O fim da comunicação interna

Se a cultura for “a rede de significação” que tecemos sobre nós mesmos, as comunicações -linguagem, silêncios, exemplos, software, desenhos, meios- são as ferramentas que nós, como seres humanos usamos para interpretar, reproduzir, manter e transformar ditas redes de significado. Ser humano, é estar em comunicação dentro de alguma cultura humana, é ver e conhecer o mundo – para comunicar-se- de forma que diariamente se reproduza essa cultura particular. A comunicação, então, constitui a essência da cultura, da empresa, da vida.

Por outro lado, não é casual que comunicação e comunidade compartilhem uma mesma raiz. As comunidades existem porque compartilham significados e formas comuns de comunicação. Equivocadamente às vezes se supõe que a comunicação é um fenômeno autônomo, independente do contexto social que se interpreta e reproduz.

O sucesso de um projeto e nas relações pessoais depende de uma sensibilidade diferente ao simples intento de vender uma idéia, exige transformar a relação vendedor-comprador em outra como fornecedor-usuário, ou servidor-cliente. A cultura, então, é uma experiência compartilhada: uma aproximação comunitária em torno de valores comuns.

Na empresa, o líder deve usar todos os meios a seu alcance para comunicar a cultura desejada, mas fundamentalmente o obterá através do exemplo e o investimento em tempo nas relações, demonstrando um compromisso. Este é o caminho, já que necessita de outros para alcançar resultados e como valor agregado conseguirá melhorar a qualidade de vida trabalhista de toda a equipe. O líder, para envolver as pessoas, tem que compartilhar experiências cotidianamente, quer dizer, no elevador, na sala de jantar, nos corredores, na fábrica, atrás das vitrines; não em “ocasiões” especiais, setores VIP ou através de frios discursos na festa de fim de ano. Já que temos responsabilidades diferentes e trabalhos diferentes, para estabelecer quão mística faz que “outros” apóiem meu projeto tenho que evitar reproduzir as diferenças e estabelecer e fazer foco nos pontos de encontro.

O líder de uma equipe de trabalho na empresa do século XXI existe para assegurar que o que o trabalhador faça seja coerente com o que quer a empresa e para assegurar que o trabalhador possa fazer seu trabalho nas melhores condições possíveis, para alcançar o seu máximo rendimento. Em outras palavras, existe para servi-lo e gerar um ambiente de confiança, um requisito fundamental para possibilitar a ação e ficar em movimento.

Por exemplo, pensemos na relação líder-seguidor usando a lógica do teatro. Assim como os atores teatrais, o líder deve construir um personagem para encenar uma interpretação verossímil e levar em conta múltiplas circunstâncias -momentos da verdade- para dar a impressão desejada em seu auditório, os integrantes da empresa. Como em toda representação o ator se desloca entre uma zona posterior onde ensaia seu papel, e uma região anterior (cenário) onde atua, o líder assim não pode se descuidar da preparação e suas exposições públicas, já seja através de sua presença ou suas decisões. A habilidade comunicação, é sem dúvida a que lhe permitirá criar e reproduzir valores e significados compartilhados, e provocar certa reação emocional no grupo de colaboradores, que os convide a somar-se ao projeto da empresa.

Atos e meios para criar uma comunidade de interesses. Captar a atenção para desenvolver o sentido de pertinência; estabelecer vínculos de confiança mantendo relações interativas; cumprir as promessas; e criar vínculos comunitários permitirão ao líder uma relação duradoura com seu pessoal, assim como o alcance dos objetivos do negócio. Já que a maior parte de seu tempo tem a ver com o trabalho de outros, a capacidade para tratar com a equipe, motivá-la e organizá-la, são os novos fatores críticos de sucesso, e não por uma moda, mas sim pela relação direta que têm com a rentabilidade empresarial.

Não terá que esquecer, além disso, que são os empregados que estão em contato com os clientes, e os o que em muitas oportunidades têm mais clareza a que rumo seguir.

Algumas pesquisas dão conta que 90% dos empregados acreditam ter boas idéias que melhorarão os resultados de suas companhias, mas 50% daqueles não compartilharão essas idéias já que não encontram o caminho para comunicá-las ou porque consideram que ao management não lhe importam.

Como fazer para que os empregados se comuniquem com Você? Provavelmente cumprindo com estes três requisitos:

– Converta à comunicação em uma prioridade em sua empresa, assegurando-se que seus empregados conheçam o valor que Você lhe atribui;

– Facilite oportunidades e meios para que os empregados se comuniquem com o management;

– Crie um ambiente de confiança onde cada um possa dizer o que pensa e seja ouvido.

A inovação na companhia depende da comunicação de baixo para cima. O estilo do Management by walking around” (gerenciar caminhando) imposto por Sam Walton, o fundador do Wal-Mart, é um dos canais de comunicação mas críticos na hora de compartilhar informação, já que para tomar decisões oportunas, estar perto das operações permite saber o que acontece. Claro que não só para falar, mas também fundamentalmente para escutar. Já que em comunicação muitas vezes é mais importante receber que dar.

Como valor agregado, este é um método para monitorar se seus esforços em comunicação têm resultado positivo, menos formal e chato que as pesquisas e muito rico em conteúdos, além disso, o exemplo comunica mais que as palavras.

A comunicação é um processo diário permanente, não é algo limitado aos meios ou eventos e se dá dentro da organização, queira-se ou não.

Um objetivo básico na hora de trabalhar em comunicação interna na empresa é evitar os rumores, as especulações, as suposições e a incerteza, já que estes afetam diretamente os resultados dos projetos e a produtividade geral da empresa. E uma grande ajuda para poder evitá-los é a comunicação direta (cara a cara). Os momentos onde podemos nos escutar, nos falar e nos ver abrem as possibilidades para construir relações de confiança e credibilidade. Logo, o planejamento e coordenação de ações complementares, assim como os meios impressos e eletrônicos permitirão de uma maneira ou outra chegar aos empregados uma, duas ou até três vezes com a mensagem. E quanto mais oportunidades de entregar mensagens chaves aos empregados tiverem, mais estará demonstrando interesse por estar conectado com eles e eles lhe retribuirão com lealdade e fidelidade, assim como com efetividade e eficiência. Algo que assegurará uma relação duradoura baseada na confiança e que será difícil de romper pelos caçadores de talentos, pela desmotivação por “não sentir-se parte” ou pelas interferências que a distorcem. E isto não é outra coisa que o fim das comunicações internas nas organizações.

Marco Arru

Profesor de la Universidad de Belgrano

Tradução: Sua Mente.com.br

Arquivado em Comunicação

Leia outros artigos relacionados

Deixe um comentario