PISTAS DE ACESSO

A fim de que você compreenda as informações que serão discutidas a seguir, sugerimos a seguinte experiência:

1 – Pense num momento muito especial de sua infância.

2 – Como era a voz de sua professora predileta?

3 – Sinta o gosto do sorvete de morango.

Para cumprir estas tarefas foi preciso conseguir acesso a certas classes distintas de experiências passadas. Chamamos o processo de obtenção da informação (o processo de conseguir a informação subjetiva: as imagens, os sons, as palavras e sensações que fazem parte das memórias e fantasias) de acesso. Pistas de acesso são os comportamentos não verbais que indicam como a informação foi colocada à disposição da mente consciente. Pistas de acesso são os movimentos dos olhos que indicam como uma pessoa pensa – se através de imagens, palavras ou sensações.

Quando se observa uma pessoa e seus olhos estão voltados para cima e à direita (dela), isto significa que ela está criando imagens (acesso visual construído), como por exemplo, a imagem de como ela ficaria se usasse determinado tipo de roupa.

Todos provavelmente já passaram pela experiência de fazer uma pergunta a alguém que desviou o olhar, mexeu os olhos para cima e para a esquerda e disse: “Huuummm, deixe-me ver…”. E viu. Buscou em suas imagens visuais recordadas.
Portanto, as pistas de acesso podem ser detectadas pela simples observação dos movimentos oculares.

Especificamente para pessoas destras, consideremos o movimento dos olhos na direção mostrada na ilustração abaixo:

Vl – Visual lembrado (olhos voltados para cima e à esquerda): ver imagens de coisas vistas antes. Exemplos de perguntas que eliciam este tipo de acesso incluem: “Qual a cor dos olhos de sua mãe?” “Como era a primeira casa em que você morou?”

Vc – Visual construído (olhos para cima e à direita): Ver imagens de coisas nunca vistas antes. Exemplos: “Como seria um elefante azul de bolinhas amarelas?” “Como você seria se tivesse cabelos verdes e olhos vermelhos?”

Al – Auditivo lembrado (olhos na linha média e à esquerda): Lembrar de sons ouvidos antes. Exemplos: “Como é o alarme do seu despertador?” “Como é o som de uma cachoeira?” “Qual a primeira palavra que você disse hoje?”

Ac – Auditivo construído (olhos na linha média e à direita): Ouvir palavras nunca ouvidas realmente dessa maneira antes. Pôr palavras e sons juntos numa nova forma. Exemplo: “Se você fosse criar uma música agora, como ela seria?” “Se você pudesse fazer uma pergunta ao presidente Fernando Henrique, o que diria?”

Ai – Auditivo interno – ou Auditivo digital (olhos voltados para baixo e à esquerda): Falar para si mesmo, diálogo interno. Exemplo: “Diga algo a você mesmo, algo que você se diz freqüentemente” “Recite um verso mentalmente”.

C – Cinestésico (olhos para baixo e à direita): sentir emoções e sensações. Exemplo: “Como é a sensação de correr?” “Como você se sentiu hoje pela manhã, logo que acordou?”

Para pessoas sinistras (as chamadas “canhotas”) os padrões são invertidos: o acesso visual construído é observado do lado esquerdo, o visual lembrado do lado direito, e assim por diante.

Quando afirmamos que os movimentos oculares são padrões, queremos dizer que eles são observados em todas as pessoas dotadas de uma organização neurológica normal.
Algumas pessoas apresentam algumas diferenças em relação a este padrão, como olhos voltados sempre para cima, à direita ou esquerda, a qualquer pergunta que se faça, indicando que elas necessitam primeiro ter a imagem do que quer que seja para depois poderem ter acesso à experiência sugerida. Por exemplo, para se lembrarem do gosto do sorvete de morango, primeiro necessitam da imagem do sorvete para depois se lembrarem do sabor (acesso cinestésico).

Outras pessoas apresentam olhos voltados para cima, no centro, como se fixassem um ponto, com pupilas dilatadas. Isto indica acesso visual e concentração.
Pessoas que privilegiam por exemplo a visão para perceber o mundo, certamente estão perdendo muitas informações auditivas e cinestésicas. O mesmo acontece com aquelas que privilegiam os canais auditivo e cinestésico.

O ideal seria que nós tivéssemos todos os canais sensoriais igualmente desenvolvidos, o que nos possibilitaria uma experiência mais completa da realidade.

Há também outros indicativos que nos informam o tipo de acesso de uma pessoa, tais como os movimentos respiratórios (por exemplo, respiração rápida indica acesso visual), o ritmo da voz, etc. (Para um aprofundamento no tema, consulte Sapos em Príncipes, de R. Bandler e J. Grinder, EditoraSummus).

O conhecimento e a prática em relação às pistas de acesso permitem-nos:

1 – Fazer com que uma pessoa tenha acesso ao tipo de experiência que é necessário para que compreenda o que lhe estamos comunicando.

2 – Saber quando uma pessoa está conscientemente ouvindo, vendo, sentindo e quando ela está “longe”, abstraída em seus processos subjetivos.

3 – Estabelecer um bom contato (rapport) com qualquer pessoa, de forma suave, eficaz e elegante.

4 – Lembrar com mais facilidade de experiências, como por exemplo se quisermos nos lembrar do caminho que percorremos para chegar a um determinado local (ou onde guardamos um objeto que não conseguimos encontrar), basta que voltemos os olhos para cima e à esquerda (visual lembrado).

Portanto, lembramos aos professores que uma criança que está olhando para cima durante a aula pode não estar “no mundo da lua”, mas visualizando, lembrando

(*) Nelly Beatriz M. P. Penteado é Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolingüística (PNL).

Arquivado em PNL

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