PNL Trans-pessoal, um Caminho ao Essencial

Gustavo Bertolotto

A Programação Neurolingüística foi descrita desde a sua origem como sendo um conjunto de técnicas que ajudam o ser humano a conhecer como a sua mente funciona. Esta definição é por si limitada e inexata porque, entre seus esforços iniciais, está o de compreender a continua relação corpo-mente e, nos desenvolvimentos posteriores, realizados muitos deles por Robert Dilts, inclui o trans-pessoal/espiritual dentro do Modelo dos níveis neurológicos

Entretanto, dentro das chamadas pré-suposições operativas, que constituem o que podemos chamar “as bases epistemológicas” de atuação da PNL. tradicional, a inclusão do Trans-pessoal brilha por sua ausência. Estas pré-suposições marcam os limites daquilo com o que podemos trabalhar e nos aproximar de qual podemos pensar. Essa ausência reflete as limitações que têm a PNL. para modelar tudo aquilo que foge do conceito tradicional de mente-pensamento, no que está implícito um Modelo de realidade que desconhece o transcendental, ou que embora o mencione, não sabe integrá-lo em seu estudo e processos.

Desde esta limitação inicial, é totalmente normal e compreensível que as técnicas, modelos e ferramentas projetadas pela PNL. para compreender e modelar os níveis neurológicos mais profundos do ser humano (crenças, valores, identidade e espiritualidade) eram insuficientes.

Como exemplo, podemos mencionar uma limitação e incongruência que qualquer pessoa que tenha praticado PNL. pode corroborar: os Valores e Crenças eram considerados “coisas ou objetos”, como algo estático, não um processo. Ou o que dá no mesmo, através de uma nominalização, um dos fundamentos básicos do Meta-modelo, base e origem da PNL. já que foi o primeiro que Bandler e Grinder formularam.Tratávamos a crença como se fosse um estado e nos ensinavam a mudá-la??? Fazendo modificações espaciais e de sub-modalidades.

Para que o dito não fique como uma crítica fácil e insubstancial, podemos uni-lo com outra das insistências básicas da PNL. tradicional, que é a de especificar muito os Objetivos e esquecer de que o ser humano é um sistema holístico e que, como tal, tem uma orientação básica à qual o inconsciente nos leva constantemente e que é a que utilizava Milton Erickson para realizar “mágicas” mudanças em seus pacientes. Já em 1980, Richard Bandler falava em seus seminários, e está mencionado em seu livro “Use sua cabeça… para variar”, que depois de modelar Erickson ele tinha compreendido que “o cérebro pensa em direções, não em objetivos” e que a direção implica movimento, ou seja, que me mexo me afastando de algo e me aproximando de outra coisa.

Disto se desprende que por mais bem especificado que seja um Objetivo, se não está enquadrado na Direção na qual o inconsciente dirige a nossa atenção, teremos que utilizar muita “força de vontade” (desgastante) para consegui-lo, correndo um outro risco importante: se o Objetivo não for congruente com a Direção, ao consegui-lo, irá se transformar em alguma dessas conquistas que em muito pouco tempo não saberemos para que a queríamos e que se transforma em um estorvo, em uma “batata quente” que nos queima nas mãos.

E agora vem a pergunta chave que fecha este enigma cibernético: Como se especifica ou determina a nossa Direção? e a resposta é: por meio de processos através dos quais valorizamos o que está acontecendo e o que desejamos, e isto, por sua vez, está relacionado com o processo de Identidade, através do qual nos identificamos com determinados aspectos que geram prazer ou que, mesmo que causem sofrimento, podemos enquadrá-los como que nos afastam do que já não queremos para nós e nos aproximam daquilo que desejamos. Daí o erro e as dificuldades que surgem de tratar os valores, crenças e identidade como algo estático e sem movimento.

A partir destas conclusões, qualquer praticante da PNL. percebe que dentro da Direção na qual nos movemos, também está implícito, e em alguns de nós de uma forma muito importante, o sentido espiritual da nossa vida e as repercussões sistêmicas dos nossos atos e pensamentos, pelo que se faz imprescindível encontrar ferramentas com as quais modelar o aspecto Trans-pessoal e incorporá-lo à proposta da PNL.

Estas idéias iniciais nos levaram a revisar outros aspectos da PNL. tradicional e a realizar muitas reformulações que no contexto deste artigo seriam muito longas de enumerar e que se enquadram nos avanços mais recentes da Teoria de Sistemas, a Física Quântica e a Biologia do Conhecimento, que têm como uma de suas Pressuposições Básicas a seguinte: “a complexidade efetiva de um sistema observado tem a ver mais com as limitações particulares do observador do que com as propriedades do sistema observado”.

Fica evidente que neste enfoque Trans-pessoal da PNL. demos mais importância a conhecer as nossas limitações particulares do que a aprender um conjunto de técnicas, que a maior parte da formação em PNL. estava se limitando, pelo menos na Espanha, e também que a mencionada Pressuposição implica que alguém que não tenha essa orientação Trans-pessoal integrada na sua vida, tem muita probabilidade de não reconhecê-la nos demais e em ignorar a sua importância e as repercussões para essas pessoas.

Na nossa proposta, entendemos por Trans-pessoal tudo aquilo que está além da máscara (pessoa) que habitualmente colocamos para nos conectarmos com os demais e o mundo que nos cerca. Acreditamos que se nos restringíssemos a estudar esse conceito limitador da personalidade, estaríamos enfrentando o fracasso, porque esqueceríamos que somos algo mais do que máscara e individualidade separada dos demais.

As novas compreensões do ser humano nos fazem entender que cada um de nós é como a célula de um grande corpo que chamamos Humanidade. Conhecer o melhor possível as nossas capacidades para poder realizar da maneira mais adequada as funções que nos têm sido encomendadas como célula do órgão no qual vivemos, poderia ser a responsabilidade de sermos humanos. Isso é possível se, ao mesmo tempo que temos consciência da parte, somos capazes de perceber que o todo também está refletido e vivo em nós.

Estes dois aspectos, “aparentemente opostos e necessariamente complementários”, são os que dão sentido à palavra Trans-pessoal, aquilo que é mais do que nós e que ao mesmo tempo é a própria pessoa.

Outra maneira de pensar sobre nós mesmos é que somos um Universo. Esta palavra significa compreender e transformar o múltiplo, o diverso, em um princípio único em que tudo se relaciona de inúmeras formas. A ciência tradicional está ajudando a conhecer as leis que regem o nosso Universo, e a cada dia se estabelecem novas teorias que nos ajudam a criar Modelos para compreender melhor os inter-relacionamentos existentes entre os aspectos díspares e, muitas vezes, aparentemente contraditórios, que até o momento conhecemos nos espaços infinitos.

Dentro dos Modelos mais conhecidos e que mais nos ajudaram a compreender as leis universais estão o de Newton e o de Einstein. Suas teorias, com todo o avanço que representaram em seu momento, hoje estão, em grande parte, superadas e incluídas no Modelo da Física Quântica, que propõe a existência de quantuns energéticos que dão origem à matéria e a tudo o que existe.

Estes vários aspectos que nos formam (na PNL. são chamados de níveis neurológicos) podem ser estudados separadamente, se isso ajuda à compreensão, mas não pode ser entendido sem a relação com os demais aspectos internos e externos, com o risco de cair novamente na separação especializada, tão presente em muitos aspectos da ciência tradicional. Um exemplo disto, que todos nós conhecemos e algumas vezes temos sofrido, é a compreensão da saúde que tem a medicina convencional, onde cada especialista trata a parte como um todo e se esquece das repercussões produzidas no resto do organismo pelo tratamento naquele órgão ou sistema no qual está especializado.

Também não se pode esquecer que o nosso Universo pessoal está em contato e em íntima relação com todos os outros Universos pessoais que nos circundam, inclusive com aquelas partes dos mesmos que estão além da percepção dos sentidos físicos. Na PNL. Trans-pessoal procuramos superar esta limitação de percepção, tentando desenvolver a Intuição, forma especial de percepção que vai além dos nossos sentidos físicos.

Para exemplificar isto, costumamos utilizar metáforas como a que nos relata o nosso grande amigo Toni Bennássar:

Uma gaivota voava imersa em uma bela névoa de outono, quando de longe viu o arco-íris. Assustada pelo que acreditou ser a entrada do céu, se lançou em sua busca. Mas quanto mais se esforçava para alcançá-lo, mais escorregadio se tornava o extraordinário fenômeno, até que finalmente caiu exausta. Nessas circunstâncias de limite, escutou uma misteriosa voz que lhe disse:

– “Da mesma maneira que o arco-íris é uma condição de quem observa e não uma realidade, também é o vosso mundo com as cores e as formas. Tudo depende das condições do observador e delas surge o que chamais realidade”.

Então a gaivota soube que finalmente tinha alcançado o arco-íris.

Tentando resumir, diremos que a PNL. Trans-pessoal propõe uma concepção de unidade do ser humano e seu objetivo primordial é de Modelar o nosso aspecto Essencial, que é, para nós, a origem e núcleo de nossa existência, integrador de nossos pensamentos, emoções, crenças, valores e hábitos, e onde está a informação do que somos e a potencialidade do que podemos Ser.

Toda tentativa de explicação é necessariamente limitada porque o sentido das palavras que cada um dá ao que lê pode mudar totalmente a compreensão do que se quer transmitir. Mas esta limitação é ao mesmo tempo uma possibilidade de enriquecimento, porque, se compartimos os nossos mapas da realidade, podemos nos ajudar a compreender um pouco mais de nós mesmos e dos demais com os quais compartilho o Grande Corpo da Humanidade.

Bem-vindo a esta oportunidade de compartilhar a viagem de exploração dos nossos Universos Interiores.

::Sua Mente

Tradução
Luciana Alves
Tradutora Técnica Inglês-Espanhol-Português
luciana_trad@terra.com.br

Referência: www.pnlnet.com/chasq/s.php3?i=6&c=Ayuda+Psicol%F3gica&p=220

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