Intervenções da PNL que funcionam no Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA)

Don A. Blackerby, Ph.D.

Em dezembro de 1994, Anchor Point publicou meu artigo intitulado “Distúrbio do Déficit de Atenção – Sob a perspectiva da PNL“. Neste artigo, eu mostrei os resultados da modelagem da PNL que eu consegui com estudantes com DDA.

A primeira fase do esforço de modelagem tem a ver com a descoberta da experiência subjetiva do DDA. Era pressuposto que a experiência subjetiva conduzia aos sintomas de comportamento da DDA.

A segunda pressuposição era que os processos de mudança da PNL poderiam alterar a experiência subjetiva do DDA de modo a afetar os sintomas de comportamento. Esperava-se que o estudante com DDA poderia ficar mais funcional na escola e dentro da sua família se ele não se comportasse mais de modo impróprio.

Esse artigo, que é um relatório sobre a segunda pressuposição, esboça algumas técnicas e processos da PNL que eu descobri que obtém sucesso com os estudantes com DDA. De fato, essas intervenções tem tido sucesso ao ponto de que muitos deles foram capazes de reduzir ou eliminar o uso de remédios para controlar o seu comportamento.

Os Sintomas do DDA

A maneira mais comum de diagnosticar a DDA é através da observação dos sintomas de comportamento que ocorrem no passar do tempo. Os maiores sintomas de comportamento incluem um ou mais dos seguintes:

Hiperatividade – Eles não conseguem ficar parados. Eles estão constantemente se mexendo e irrequietos. Eles estão embaixo das cadeiras, das mesas ou subindo nos móveis.

Impulsividade - Eles se movem ou mudam de direção rápido demais. Eles estão fazendo uma coisa e então, de repente, começam a fazer outra coisa. Eles “agem antes de pensar!”

Distração - Eles não conseguem ficar focados em um pensamento ou tarefa. Eles estão executando uma tarefa e o menor ruído os interrompe.

Falta de organização - Eles não conseguem executar tarefas mais complexas, que exigem que eles organizem a tarefa maior numa série de passos. Alguém tem que dizer ou mostrar como fazer cada etapa.

Esquecimento - Eles esquecem as instruções. Eles esquecem de fazer coisas ou tarefas que foram mandados fazer. Eles começam a fazer algo e esquecem o que tinham que fazer.

Procrastinação - Eles têm dificuldade de iniciar e completar tarefas ou trabalhos. Eles estão constantemente adiando fazer as coisas. Parece que eles não conseguem “dar a partida”.

Normalmente se uma criança (ou um adulto) demonstrou esses sintomas como um padrão consistente durante um tempo, o diagnóstico é DDA ou DHDA (DDA com hiperatividade). Os tratamentos mais comuns são: tentar controlar o seu ambiente, técnicas de modificação do comportamento ou a prescrição de remédios.

Uma nova Definição do DDA

Eu encontrei muitos alunos que foram mal diagnosticados com o rótulo do DDA. Os sintomas de comportamento enquadram-se em muitos estudantes os quais estão aborrecidos na escola ou que estão apresentando outros problemas de comportamento. Muitas vezes, ensinando aos alunos como aprender na escola, como se concentrar, como se organizar, como estabelecer prioridades e/ou como ter uma melhor atitude na escola, as causas dos sintomas somem.

Ensinar pais, professores e alunos como se comunicar melhor parece ajudar em muito. Também descobri, que é importante, procurar inicialmente por alergias, principalmente de comida, e verificar a quantidade de açúcar ingerida e/ou comidas tipo lanches e salgadinhos. Também descobri os sintomas do DDA em indivíduos de todas as idades os quais foram infectados com o germe do fungo “Candida Albicans”.

Por causa disto eu adaptei a minha definição do DDA. Para mim, o portador de DDA tem a inabilidade de controlar a sua mente. Ele não consegue controlar a sua mente e não consegue fazer nada sobre isso. Essa inabilidade em controlar a sua mente conduz a todos os sintomas mencionados anteriormente.

O verdadeiro portador de DDA ainda precisa aprender as coisas mencionadas antes como aprender e ter uma melhor atitude própria em relação a escola, etc. Entretanto, antes de aprender essas coisas, eles precisam aprender como controlar sua mente e acreditar que eles podem fazer isso.

Meu teste para descobrir o verdadeiro portador de DDA é dar a ele uma tarefa simples a fazer com a sua mente. Uma destas tarefas é: conseguir uma imagem interna de uma palavra que ele já saiba como soletrar e manter essa imagem fixa enquanto ele soletra a palavra de trás para diante (da direita para a esquerda).

Eu aumento gradualmente o tamanho da palavra até que tenhamos uma palavra bem comprida (dependendo da idade dele). O portador de DDA não será capaz de manter a imagem fixa o tempo suficiente para fazer isto. A palavra vai voar, apagar-se, pular em volta ou simplesmente desaparecer! Ele não pode controlar a imagem.

Algumas pessoas que não são portadores de DDA também não conseguem soletrar palavras ou números de trás para frente. Para eles, entretanto, isso é simplesmente uma questão de aprender como fazer isso e não que a palavra desapareça ou que esteja fora de controle em suas mentes.

Técnicas para Ensinar Alunos com DDA a Controlar Suas Mentes

Com reais portadores de DDA, eu gostaria de começar a ensinar-lhes a controlar suas mentes com simples exercícios não escolares. A maneira mais bem sucedida, e não ameaçadora, é usar itens como animais de estimação, alimentos ou algum outro item concreto que eles gostem e não se relacionem com a escola.

Por exemplo, posso pedir que eles me digam qual é sua comida preferida e depois me descrevam com o que ela se parece. Quando conseguem fazer isto com sucesso (e eu nunca encontrei um que não fosse capaz), eu os ajudo a tomarem consciência de que eles têm uma imagem interna do que ela se parece.

Então, usando ressignificação, prestidigitação lingüistica e padrões de linguagem hipnótica, eu começo a abrir a possibilidade de que eles podem fazer seus próprios ajustes nas suas imagens internas. Começo então, a explorar as submodalidades com as suas imagens internas (por exemplo) de uma pizza, um sorvete ou uma maçã. Eu peço para eles mudarem o tamanho, a distância, a cor, a localização espacial, o brilho, etc.

Uma vez consigam fazer isto com uma comida, eu os mando fazer isso com uma pequena palavra. Algumas vezes começo com apenas uma letra, depois duas letras, então três, etc. Eu, minuciosamente, trabalho para fazerem a letra ou palavra cada vez maior e/ou mais perto. Depois de um tempo, quando eles podem fazer uma palavra grande e perto de três a cinco letras, peço para manterem firme a imagem enquanto me dizem a última letra, então a letra logo antes dela, depois a próxima e assim por diante.

De repente, eles compreendem que soletraram a palavra de trás para frente – algo que eles não podiam fazer apenas alguns momentos antes. Eu os faço continuar a soletrar a palavra e outras palavras de trás para frente várias vezes mais, porque fica cada vez mais fácil quanto mais vezes eles fizerem isso. Eles geralmente ficam assombrados e não sabem o que pensar sobre a nova experiência.

Uso a oportunidade para trabalhar suas crenças sobre suas capacidades e identidade, sobre o que significa controlar sua própria mente e sobre escola e aprendizagem.

A partir de agora torna-se um processo de construir mais exemplos de sucesso. Assim, dou a eles palavras e números mais compridos para fazer imagens e soletrar de trás para frente até que acreditem que agora eles podem controlar suas imagens.

Neste ponto, começo a ensiná-los como aprender e como executar as várias tarefas escolares exigidas deles para terem sucesso na escola ou, trabalho nos sintomas específicos do DDA e os ensino como controlá-los.

Isso, normalmente, depende se o “sintoma DDA” está atrapalhando o aprendizado de como ser bem sucedido na escola e/ou em casa.

O Sintoma do DDA da Distração

Pelo fato dos estudantes com sintomas de DDA estarem enxergando múltiplas imagens que são instáveis ou se movem muito rapidamente, é difícil para eles permanecerem focados em uma tarefa. Por essa razão eles são percebidos como sendo distraídos. Eles nunca pensaram no fato de que não tem que continuar a olhar, ao mesmo tempo, todas as imagens.

Para ensinar-lhes um caminho diferente, eu os faço entrarem num modo desatento no qual eles têm as múltiplas imagens. Dou instruções para eles imaginarem se esticando e tentando agarrar uma das imagens e “puxando-as para baixo, para perto e fazendo-a muito grande – do mesmo modo como fizeram com a imagem da maçã ou com as palavras que soletraram de trás para frente!”

Quando fazem isto, eles têm uma resposta normalmente surpreendente por que todas as outras imagens somem (ficam bloqueadas) e eles podem se focar na imagem grande e perto. Começo então a falar sobre a habilidade da concentração que consiste em selecionar uma das muitas imagens, puxá-la para perto, fazê-la maior e lidando com a imagem até estarem prontos. Depois, colocando-a de volta no lugar, tentar agarrar outra, puxar para perto e fazê-la maior.

A coisa mais espantosa disso tudo, é que a mente inconsciente deles parece compreender a idéia depois de apenas algumas demonstrações e, mais tarde, vai fazer isto automaticamente. É como se as suas mentes estivessem procurando por uma solução, e tão logo lhes é oferecida uma que funcione, agarram-se muito ligeiro a ela. Uma vez que os estudantes aprendam isso e acreditem, que é possível eles controlarem suas mentes e a experiência interna, os outros sintomas do DDA parecem ir embora muito rapidamente.

O Sintoma do DDA da Hiperatividade

Nesta hora, muitos dos sinais de hiperatividade começam a ir embora. Como a hiperatividade era causada por múltiplas imagens, instáveis, com velocidade e pelo medo de perder o controle da sua mente, a habilidade de trazer uma imagem para perto e torná-la maior, focar-se nisso traz mais calma para eles. Para que isso se torne realidade, você deve antes tratar de qualquer fúria reprimida que eles tenham.

O comentário mais comum dos estudantes ou dos pais que estão observando-os é “Eles nunca foram assim antes!” ou “Eles nunca foram capazes de fazer isto antes!” ou “Eles nunca ficaram tanto tempo concentrados numa tarefa!” A instrução para quando eles são hiperativos é “Quando você se sentir perdendo o controle ou ficando hiperativo, concentre-se em uma coisa de cada vez, trazendo-a mais perto e tornando-a maior.” Eu normalmente ancoro ou estabilizo isso num estado mais relaxado e focado e, mais tarde, disponibilizo a ancora para eles.

O Sintoma do DDA da Impulsividade

Eu descobri que a impulsividade pode ser tratada de quatro maneiras: com a interrupção da compulsão em situações específicas; com a mudança da crença normalmente em torno da sua vulnerabilidade; com uma estratégia de intervenção na qual nós instalamos uma estratégia para deter-se um momento e a pensar em outras coisas (a Dança do DDA), e por tratar com a raiva reprimida como eu me referi antes (a raiva pode causar a impulsividade algumas vezes – é uma bomba de tempo).

Muitos dos alunos com sintomas do DDA têm a compulsão de olhar fisicamente a qualquer interferência externa, particularmente se a interferência é auditiva. Se eu julgar que é a resposta típica do nível de compulsão, então irei liderá-los através de uma série de quebras de compulsão com ênfase naqueles específicos que trazem a eles os maiores problemas. Enquanto estou fazendo isso, eu estou instruindo a sua mente inconsciente para generalizar a quebra da compulsão.

Outros estudantes com sintomas do DDA, especialmente os hiperativos, têm uma crença deles mesmos que os fazem muito sensíveis ao seu mundo exterior. Por serem tão diferentes, sentem-se muito vulneráveis.

Eles têm sido, realmente, severamente admoestados, criticados e ridicularizados. Algumas vezes, eles estão quase paranóicos e excessivamente sensíveis ou alertas ao que está acontecendo em volta deles. Para alguns, esta sensibilidade é uma habilidade de sobrevivência. Em alguns tipos de casos, eu elicito suas crenças limitantes e as altero.

O tratamento mais comum que eu uso para a impulsividade está no nível estratégico. Descobri que muitos alunos com sintomas de DDA simplesmente programaram suas mentes e corpos para reagir de um modo impulsivo. Eles têm feito isto por boas razões mas agora a razão não está mais lá. Simplesmente projetando ou instalando uma estratégia apropriada de tomada de decisão sobre como pensar antes de agir, parece que funciona bem. Ou, se você puder encontrar um contexto no qual eles já reagem normalmente, funciona muito rapidamente recontextualizar a estratégia.

O Sintoma do DDA de Esquecimento

Eu trabalho com esquecimento em três níveis: como se comunicar para os pais e o professor; como processar as instruções auditivas para o aluno com sintomas do DDA, e como utilizar a estratégia para lembrar quando fazer algo.

Visto que muitos estudantes com sintomas do DDA tem uma firme sinestesia visual-cinestésica, a interferência auditiva não é processado a não ser que eles sobreponham as palavras em experiência visual ou cinestésica. No momento, isto é uma habilidade bastante fácil para ensinar a eles.

Parece ser importante para o processo de comunicação ensinar os pais e professores a usarem a linguagem visual e/ou a ter certeza de que os alunos com sintomas do DDA processam visualmente suas instruções. Muitos pais e professores assumem que só porque eles disseram para algo ser feito, significa que isso foi processado. Não é assim! O aluno com sintomas do DDA tem que sobrepor as instruções para o campo visual ou cinestésico, ou os pais ou professor tem que se comunicar visualmente ou demonstrar isso.

Muitas pessoas, incluindo os alunos com sintomas do DDA, podem se beneficiar de uma estratégia de como se lembrar de fazer coisas quando elas querem fazê-las. Simplesmente ensinando-lhes a projetar e a instalar a experiência interna do que elas querem se lembrar de fazer e então ancorando isto a uma pista de acesso externa confiável, realiza milagres. (veja a seção como lembrar coisas a fazer)

O Sintoma do DDA de Falta de Organização

A intervenção mais comum que eu utilizo na falta de organização é ensinar-lhes as habilidades da “segmentação para baixo”. Por causa da maneira que as suas mentes trabalhavam no passado, eles nunca pensaram que era possível ter um conceito geral ou idéia, mantê-la fixa nas suas mentes enquanto as dividiam em passos ou partes.

Visto que a habilidade primária da organização é tomar tarefas complexas e dividi-las em tarefas menores ou passos e priorizá-las, os alunos com sintomas do DDA nunca aprenderam antes esta habilidade básica. Agora que eles sabem como estabilizar as idéias nas suas mentes, esta habilidade é o próximo passo natural a aprender.

O Sintoma de DDA de Procrastinação

Muito da procrastinação tem a ver com o tomar uma decisão. O processo de tomada de decisão é reunir informações de alta qualidade, estabelecer prioridades e fixar prazos finais realísticos. Agora que os seus mundos internos estão mais estáveis, eles podem aprender estas habilidades as quais eram estranhas até agora para eles.

Integração

Depois que eu trabalho com um estudante (portador ou não de DDA), acho muito útil integrar todo o trabalho realizado ao fazê-los caminhar através do “Alinhamento dos Níveis Lógicos” de Robert Dilts. Eu descobri que isso acelera consideravelmente o processo de integração e me permite verificar problemas potenciais.

Também descobri, que se os pais estão observando a caminhada, parece que eles são afetados positivamente pelos comentários do seu filho em cada nível. É quase que como se eles mudassem a perspectiva de que a sua prole “é um problema” para “tem muitos recursos.” Eu suspeito que isso é porque os pais mudam o nível lógico de como eles percebem seus filhos (por exemplo, mudam do nível do comportamento para o nível da identidade).

Sumário

O portador de DDA precisa não somente aprender as capacidades e crenças de ser um bom estudante, mas primeiro, e mais importante, eles precisam aprender a controlar suas mentes. Usando exemplos não ameaçadores, como comida, eles podem aprender a ajustar suas submodalidades e começar a acreditar que eles podem controlar suas imagens internas.

Uma vez que eles aprendam isso, mude suavemente para “tarefas escolares simples”. Ao mesmo tempo, use ressignificação, prestidigitação lingüística e padrões de linguagem hipnótica para alterar as suas crenças sobre as suas capacidades, valores e identidade como um estudante ou uma pessoa de valor.

Publicado no site de Don A. Blackerby e na Anchor Point de Oct/95
Tradução de JVF

Arquivado em PNL

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