PNL e Ética
Por Mary Sagan
A formação em PNL está aberta a todo mundo. Qualquer pessoa pode estudar o curso introdutório (chamado Practitioner) ou o curso superior (chamado Master Practitioner), coisa que não ocorre com outras correntes psicológicas. Possivelmente o fato de que os fundadores da PNL não fossem psicólogos tenha influenciado nisso. Em qualquer caso, a aparente singeleza da PNL faz com que haja muitas pessoas que, sem outra formação que a que proporciona a PNL, se atrevam a fazer terapias, assessorem empresas ou ditem seminários sobre qualquer aspecto que lhes ocorra.
Há falta de um estudo estatístico pormenorizado, a maioria das pessoas que procuram aos cursos de formação em PNL o que buscam é resolver seus próprios problemas pessoais de saúde mental ou de adaptação. Os profissionais que procuram para melhorar sua formação (psicólogos, médicos, professores, engenheiros, diretivos de empresa….) são uma minoria. Se um molar meu dói ou se meu carro quebra, o que faço é procurar um dentista ou a uma oficina de reparação de automóveis. Mas não me ocorre comprar um livro sobre odontologia ou fazer um curso Master sobre reparação de automóveis. Procuro, simplesmente, a um profissional, esperando que seja esse profissional quem compre os livros ou procure cursos sobre sua especialidade. Isto não acontece com a PNL. E depois ocorre o que ocorre.
Como o mercado de trabalho está muito mal, há algumas pessoas que pensam que fazendo alguns cursos sobre PNL conquistarão o mundo. Há pouco tempo um garoto veterano, que nem sequer tinha dinheiro para fazer a formação, me assegurou que lendo alguns livros sobre PNL iria ficar rico.
A PNL fomenta a idéia que “se alguém pode, você também pode fazê-lo”. Isto, que é evidente, não acontece tanto na prática. Seria muito mais correto dizer “se alguém pode (e se você tem algumas qualidades mínimas, e você estuda, e você se forma, e você se esforça e você se sacrifica…), você também você pode fazê-lo”. Porque digamos claramente, a formação em PNL não é suficiente para fazer uma psicoterapia, nem para fazer programas educativos, nem para dirigir empresas. A formação em PNL é um complemento à formação prévia em outras disciplinas.
Se dá o fato incrível de pessoas que estão estado em tratamento psicológico por diversos motivos, gostaram como fazia o terapeuta, receberam cursos de PNL e fizeram sua própria consulta de psicoterapia. Há pessoas que dizem que são “programadores neurolingüísticos”. Mas como na maioria dos países civilizados a lei proíbe o exercício da psicoterapia a pessoas que não sejam psicólogos ou psiquiatras, feita a lei, feita a armadilha. Não dizem que fazem psicoterapia, mas “consultoria em comunicação” ou “assessoria humana”. Mas pobres das pessoas que caírem nas suas garras.
Ocorre o mesmo no mundo da educação ou da empresa. A PNL pode se aplicar à empresa, mas devem ser os experts em empresa que o façam, pessoas com uma formação prévia em engenharia, em direito ou em psicologia industrial. Você se atreveria a dizer que é assessor em energia nuclear, simplesmente por haver feito um cursinho de 200 horas? Como se pode pretender ser assessor de empresas depois de ter feito unicamente o Master em PNL? Pois há várias dessas pessoas, que nem sequer têm aprovada a educação secundária que se promovem como grandes “assessores de empresa”. e se atrevem a dividir formação em “negociação” ou em “marketing” de uma forma puramente teórica, já que eles nunca exerceram. Para isso, claro, colocam em seus negócios, incríveis nomes comerciais.
Sapateiro a seus sapatos. Essa é a filosofia que se tem perdido na PNL e que seria preciso recuperar. Se você quer ser psicoterapeuta, faça primeiro a carreira universitária que lhe faculta para isso e depois estude PNL como complemento postergado. Se você quer desenhar programas educativos, estude primeiro pedagogia ou professor de educação primária e aumente depois seus conhecimentos com a PNL.
A PNL pode se aplicar a todas as profissões. Um cristaleiro, um jardineiro, uma dona de casa, um jornalista, um bombeiro, podem aplicar a PNL em seus trabalhos, de tal forma que possam ser melhores cristaleiros, melhores jardineiros, etc. Mas se eu sou bombeiro, não posso pretender ser um bom cristaleiro fazendo simplesmente um curso de PNL. Cada um no seu. Porque a PNL é um magnífico modelo que se pode aplicar a qualquer profissão, mas as ferramentas de cada profissão não as proporcionam a PNL
Tradução – www.suamente.com.br – Aprenda mais sobre sua mente!
Fonte: http://www.pnlnet.com/chasq/a/1862
Tags: fundadores, PNL, practioner
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