</p>
<p>Um dos principais objetivos em explorar este tema é sugerir que nós podemos ter mais liberdade do que pensamos, em níveis que não estaríamos inicialmente conscientes. Se aprendermos a trabalhar com os movimentos planetários com mais intuição e com uma abordagem menos literal do tipo &#8220;Urano se aproxima de tal ponto e tal e tal acontecerá&#8221; , nós poderíamos descobrir o que Pico della Mirandola quis dizer quando afirmou que os seres humanos são co-criadores com Deus. Tomando literalmente, esse conceito não faz justiça a nós astrólogos. Isto também pode ser totalmente destrutivo, porque há claro, algo como uma profecia auto cumprida. Em função de nossas percepções serem invariavelmente distorcidas por nossos complexos individuais, nós estamos inclinados a interpretar os trânsitos e progressões não de acordo com o que eles podem significar, mas de acordo com o que os nossos complexos dizem que vão fazer conosco. Até o astrólogo mais &#8220;tradicional&#8221; e ortodoxo não é capaz de ser objetivo quando é para prever eventos. Podemos até não estar certos sobre o que um &#8220;evento&#8221; realmente é, uma vez que muito depende de como e quando uma pessoa percebe o que aconteceu. Nossas suposições sobre o futuro são fortemente coloridas por nossa própria psique tanto quanto nossas suposições o são sobre o presente.</p>
<p>A abordagem psicológica para trânsitos e progressões é mais desafiadora que a abordagem literal, pois envolve assumir responsabilidade por aquilo que está simbolizado pelas configurações da carta natal. Isto também requer aprender a trabalhar com técnicas preditivas tradicionais em mais de um nível. Não significa que não há valor em tentar compreender como um movimento planetário afeta o plano material. É tolice ignorar esta dimensão da vida assim como é ignorar a psique. Se alguém tem o Sol progredido fazendo quadratura a Netuno na segunda casa, enquanto Saturno em transito faz conjunção à Netuno natal, não é uma boa idéia fazer uma parceria de negócios com alguém cujas credenciais sejam pouco conhecidas. A aplicação concreta dos princípios astrológicos pode ser de grande valor para nós. Mas sem o respaldo do entendimento psicológico precedendo a interpretação literal, eu acho que podemos muitas vezes, criar o nosso próprio destino, manifestar nossas próprias previsões, e gerar um sofrimento considerável, quando nada disso seria necessário.</p>
<p><strong>Níveis de expressão</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Significado ou teleologia</p>
<p>Gostaria agora de examinar os diferentes níveis nos quais os trânsitos e progressões podem se expressar. Existem três níveis nos quais is movimentos planetários parecem operar. Alguns de vocês podem pensar que são mais de três. Mas como uma visão geral, eu constatei que esta divisão é muito útil. O primeiro nível é aquele que provavelmente interessa ao astrólogo inclinado à espiritualidade – o sentido profundo de um transito ou aspecto progredido particular. Por &#8220;sentido&#8221;, estou me referindo à sua teleologia – seu propósito final em termos da evolução da personalidade, da alma ou de ambos. Alguns de nós que tem uma inclinação religiosa ou espiritual podemos supor que o cosmos tem um tipo de propósito e que há um sentido para as experiências que vão ocorrer na vida um indivíduo. Portanto, os eventos têm um desígnio oculto, uma função educativa, e se nós podemos crescer em função do que acontece conosco, estamos cumprindo algum projeto espiritual ou evolucionário maior.</p>
<p>Ainda que este projeto realmente exista, este é um tema controverso. Entretanto, ainda que possamos estar certos deste objetivo da existência como um padrão mais profundo – que é outro modo de dizer que Deus ou deuses existem – nenhum de nós está na posição de provar isto. De fato, nós podemos projetar uma idéia altamente pessoal de sentido para um universo totalmente arbitrário e desconexo. Mas mesmo se este fosse o caso, em que a experiência da vida de muitas pessoas contém esse sentido ou propósitos inatos, esta convicção, sendo ou não uma projeção, pode ser auto-sustentada. Esta idéia é criativa psicológica e espiritualmente, mesmo que não seja uma &#8220;verdade&#8221; no sentido científico do termo.</p>
<p>Quando nós observamos trânsitos e progressões nesta perspectiva perguntamos a nós mesmos, &#8221; O que eu posso aprender com essa conjunção de Saturno sobre o meu Sol? O que é a progressão de Vênus fazendo uma quadratura sobre o Plutão natal quer me ensinar? O que eu posso descobrir enquanto Urano transita sobre a minha Lua? Qual é o potencial positivo deste Marte progredido fazendo sextil ao Kiron? &#8220;Essa abordagem é uma dimensão extremamente importante de um transito ou aspecto progredido. Embora eu tenha usado o termo &#8220;espiritual&#8221; isto é tão psicológico como uma exploração dos complexos parentais, porque estamos considerando os movimentos planetários em termos de evolução da psique. Nós poderíamos observar este ponto de vista como pertencendo à psicologia transpessoal ou arquetípica, em vez de uma psicologia redutiva. No entanto é uma visão psicológica. Sem esta perspectiva nós estaríamos tratando a astrologia e nós mesmos de forma meramente mecânica.</p>
<p>Alguns astrólogos se concentram somente neste nível e consideram os outros níveis muito negativos ou materialistas.Eles vão examinar um transito de Plutão sobre Kiron natal ou a Vênus progredida quadrando Saturno e eles falarão primeiramente sobre o que eles oferecem em termos de crescimento. Digamos que Saturno em transito vai fazer uma oposição com o Sol natal na quinta casa de alguém. Se nós olhamos esse transito numa perspectiva teleológica, nós podemos falar sobre o desenvolvimento do senso de identidade do indivíduo. Graças a esse transito, alguém poderia obter um senso de identidade mais forte, um sentido de propósito mais claro, e a realização de seus talentos criativos. Os desafios do mundo material podem doer, mas podem finalmente resultar em um compromisso mais profundo com uma particular direção vocacional. Quaisquer eventos que aconteçam, embora difíceis, são significativos para alguém se tornar mais consciente de si mesmo.</p>
<p>A abordagem teleológica em si mesma é geralmente suficiente com bons trânsitos e progressões, como Júpiter em trígono com a Lua, ou o Sol progredido fazendo sextil a Urano. Quando nós experimentamos movimentos planetários harmoniosos, tendemos a nos sentir &#8220;conectados&#8221; a um sentido de propósito cósmico e bondade, e essas interpretações correspondem a como nos sentimos neste momento. O sentido e a resposta emocional para a época do transito ou progressão parecem estar de acordo. Quando aparecem movimentos planetários menos atrativos pode-se interpretá-los em termos de seu potencial. Geralmente essa abordagem pode ser maravilhosamente curadora em meio ao caos, stress e dor.</p>
<p>Podemos ver um verdadeiro pesadelo planetário se aproximar, e vamos perguntar a nós mesmos qual o potencial de crescimento que poderia estar escondido sob todo o stress. É muito importante ter isto em mente e ser capaz de comunicá-lo. Mas também precisamos nos lembrar que, embora por mais profundo e positivo seja o sentido, o indivíduo que está experimentando esses trânsitos e progressões pode não estar em condições de ouvir suas possibilidades evolutivas. Para algumas pessoas, particularmente aqueles que estão acostumadas a ver a realidade de uma perspectiva meramente material ou extrovertida, o sentido mais profundo e o potencial de trânsitos e progressões difíceis pode não estar acessível por um bom tempo. Enquanto elas estão passando pelo transito, podem estar conscientes e aptos para ouvir, nada, a não ser conflito e dor.</p>
<p><strong>2.</strong> Material emocional</p>
<p>Trânsitos e aspectos progredidos também envolvem um nível de expressão emocional. Isto é também psicológico, mas é mais relacionado com as respostas individuais, ambos no nível do sentimento e nos termos dos complexos inconscientes que estão sendo ativados. Tanto o passado quanto o presente estão usualmente envolvidos. Nossas respostas emocionais na época do transito ou aspecto progredido são muito complicados e muito depende do quanto de auto conhecimento nós já adquirimos, o quão forte é o ego, que tipo de controle nós exercemos sobre os sentimentos quando eles estão ativados e quanto nós sabemos sobre os nossos complexos parentais.</p>
<p>As experiências do passado são quase invariavelmente ativadas por algum transito ou progressão, especialmente se um transito similar ou progressão aconteceu no passado e nós precisamos considerar que tipo de memórias e associações nós acumulamos sob sucessivos movimentos planetários sobre um ponto natal particular.Também uma experiência pode ser muito positiva e produtiva em significado, e por sua própria natureza pode exigir sofrimento como parte do processo.Todos esses fatores se situam no nível emocional e por causa disso, a resposta emocional ao transito pode ser imensamente diferente de sua teleologia.</p>
<p>Pode parecer que não há nenhuma relação entre o significado de um transito ou aspecto progredido e a maneira como alguém se sente se comporta nesse período. O astrólogo, sem falar do cliente, pode ficar bastante confuso com isso. Eu tenho visto trânsitos maravilhosos de Júpiter chegando que parecem ser qualquer coisa menos maravilhosos nesse período. Nós tendemos a nos sentar e cheios de esperança ficar pensando: &#8220;Que esplendido, algo fantástico estará chegando para mim quando Júpiter fizer conjunção ao meu Sol&#8221;. Algo maravilhoso pode realmente acontecer dentro da perspectiva teleológica, mas o que acontece na vida real pode ser um pesadelo no plano emocional.</p>
<p>Por exemplo, uma pessoa que tem muito elemento terra, muitos planetas em Touro, e um Saturno forte, com uma forte necessidade de estrutura e estabilidade, que tem sido casada por 23 anos e tem três crianças, dois carros, um emprego seguro e grande casa hipotecada, e quando Vênus progredido chega no Júpiter natal na quinta casa, o resultado disto pode ser qualquer coisa menos maravilhoso no nível emocional e material. Nós astrólogos sabemos que a abertura do coração que essa progressão pode refletir pode ser justamente o que a pessoa precisa. Mas, no entanto, o que ele vai dizer à sua esposa? E ele pode pagar as custas do processo?</p>
<p>Muito depende de como o indivíduo está vivendo a sua vida e se ele está em contato com as diferentes configurações de sua carta natal. É improvável que alguns de nós possa alegar estar totalmente em contato com tudo o que está dentro de nós, portanto é uma questão de grau de inconsciência. Se uma pessoa se casou cedo por razões sociais ou de segurança, e se os talentos potenciais da quinta casa têm sido cruelmente reprimidos, este aspecto progredido pode liberar um grande conflito e sofrimento. A pessoa pode ficar apaixonada por alguém que não é sua ou seu cônjuge, e então terá que encarar as conseqüências. Às vezes é o cônjuge que ativa o Júpiter renegado. Não é incomum ver este tipo de experiência aparentemente delegada nas cartas dos clientes, ou em nossas próprias cartas. Alguém se senta e espera a Princesa ou Príncipe Encantado chegar e ao contrário, quando Urano em transito atinge a Vênus, é o parceiro que dá no pé. Porque somos tão relutantes para entender quão poderosamente a psique inconsciente afeta a maneira pela qual o transito ou a progressão se expressam?</p>
<p>Às vezes pode haver uma experiência de grande depressão com um transito aparentemente feliz. Eu tenho visto isto freqüentemente quando estão envolvidos os chamados planetas Benéficos. Júpiter chega no Sol natal de alguém, ou o Sol progredido faz conjunção à Vênus e o astrólogo presume que se iniciou uma fase de felicidade e plenitude. Em vez disso, a pessoa mergulha num buraco negro. Conflitos podem ser ativados por uma experiência feliz, refletindo profundos e enraizados sentimentos de culpa relacionados aos pais. Ou pode ser que Júpiter nos faça ficar cientes de potenciais não vividos que podem exacerbar sentimentos de fracasso. Se nós estamos cristalizados numa postura rígida na qual temos cortado todas as pontes para possibilidades futuras, nós podemos perguntar a nós mesmos: &#8220;Qual o sentido da vida?&#8221; Júpiter pode estar conectado com depressão profunda porque o espaço entre nossos potenciais e a nossa situação presente pode ser revelado como uma verdade dolorosa num momento sombrio, e esse espaço pode nos deixar envergonhados por termos desperdiçado nossas vidas.</p>
<p>Assim, a resposta emocional a um transito ou aspecto progredido pode ser muito diferente em seu significado. Nós precisamos ser capazes de nos comunicarmos com o cliente que está num estado emocional doloroso, que guarda pouca semelhança com aquilo que entendemos como a teleologia do transito ou progressão. Podemos estar tão seguros do significado de um movimento planetário particular, que esquecemos que a pessoa pode não sentir desta forma absolutamente. Ele ou ela podem estar muito assustados com o que está acontecendo, ainda que no nível teleológico esteja sendo transformador. Nós podemos saber que o resultado final será positivo, mas o cliente pode não sentir assim. E se nós não podemos nos relacionar com a situação emocional do cliente, e explorar algum tema psicológico pessoal que venha a ajudá-lo a achar um caminho através de um significado mais profundo, então todas as nossas esclarecedoras interpretações acabarão soando de forma confusa e sem sentido.</p>
<p>Um nível sem o outro é incompleto. É muito importante entender como as pessoas se sentem sob trânsitos difíceis. Muitos trânsitos são muito dolorosos e é estúpido e de pouco alcance supor que eles não sejam, ou que alguém deveria sentir-se otimista. Se alguém com a Vênus progredida em quadratura com Kiron natal está sentada e dizendo &#8220;eu sou miserável&#8221;, não deveríamos responder dizendo: &#8221; Bobagem, você deveria sentir-se positivo e entusiasmado porque esse é um tempo de cura&#8221;. Nós podemos certamente falar sobre cura, mas também precisamos empatizar com o sentido de isolamento, inferioridade e o tratamento injusto que a pessoa provavelmente está experimentando, e então nós poderemos fazer comentários inteligentes sobre porque ele ou ela estarem se sentindo daquela maneira. Nós talvez precisássemos falar sobre o passado, especialmente nos períodos em que Kiron foi ativado por trânsitos importantes ou aspectos progredidos. As emoções que acompanham profundas mudanças internas muitas vezes são extremamente desconfortáveis.</p>
<p>De algum modo este é o mais complexo dos três níveis de expressão, porque nós somos confrontados com o mistério da consciência individual. A realidade emocional é a cola que existe entre o nível do significado e o nível da manifestação. E é também a área na qual nós temos alguma oportunidade de exercitar a liberdade da escolha individual. Com o tempo a questão psicológica está tão solidificada que deve ser expressa de forma concreta, nós podemos somente planejar o futuro, mas não podemos desfazer o que foi tricotado na realidade do presente. Este é realmente terreno que foi denominado por Jung e Hillman como alma, e que é a mediadora entre o espírito e a matéria.</p>
<p>Uma pessoa que tenha Saturno em transito fazendo oposição ao sol natal, que tem em termos de teleologia uma oportunidade soberba de aumentar o senso de identidade pessoal, pode estar profundamente deprimida e insegura. Ele ou ela podem sentir-se fracassados e todas as conquistas do passado podem parecer sem valor. Temas parentais podem vir para a superfície, particularmente aqueles relacionados com o pai e o complexo paterno. Os desafios deste transito podem não ser percebidos como desafios, mas como vitimização. Questões sobre as bases da identidade pessoal podem ter que ser suscitadas e algumas atitudes e suposições sobre a vida precisam ser esclarecidas antes que uma visão do mundo mais saudável possa crescer sem seu lugar. A relação com o masculino – dentro de si mesmo e o homem na vida de alguém – podem ter que sofrer uma completa reavaliação. Há muitas coisas que as pessoas podem sentir sob o transito de Saturno em oposição ao Sol que não são prazerosas, e quando as pessoas se sentem mal, elas querem saber se o astrólogo pode reconhecer a sua infelicidade e ajudá-los a entender seus fundamentos. O astrólogo com uma inclinação mais espiritual poderia precisar de experiência em psicoterapia para trabalhar neste nível.</p>
<p><strong>3.</strong> Materialização</p>
<p>O terceiro nível dos trânsitos e progressões é o nível da materialização. É nesta esfera que muitas abordagens astrológicas antigas, mas não todas, concentram o seu foco. Trabalhando neste nível, o astrólogo primeiramente se preocupa com o que vai acontecer no mundo material sob um determinado transito ou aspecto progredido. Esta abordagem parece ser simples, mas é realmente bastante complexa. Há muitas questões internas e externas que podem dizer se o movimento planetário vai se materializar no nível concreto, e de que maneira. Outro fator importante são os complexos individuais, os quais têm a tendência de materializar se eles são muito carregados e dissociados da consciência do ego. Se existe algo como karma, isto também pode ser um fator; e a herança familiar, genética e psicológica também são relevantes. E não deveríamos negligenciar a importância do ambiente, especialmente a predominância das atitudes sociais e visões de mundo, porque o individuo está sempre circunscrito, em maior ou menor medida pelo coletivo do qual ele faz parte.</p>
<p>Pode haver também um destino em cada existência – algo que a alma ou o Self pode desejar cumprir no decorrer de uma vida particular. No pensamento da filosofia grega haviam dois tipos de destino afetando o individuo, as erínias e o daimon. O primeiro poderia ser grosseiramente equiparado à herança ancestral, e o último com o destino ou propósito da alma. E pode haver também um destino coletivo – nações e povos inteiros podem ter um destino especifico em termos de evolução humana, e uma herança ancestral especifica. Como indivíduos, nós às vezes somos pegos em movimentos que são muito maiores que nós, porque somos parte de uma humanidade maior, que por sua vez está sintonizada com os ciclos planetários. Portanto, nós compartilhamos as vicissitudes desta humanidade maior, e temos que dar conta da bagagem psicológica que herdamos da nossa origem racial, religiosa, social e nacional.</p>
<p>Há questões filosóficas sobre as quais cada um de vocês tem suas próprias crenças e convicções individuais, Eu estou mencionando-as porque elas podem ser fatores na materialização dos trânsitos e progressões. De todas as áreas que eu tenho mencionado, a única na qual podemos ser realmente eficazes como indivíduos é a esfera dos nossos complexos inconscientes. Nossa habilidade para reconhecer, conter, trabalhar com eles e transformá-los poderia realmente afetar o coletivo do qual fazemos parte. Isto pode até afetar o nosso &#8220;karma&#8221;. Antes da previsão de algum evento está sempre o individuo ou o grupo deles. No final somos forçados a voltar para nossos próprios jardins para contemplar o que está crescendo lá, se desejamos entender porque e que tipo de eventos são prováveis de nos acontecer.</p>
<p><strong>Quando ocorre um evento?</strong></p>
<p>Há uma outra questão importante sobre a materialização dos trânsitos, progressões e previsão de eventos. Ao considerarmos o momento em que algo vai acontecer, entramos numa área de tensão do que constitui em evento, e estamos num terreno muito misterioso. Eu darei um exemplo do quão complicado isto pode ser.</p>
<p>Recentemente eu tive uma segunda sessão com uma cliente que veio me ver a primeira vez há anos atrás. Eu não tinha ouvido nada sobre ela desde então. Eu notei que Plutão em transito estava agora se aproximando de Kiron na sua quarta casa a 5º de Sagitário. Isto revelou que, alguns anos antes, seu pai havia morrido. Minha cliente contou-me que quando ele morreu, não fez nenhum sentido para ela. Era aparentemente um não-evento. Ela não tinha tido um relacionamento íntimo com ele. Ela acreditava que pouco sentia por ele e portanto, quando ele morreu, era como se nada houvesse acontecido, pois ele não tinha sido presente.<br />
Isto foi como ela colocou as coisas. Nós havíamos discutido a relação com seu pai durante a nossa primeira sessão, e suas percepções não haviam mudado desde então. Eu não estou inclinada a ver o lugar de Kiron como uma área da vida onde o individuo não sente nada. Mas minha cliente estava convencida que era este o caso, e foi aí que terminou a discussão sobre seu pai.</p>
<p>A razão pela qual ela veio me ver numa segunda sessão foi que ela estava muito aborrecida com seu cunhado, que estava doente. Ele havia desenvolvido pequenos tumores malignos, e embora os médicos tivessem operado e removido-os, novos tumores estavam crescendo, e ela tinha medo de que ele pudesse morrer. O que ela não podia entender era que, embora ela não fosse próxima de seu cunhado, a idéia da sua morte encheu-a de um terror cego. Contemplar a morte de qualquer outro, inclusive seu marido ( ela havia se casado quando a vi pela ultima vez), não evocava nela uma resposta tão drástica.</p>
<p>Por alguma razão o papel que esse cunhado exerceu em sua vida foi maior do que ela havia pensado. Ela o via raramente. Eles tiveram um relacionamento amigável, mas ela não era muito próxima à irmã casada com ele, e tampouco tinha tido fantasias eróticas com ele. Ela não podia entender porquê estava agora neste estado de extrema ansiedade com a mera idéia que este homem poderia deixar a sua vida. Ela chamou seu estado de &#8220;obsessão irracional&#8221;, o que realmente era. Nós poderíamos observar que junto ao transito de Plutão conjunção ao Kiron, Netuno em transito estava passando e repassando sobre o seu Sol natal.</p>
<p>Gradualmente ficou mais evidente que o evento real que sustentava a sua ansiedade foi a morte de seu pai. Isto poderia soar estranho pois ele já havia morrido, mas no nível interno ele não havia morrido em absoluto. Não houve sofrimento, nem separação emocional, e nenhum sentido de perda no momento da morte real. No entanto, a presença de Kiron na quarta casa combinada com um trígono de Sol e Júpiter, sugeriu a mim que existiam sentimentos muito ambivalentes relativos ao seu pai, extremamente positivos tanto quanto dolorosos, os quais haviam sido totalmente reprimidos. Esta senhora tinha o hábito de reprimir todos os sentimentos. Embora fosse muito inteligente, tinha um curioso vazio, como se tivesse a cabeça oca.</p>
<p>A morte real pareceu estar coincidindo com o transito de Plutão se aproximando de Kiron natal, quatro ou cinco anos depois da morte física de seu pai. O cunhado da minha cliente preencheu o papel de pai para ela. Seu Saturno no 22º de Câncer estava em oposição exata ao Sol natal dela no 22º de Capricórnio. Ele evidentemente sentiu-se profundamente responsável por ela, embora a visse pouco e ela respondia as suas qualidades saturninas como uma filha deveria. Ela podia confiar nele; ele a fazia sentir-se segura. Ele estava sempre na retaguarda. Ele era extremamente estável. Ela sabia que se tivesse algum problema, poderia contar com ele, financeiramente ou emocionalmente. Ela nunca exercitou essa opção, mas sabia que ele estaria lá se ela precisasse dele. Ela projetou nele sentimentos inconscientes de natureza infantil que eram associados ao pai verdadeiro, com o qual ela claramente tinha tido uma relação dolorosa e complicada e que havia negado durante a sua vida adulta.</p>
<p>Se nós tentássemos prever os eventos sugeridos pelo transito de Plutão sobre Kiron na quarta casa poderíamos dizer: &#8221; Ela vai mudar de casa ou emigrar. Ou talvez ela vá se divorciar&#8221;. Ou se fossemos um pouco mais atrevidos, poderíamos dizer &#8220;aqui está a morte de um dos seus pais, e isto pode despertar sentimentos muito dolorosos e confusos&#8221;. A morte de seu pai é certamente uma possível expressão deste transito, especialmente se levarmos em conta a conjunção de Netuno em transito sobre o seu Sol natal. Mas como o pai pode morrer se ele já morreu?</p>
<p>Para minha cliente, o evento da morte do pai está acontecendo agora. Esta é a sua realidade, embora possa não ser a sua ou a minha. Essa morte e os sentimentos dolorosos que a acompanham não têm nada a ver com o pai de carne e osso colocado dentro de seu caixão. Agora, pela primeira vez, minha cliente está encarando o medo, o pânico e a dor que ela negou quando seu pai real se foi. Ela concentrou seus sentimentos num homem que não era realmente a pessoa pela qual ela tinha sentimentos. Seu cunhado é um substituto, um gancho para o seu complexo paterno inconsciente. Saber se o cunhado vai morrer não está claro pelo transito. Em certo sentido isto sequer é relevante. É a possibilidade de sua morte que evocou uma reação tão poderosa. Nós poderíamos dizer que a sua morte está sincronizada com a maturidade do complexo paterno que agora está pronto para se tornar consciente.</p>
<p>Este tipo de deslocamento de eventos internos e externos perturba nossas noções daquilo que definimos como realidade. Um acontecimento no sentido que ele reflete um transito ou aspecto progredido, pode não ser exatamente aquilo que pensamos que é, porque o tempo em que coisas concretas acontecem a uma pessoa, pode não ser o verdadeiro reflexo de quando elas acontecem internamente. Nosso reconhecimento emocional do envolvimento com os acontecimentos em nossa vida são aquilo que fazem o evento ser real. Lembramos do impacto que nos causou, e o impacto pode não acontecer no período do evento físico. Este breve exemplo que dei não é incomum. O tempo em que as coisas ocorrem não é sempre o mesmo quando elas ocorrem fisicamente. É por isso que os eventos materiais podem acontecer com uma inexplicável falta de trânsitos e progressões relevantes, mesmo que estejamos esperando que algo importante aconteça na carta.</p>
<p>Como outro exemplo, vamos considerar o fim de um relacionamento. Quando ele acontece? Quando duas pessoas se separam? Esse não é obviamente o caso, nem mesmo quando a morte é a causa da separação. Para muitas pessoas a relação ainda está viva e cheia de força anos depois de separação física, e um parceiro pode estar bravo e muito infeliz, incapaz de se recuperar da perda, mesmo que o parceiro tenha partido há muito tempo. Isto é particularmente trágico e comovente quando um pai perde seu filho e não pode processar a perda. O quarto da criança pode ser preservado como um museu, nada pode ser trocado ou sair do lugar, e a sua volta é esperada a qualquer momento. Isto também pode acontecer com casais divorciados. A fotografia do ex-parceiro nunca é tirada do aparador, e não é permitido a um novo amor sentar-se na poltrona favorita do velho amor.</p>
<p>É comum as pessoas serem pouco conscientes disso, e ficarem chocadas com suas reações violentas quando alguns anos mais tarde, a ex-mulher ou o ex-marido casam-se novamente. O inferno todo desaba, embora o parceiro desaparecido tivesse sido colocado no gelo num compartimento secreto da alma. Embora ele ou ela tenham ido fisicamente, a amada presença ainda está internamente ali, e quando o ex-parceiro assume um compromisso, toda a dor e medo são experimentados como se a separação tivesse acabado de acontecer. De fato, ela acabou de acontecer, embora no plano concreto isso aconteceu há anos atrás. Isto pode acontecer quando vemos Vênus progredida conjunção à Plutão, ou Saturno transitando sobre Vênus, ou Urano em transito fazendo oposição à Lua na sétima casa.</p>
<p>Quando as relações acabam, o fim pode ser só para um daquele casal. Às vezes os relacionamentos também terminam antes de seu fim real. O casal continua vivendo juntos toda uma vida, mas a vida deixou a relação dois, dez ou trinta anos atrás. Isto pode estar refletido por um transito ou aspecto progredido relevante, mesmo que não haja um evento físico. Movimentos na carta podem descrever o fim de algo, mas não há um final visível, nenhum evento concreto. Ou o transito ou aspecto progredido relevante pode descrever o fim de algo muito tempo depois de alguém dizer &#8220;Oh, isso acabou anos atrás&#8221;. Finais, tanto quanto começos, são questões altamente pessoais. Pessoas diferentes têm diferentes dimensões de tempo para processar os acontecimentos. Alguns eventos que nada significam para uma pessoa, muito significam para outra. A morte em si mesma tem diferentes significados para diferentes pessoas, e alguém pode ficar cheio de raiva e terror e negar sua doença fatal até o final, enquanto a outra está pacificamente resignada à morte como um rito de passagem anos antes de sua passagem real.</p>
<p>A percepção de um evento – seu tempo, seu significado e a interpretação que damos a ele – é descrita por um sincronismo do transito ou progressão, e portanto os &#8220;eventos&#8221; descritos pelos movimentos planetários são aqueles que ocorrem na psique. Um evento externo em si mesmo pode não ser relevante para um indivíduo. Se alguém tem um poderoso transito ou aspecto progredido, o evento pode ter grande significado e causar uma reviravolta na vida da pessoa; mas se o mesmo evento ocorre em outro momento, quando não há uma concordância tão poderosa dos aspectos, isto é experimentado de forma inteiramente diferente e poderá não ser sentido como &#8220;importante&#8221;.</p>
<p>O acontecimento em si não é tão importante como uma entidade objetiva. Mas aquilo que alguém experimenta internamente acrescenta importância e sentido ao evento, de acordo com o transito ou progressão que coincidem com ele. Sei que isto é uma coisa difícil de captar, porque nossa forma habitual de interpretar a realidade é que qualquer coisa que aconteça &#8220;lá fora&#8221; seja objetiva. A manifestação física pode ser objetiva ( embora isto seja também questionável) , mas não a maneira como nós a percebemos. É muito perturbador explorar caminhos nos quais nossas percepções podem colorir o que é &#8220;lá fora&#8221;. E nossas percepções são aquilo que o horóscopo descreve, incluindo trânsitos e progressões sobre os pontos da carta natal. Quando Saturno em transito está sobre a Lua, estamos predispostos a perceber e responder às situações de uma certa maneira, o que é muito mais realista e negativo do que o transito de Netuno sobre a Lua. Quando Urano transita sobre Mercúrio nós percebemos a verdade de forma bem diferente do que percebemos no transito de Kiron sobre Mercúrio. Quando Júpiter transita sobre Vênus, experimentamos as pessoas diferentemente do que num transito de Plutão sobre Vênus. São as pessoas que mudaram ou somos nós? E se realmente são as pessoas, podem as nossas mudanças de percepções influenciar no tipo de pessoas que atraímos, assim como as atitudes que elas têm conosco?</p>
<p>Se a separação ocorre durante um transito de Urano trígono Vênus, nós teremos um sentimento bastante diferente daquele que acontece sob um transito de Plutão oposição à Vênus. Aos olhos alheios, o evento parece ser o mesmo. Joe Bloggs deixou a sua mulher e fugiu com a sua secretária de dezoito anos. Mas a mulher de Joe tem Urano trígono Vênus nesse momento, e ela provavelmente lançará um suspiro de alívio por livrar-se dele e sentir-se finalmente livre. Se ela tem uma oposição de Plutão de Vênus, a coisa mais amarga de toda a situação será a traição. Se a Vênus progredida faz oposição à Netuno, ela pode sentir-se vitimizada. Se Saturno em transito faz uma quadratura a Vênus ela pode ficar preocupada com a sobrevivência material e se consumir em sentimentos de inferioridade perante a rejeição humilhante.</p>
<p>Não devemos nunca subestimar a importância da dimensão subjetiva dos eventos. Como o acontecimento é sentido, como ele é entendido e percebido, e quando isto registra a realidade será totalmente diferente de acordo com o &#8220;clima&#8221; astrológico, assim como a carta natal, porque o individuo está recebendo o evento de uma forma individual. Isto complica nossas definições sobre aquilo que constitui um evento. O nível pode variar muito assim como o momento. E o acontecimento sugerido por um movimento planetário particular pode estar ou não conectado com o acontecimento físico.</p>
<p>As coisas se tornam mais complicadas quando consideramos os planetas lentos. Eles podem permanecer próximos aos aspectos da carta natal por dois ou três anos, e, no caso de Plutão ainda por mais tempo, movendo-se para trás e para frente, mudando a sua direção com seus movimentos direto e retrogrado. Uma série de eventos aparentemente desconectados pode ocorrer durante o transito dos planetas exteriores, e esses acontecimentos poderão ser percebidos através da lente colorida por uma tinta especial relacionada a esse transito. Por isso todos os eventos que acontecem neste período podem ter um sentimento ou significado similar.</p>
<p>Se esses mesmos eventos acontecessem em outra época, eles não seriam experimentados da mesma forma. Eles poderiam ser vistos de forma aleatória. Não poderíamos dizer, &#8220;Ah, aqui existe uma conexão entre a morte de meu pai dois anos atrás, a disputa que tive com meu patrão no ano passado, e o novo romance que comecei este mês; tudo faz parte do mesmo pacote&#8221;. É o transito ou a progressão que reflete o sentido de coincidência, não os eventos em si. Temos especialmente a tendência de lembrar de períodos em nossas vidas, em vez de lembrar um tema especifico após o outro, e o sentido de ter vivido uma época especifica colorida por certos tipos de acontecimentos é profundamente subjetivo e conectado com trânsitos e progressões dominantes naquela época.</p>
<p>Temos que ser muito cuidadosos quando tentamos definir um evento, porque quanto mais de perto nós o olhamos, mais subjetivo ele fica. Uma observação de aspectos da época da morte de um individuo é um vívido exemplo disso. Com isso quero dizer que são importantes não somente os aspectos que aparecem na carta da pessoa que morre, mas também aqueles que ocorrem nas cartas daqueles que são próximos à ela. Nós podemos pensar que a morte é um evento terrivelmente especifico, que ocorre num momento particular, e então temos que levantar a carta para esse momento preciso. Mas nenhum astrólogo pode sustentar com êxito uma típica &#8220;assinatura da morte&#8221; – isto é diferente em cada carta natal. E se os aspectos vão se formando, às vezes por muitos anos, isto pode ser relevante tanto quanto aqueles que acontecem num momento preciso. É possível que algumas mortes realmente aconteçam num plano interno, bem antes da morte real e estejam refletindo algo interno de um individuo que &#8220;entregou os pontos&#8221;.</p>
<p>Tentar compreender o sentido da materialização dos trânsitos e progressões significa que devemos ter em mente os três níveis de expressão, incluindo os níveis emocional e teleológico. Esses dois últimos têm influencia direta na realidade dos eventos. Não só os três níveis são relevantes, mas é sábio lembrar toda a complexidade dos níveis. Somente quando nós temos um grande quadro do que está acontecendo nós podemos de forma responsável dizer, &#8220;há uma possibilidade de tal e tal acontecer&#8221;. Sem essa visão maior, nós estamos atirando dardos de olhos vendados. Podemos ter o alvo preciso, mas também podemos também ferir alguém nos olhos.</p>
<p>Disponivel como livro (em inglês):<br />
Liz Greene:<br />
&#8220;The Horoscope in Manifestation&#8221;<br />
CPA Press, London, 1997.</p>
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