Metaforicamente falando: “Seu Fiel Servidor”

Imagine que um belo dia, sem aviso prévio, um homenzinho com óculo e com um aspecto entre cansado, aliviado e um tanto indiferente, chama a sua porta. Tem uma pasta debaixo do braço e depois de se apresentar muito solenemente, lhe comunica o motivo de sua visita. Ele traz uma intimação de grande importância, na qual aparecem mais ou menos estes termos:

“Estimado/a Senhor/a”:
Esta intimação tem o dever de comunicá-lo que a casa que consta em nossos registros como sendo de sua propriedade, desde o dia que o Sr. nasceu, se encontra deteriorada e precisa com máxima urgência que o Sr, como único dono e responsável, se encarregue dos cuidados que ela necessita.

No caso de que o Sr. se negue a fazer isso e queira renunciar à mesma, ela passará a ser propriedade do Estado, para sempre.

A decisão de se encarregar de sua casa ou de cedê-la ao Estado tem de ser imediata e através do portador do presente documento.

O quê você decide fazer? Permanece comodamente onde está ou vai conhecer aquela casa que nem recordava que possuía?. Deixaria para o Estado uma casa sua, sem se dar a oportunidade de reconhecê-la?.

Imagine que você decide se ocupar de sua casa e como eu disse, a ordem de fazê-lo é a partir deste momento, de agora!. Não há tempo a perder, já que você corre o risco de que a tirem de você e assim não haverá nunca mais a oportunidade de recuperá-la. Você se põe a caminhar, o homenzinho te acompanha e te põe a par, em grandes pinceladas, do que você pode encontrar por lá.

Levando em conta que é uma casa que tem a mesma idade cronológica que você, que durante todo este tempo você a manteve praticamente fechada e oculta e que, inclusive, você se esqueceu dela, como imagina que vai encontrá-la?.

Feche os olhos se for mais fácil e centre-se em alguns dos poucos detalhes como:
- O estado da estrutura, chão, paredes, teto;
- O estado funcional de sua instalação: canos, parte elétrica, instalação telefônica e de gás, etc;.
- O estado de limpeza: se existe pó, insetos e outros bichos.

De repente surge uma pergunta e se dirigindo ao seu acompanhante você diz:
- Quem cuidou da casa em todos estes anos? O que ele, algo constrangido e depois de um embaraçoso minuto, te responde:

- Existe um empregado, um mordomo que nasceu no mesmo momento que você e a medida em que você foi esquecendo de cuidar da casa, ele estava cuidando dela por você. Ele mora na parte mais alta da casa, em uma espécie de sótão desde onde se supõe que controla a casa.

Esta resposta te faz refletir e fazer de novo mais perguntas:

Como conseguiu arranjar um empregado, que seja um mordomo, para manter uma casa que não é sua? Como fez para controlar tudo isto?.
O homenzinho se mostra aliviado; neste exato momento vocês se encontram na porta da casa e dispostos a entrar; isso desvia sua atenção e ele já não se sente obrigado a responder a sua questão.

Suas emoções estão muito confusas: uma mistura de curiosidade, inquietude, assombro e diversão. Algo se mexe dentro de você dos pés até a cabeça, como bolhas de sabão que sobem e descem, e que fazem cosquinha por dentro. De repente é como se você voltasse de uma amnésia prolongada e começa a se lembrar: “É a minha casa”

E você começa a se conscientizar do que existe ao teu redor. Seu entusiasmo vai aumentando, substituindo o temor. Rapidamente vai anotando mentalmente tudo o que seja necessário para arrumar a sua casa. E você está tão entretido que mal percebe a presença de um desconhecido que está diante de você.

Imagine como ele seria? Que aspecto tem: humilde, porém digno, áspero e doente ou arrogante e temerário?. É jovem ou velho? Homem ou mulher? Que sentimentos desperta em você: desprezo, rancor, ternura ou compaixão?.

Enquanto você se recupera destas emoções, seu companheiro de viajem já foi embora, apenas lhe dando atenção quando lhe apresentou ao desconhecido como seu mordomo, seu fiel servidor.

Mas você se esqueceu de seu nome. Quer se lembrar porque quer ser cortês. Assim, pensa: Que nome tem meu mordomo?. Se não se lembrar, não importará, porque você lhe dará um novo, um que seja agradável e que você se lembre dele com facilidade; e esse nome vai servir da mesma forma. (Eu conheço pessoas que o chamam de Félix, Carmem, Fernando, Rosa, Ambrosio, Batista, etc). Escolha um que realmente seja agradável para você.

Vamos supor que se chame Félix e ele mesmo te conta a sua própria história:

“Nasci no mesmo dia que você. A primeira coisa que aprendi é que sou seu fiel servidor. Minha vida não tem sentido sem você. E ainda que você possa se esquecer da minha presença em sua vida, você não pode viver sem mim. Assim, quando você não está disposto a cuidar de você mesmo e de seus bens, minha missão é fazê-lo em seu lugar. Você se afastou de sua casa pouco tempo depois de nascer e ficou fora por todo este tempo. Eu estive aqui, esperando que este dia chegasse, pois ainda que eu seja um bom servidor, não sou tão bom senhor. Jamais poderei substitui-lo. Você é o dono e o senhor; você dá as ordens e eu as executo”.

É possível que neste momento você sente uma ponta de indignação em seu peito e pergunta a ele:

Quer dizer que eu mandei que você deixasse a casa neste estado?.

Félix responde: Quero dizer, senhor/a, que quando se foi, o sr. me deu algumas ordens, boas para aquele momento, mas que nunca foram canceladas e que portanto se mantêm vigentes; sendo elas equivocadas ou acertadas, senhor/a, são suas ordens e ainda me ordene que as mude, e a única coisa que eu não posso fazer por você.

A franqueza e a honestidade de Félix podem tê-lo deixado desconcertado, mas você reconhece que essa é uma verdade que você acabou de aceitar: você é o maior responsável pela sua vida, de como você quer vive-la e o que você quer dentro e fora dela. Sua vida presente é o resultado das decisões tomadas no passado, algumas delas estão totalmente obsoletas e defasadas, e por isso você precisa elaborar um novo plano com novas ordens para assim, criar novos projetos que te levem a um futuro mais pleno que o presente.
E aqui se apresenta um grande feito: você decidiu se ocupar de sua vida. Sabe que ninguém começa do zero, sempre temos recursos, se ainda não os reconheçamos, não significa necessariamente que não os possuímos. Em principio você conta com um poderoso aliado: seu fiel servidor, Félix. Para ser um excelente mordomo, para ajudá-lo a ter uma vida de excelência, Félix precisa:

1. Saber o que você quer;
2. Que você lhe de um direcionamento para onde você quer que ele te leve;
3. Mantê-lo informado quando você quer cancelar algumas ordens, onde, quando, com quem sim e também com quem não;
4. Receber suas novas ordens em substituição as anteriores; se elas são contraditórias ou então acrescentá-las se são complementares de uma forma clara, precisa, oportuna e inequívoca, em cada ocasião;
5. Premia-lo com reconhecimento e gratidão pelos resultados obtidos.

(Se você se lembrar de alguma coisa mais, pode e deve acrescentá-la à lista).

Desejo-lhe muito sucesso nesta nova empreitada e quero deixar duas sugestões:
1. Tenha paciência para aprender a dar ordens a Félix. Lembre-se que você ficou muitos anos sem exercer este direito, deixando nas mãos dele esta responsabilidade.

2. Tenha paciência para que Félix aprenda a obedecer. Ainda que ele deseje servi-lo e bem, ele está acostumado a fazer sempre a mesmo coisa e fazer coisas diferentes talvez custe a ele um pouco de tempo.

De qualquer maneira não se preocupe se as coisas não “saem” melhor do que antes; em vez de pensar Félix está lhe sabotando, pense que é muito provável que esteja acontecendo alguma destas duas coisas:

A) Que algumas ordens antigas estejam ainda vigentes e sejam incongruentes com seus novos propósitos. Sugestões: Cancelar e substituí-las por outras renovadoras e congruentes. Você dispõe de todos os recursos para conseguir isto.

B) Que talvez você tenha omitido dar uma nova ordem com todos os requisitos acima indicados. Desfrute experimentando, porque você merece.

Desde aqui eu incentivo para que você viva esta aventura. Por acaso há alguma outra coisa mais estimulante e motivadora do que isso?

Tradutora: Daniela Bitner – Contato : dani_bitner@hotmail.com

Referência: http://www.pnlnet.com/chasq/a/2525

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