Korzybski, um pioneiro da PNL

Por Steve Nagel

Todos conhecemos Alfred Korzybski através da citação que fizeram dele Bandler e Grinder, “o mapa não é o território”. Mas poucos Programadores Neurolinguisticos sabem que na obra e o pensamento de Korzybski estão os fundamentos da PNL. Na sua obra escrita em 1933 “Science and Sanity” ele já fala do conceito “aprendizagem neuro-lingüística”, “reações neurolingüísticas” ou “efeitos neurolingüísticos”. Vamos analisar sua obra com mais atenção.

Bandler e Grinder falaram de Korzybski, mas seu pensamento é muito mais amplo. A entrevista completa, extraída do prólogo da reedição de 1941, diz assim: “Um mapa não é o território que representa, mas, para ser correto, tem uma estrutura similar ao território, razão pela qual se resulta útil. Se o mapa pudesse ser idealmente correto, incluiria (em escala reduzida) o mapa do mapa. Se refletirmos sobre nossas linguagens, encontramos que, no melhor dos casos, devem ser considerados tão só como mapas. Uma palavra não é o objeto que representa; as linguagens também exibem esta peculiar capacidade de refletir a si mesmos: podemos analisar linguagens por meios lingüísticos. A “linguagem de mapa” antiquado, necessariamente, deve levar-nos a desastres semânticos, ao impor e refletir sua estrutura antinatural… Sendo as palavras e os objetos que representam duas coisas diferentes, a estrutura, e somente a estrutura, se transforma no único vínculo entre os processos verbais e os dados empíricos. As palavras não são as coisas das que falamos… Se as palavras não são coisas, nem os mapas o território, então, obviamente, o único vínculo possível entre o mundo objetivo e o mundo lingüístico deve ser encontrada na estrutura, e somente na estrutura. A única utilidade de um mapa ou linguagem depende da similitude entre os mundos empíricos e os mapas-linguagens. O feito de que toda linguagem tem alguma estrutura… leva a que inconscientemente leiamos no mundo a estrutura da linguagem que usamos…” (Science and Sanity, páginas 58-60). (tradução de Rafael Sábat)

Através de 900 páginas, Korzybski fala da natureza neurolingüística do ser humano e de como processamos a informação. Diz que os seres humanos tem um estilo de vida semântico, somos criaturas semânticas através do sistema nervoso, fazemos abstrações a partir do território do mundo no qual nos desenvolvemos. Afirma que vivemos por meio de símbolos (palavras, imagens, sons, sensações, idéias…), mais que através de nosso contato com a realidade. É mais fácil viver por meio de símbolos que tratar de distinguir entre símbolos e a realidade, entre o mapa e o território. Confundimos o mapa e o território.

Como somos seres semânticos, achamos inevitavelmente símbolos. E de forma inevitável respondemos a nosso mundo em termos de mapas, não da realidade. Quando acontece isto, Korzybski diz que confundimos o mapa (nossos símbolos lingüísticos), com o território. Identificamos duas coisas que existem em níveis lógicos diferentes. Bandler e Grinder descrevem esta dinâmica quando dizem que não é do mundo do qual nós tratamos, mas de nossos mapas do mundo, nosso modelo de mundo. Podemos fazer isto, de fato, quando descrevemos o que vemos (o que percebemos), mas não vemos o território do qual se trata. Preferimos ver os conceitos (mapas) sobrepostos ao território (por exemplo, como ocorre na estrutura das alucinações ou da hipnose). Mas, certamente, quando fazemos isto, nos pomos em perigo, já que fazemos um pobre ajuste do mundo se somos conscientes do mundo como algo filtrado do mapa, e não do mundo tal como é. E isto, como diz Korzybski, nos transforma em pessoas insanas e, se não o corrigimos, em pessoas dementes.

O trabalho de Korzybski sobre as reações lingüísticas ou semânticas supõe o início de posteriores trabalhos sobre como funciona o metamodelo e a mudança de significados. Assim, Korzybski diz que sempre que uma pessoa tem uma resposta emocional forte que não seja sobre algo relacionado com o estado presente, quer dizer que tem uma resposta semântica, condicionada pelo seu significado. Essa pessoa tem uma resposta semântica no seu corpo, já que são as palavras que iniciam seu sistema nervoso, não os estímulos externos atuais. A perturbação nervosa é conseqüência dos significados que atribuiu a seu pensamento.

Korzybski explica como a semântica afeta diretamente o nosso sistema nervoso. Pensamos em palavras e formas de linguagem no interior de nosso cérebro. Este sistema sensorial para processar informação e criar representações internas compreende também a composição de nosso sistema nervoso (com nosso cortex visual, cortex auditivo, etc). Isto afeta como conseqüência o nosso corpo e ao resto de nossa fisiologia (a conexão mente-corpo). Este novo fator semântico em nosso sistema nervoso é um distintivo humano que não existe nos animais.

Os seres humanos estão semanticamente condicionados. Desde que não usamos palavras como sinais (como fazem os animais), mas como símbolos completos, nosso símbolos nos permitem processar informação através de meta-níveis (podemos sempre gerar palavras para descrever qualquer coisa que nos ocorra, mas podemos também gerar palavras sobre essas palavras). Temos uma capacidade ilimitada para funcionar em múltiplos níveis de comunicação.

Isto quer dizer que podemos viver em diferentes níveis de abstração, mas que se não tomarmos cuidado podemos nos confundir nestes níveis de abstração. Nossos símbolos nos afetam na medida em que achem um dos aspectos mais significativos de nosso ambiente, podem nos incluir vários estados psicofisiológicos relacionados com nossas representações internas, não com as externas. Contanto que nossas reações semânticas sejam simplesmente isso, reações são automáticas, imediatas e inconscientes. É nossa programação humana que nos maneja e que nos deixa, aparentemente, sem opções. Quando somos conscientes da abstração, desenvolvemos contestações semânticas. Isto é, podemos alterar conscientemente os significados (por exemplo, nossa semântica) e deste modo gerar novas respostas.

Tudo que falamos anteriormente explica nossa necessidade de aprender e programar (ou reprogramar) de forma neurolingüística. Sempre que alguém opere dentro de seu ambiente lingüístico inconsciente de seus próprios hábitos lingüísticos (diálogo interno, representações internas) e sua influência estrutural sobre si mesmo, será fácil desenvolver todo tipo de desequilíbrios.

Para os seres humanos a linguagem representa nossa mais alta função neurológica. Korzybski diz que para nós a linguagem é uma função psicofisiológica fundamental. Já que tudo na linguagem tem estrutura, todo o idioma envolve reações semânticas interconectadas automaticamente. Quase todos os lucros humanos descansam em nosso uso de símbolos, isto é, em nossa habilidade para comunicar às claras e exatas. Temos um modo de vida puramente semântico e simbólico do qual não podemos escapar. Reciprocamente, os animais não têm doutrinas, crenças, no significado que lhe damos a estas palavras. As doutrinas não fazem parte de seu ambiente. Mas sim fazem parte do nosso e como as condições semânticas fazem parte de nosso ambiente mais vital, se são enganosas podemos nos desajustar e cair em processos cheios de desequilíbrio. Nosso sistema nervoso realiza abstrações, resumos, integrações em níveis e ordens diferentes e o resultado de um estímulo, em conseqüência, não é o estímulo em si mesmo.
Em resumo, Alfred Korzybski coloca na sua obra que como seres semânticos que somos, todos nós construímos nosso mundo por meio do significado das palavras e frases que utilizamos, podendo reconhecer e ser conscientes que qualquer coisa que dizemos não é essa coisa, mas que quando estamos no nível verbal podemos também nos salvar das reações semânticas que comporta identificar o mapa com o território. Desta forma, o mundo que nós mesmos achamos para viver pode ser um que nos abra possibilidades de funcionamento e de experiências em lugar de um que nos encha de limitações. Tudo está no nível verbal.

Tradução – www.suamente.com.br – Aprenda mais sobre sua mente!

Fonte: http://www.pnlnet.com/chasq/a/11

Tags: , , ,

Arquivado em PNL

Leia outros artigos relacionados

Uma Resposta para “Korzybski, um pioneiro da PNL”


  1. Edson Vicente
    21ago

    Impressionante e verificável por todos que pratiquem Hipnose Ercksoniana e PNL.
    Eu particularmente já presenciei fatos considerados milagrosos por aqueles que mesmo sem entender de PNL ou de Hipnose Ericksoniana participaram das intervenções feitas com a ajuda destes dois conhecimentos.

    Edson Vicente

    P.S. Se souberem de alguma tradução do livro “Saúde e Sanidade” por favor me indiquem. Obrigado.

Deixe um comentario