METÁFORA: Lindas Mãos

Adaptada de Lawton B. Evans

À beira de um riacho, algumas mocinhas conversavam, contando vantagens de suas lindas mãos. Uma delas mergulhou as mãos na água cintilante, e as gotas que caíam de suas palmas até pareciam diamantes.

– Olhem como minhas mãos são lindas! A água corre nelas como jóias preciosas ¾ disse ela, levantando as mãos para as outras admirarem.

Eram muito macias e brancas, pois a única coisa que fazia com elas era lavá-las em água limpa e fria.

Outra mocinha correu para colher morangos e esmagou-os nas palmas das mãos. O suco escorreu pelos dedos como vinho pisado, até os dedos ficarem rosados como o céu ao sol nascente.

– Vejam que lindas mãos as minhas! O suco de morango escorre por elas como vinho – disse ela, levantando as mãos para as outras admirarem.

Eram muito rosadas e macias, pois a única coisa que fazia com elas era lavá-las com suco de morango todas as manhãs.

Outra mocinha colheu violetas e esmagou-as nas mãos, até ficarem muito perfumadas.

– Olhem que lindas as minhas mãos! São perfumadas como as violetas dos bosques da primavera – disse ela, levantando as mãos para que as outras admirassem.

Eram muito macias e brancas, pois a única coisa que fazia com elas era lavá-las com violetas todas as manhãs.

A Quarta mocinha não mostrou as mãos, deixando-as no colo. Uma velha veio andando pela estrada e parou perto das mocinhas. Elas lhe mostraram as mãos, perguntando quais eram as mais belas. Para cada uma, ela balançou a cabeça e depois pediu para ver as mãos da última mocinha, que as mantinha no colo. Ela levantou as mãos timidamente.

– Hum, estas mãos estão bem limpinhas – disse a mulher -, mas estão endurecidas pelo trabalho. Estas mãos ajudam os pais lavando a louça, varrendo o chão, limpando as janelas e semeando a horta. Estas mãos tomam conta do bebê, levam chá quente para a vovó e ensinam ao irmãozinho menor como empilhar os toquinhos e empinar pipa. Sim, estas mãos andam muito ocupadas fazendo da casa um lar feliz, cheio de amor e carinho.

Então a velha remexeu no bolso e retirou um anel de diamantes, com rubis mais vermelhos que o morango e turquesas mais azuis que as violetas.

– Tome, use este anel, querida. Você merece o prêmio pelas mais belas mãos, pois são as mais úteis.

E a mulher desapareceu, deixando as mocinhas sentadas à beira do riacho.

Do livro: O Livro das Virtudes II – O compasso moral
William J. Bennett – Ed. Nova Fronteira

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