HIPNOSE CLÍNICA – PSICOTERAPIA BREVE EM GASTROENTEROLOGIA – SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL (SII) (COLÓN IRRITÁVEL)
Dr. Carlos Malvezzi Taboada** Especialista em Psicologia Clínica do Instituto Gubel de Investigação e Docência em Hipnose. Psicoterapias Breves e Medicina Psicossomática.
Buenos Aires-Argentina
“A Hipnose pode ser utilizada como método seguro, não invasivo e eficaz em relação ao custo concebido para reduzir os níveis de ansiedade, ensinar ao paciente a praticar suas condutas motivadoras, ter uma participação mais ativa em prol de sua saúde e melhorar o controle de sua dor” (Sleisinger & Fordtran. Enfermidades Gastrointestinais e Hepáticas)
No campo das necessidades médicas e terapêuticas, se requer com maior freqüência a necessidade de adotar técnicas breves e eficazes. Vemos na atualidade a busca, a atualização e o desenvolvimento de modalidades terapêuticas que abreviam o extenso trabalho psicoterapêutico. Nos casos nos quais é aplicável uma terapia mais curta, a que para ser eficaz pode tardar alguns meses, a implementação da Hipnoterapia (HT) proporciona uma contribuição considerável.
A incorporação da Hipnose (HS) ou da Hipnoterapia Ericksoniana (HS) dentro do esquema psicoterapêutico, junto com uma adequada avaliação do caso, a disposição e interesse genuíno do paciente por melhorar ou curar-se facilita e favorece a abordagem independente da problemática que se apresente no caso pontual que tratamos aqui: Síndrome do Intestino Irritável (SII) ou Colón Irritável na sua acepção corrente. A HT resulta particularmente indicada tal como se referem e reconhecem os mais recentes estudos e pesquisas. (Lancet, 1984:2,132; DDW 1999 (5), 2000 (6), 2001).
A Hipnose não se trata de uma escola de pensamento nem de outra ciência, senão do uso das possibilidades terapêuticas que sua milenar sabedoria continua oferecendo. Vista como componente normal e natural do comportamento humano, tão antiga quanto à própria existência humana, ela é hoje atualizada e compreendida não mais como uma terapia do tipo sugestiva impositiva, ao estilo de Chacort, Breuer e Freud nos finais do século XIX, mas sim como uma modalidade comunicacional de e na relação terapêutica. Ela incrementa a capacidade receptiva e o estado da predisposição no paciente a aperfeiçoar seus recursos e idéias (1).
Logo, a HS é basicamente um estilo de comunicação ‘sui generis’ específico, e uma forma de entender as coisas expostas a um paciente. Assim sendo, qualquer pessoa mais receptiva as idéias apresentadas fica motivado a explorar seus próprios potenciais para um melhor controle de suas respostas e condutas psicológicas e filosóficas.
A Hipnose, a ‘velha dama’ da medicina, sofreu grandes altos e baixos nos últimos cem anos. Aceita com interesse por alguns círculos médicos foi rechaçada por outros, quando não era usurpada por leigos e curandeiros, e passou a ser aceita academicamente nos últimos 20 anos.
Ela nunca deixou de interessar tanto aos pacientes, como a um vasto âmbito da medicina que vê nela um eficaz e aprovado recurso médico e psicoterapêutico a mesma altura de outros já consagrados. ‘O SII é um transtorno complexo com componentes fisiológicos e psicossociais. O melhor é que o tratamento seja administrado de forma individualizada e se ajuste as necessidades de cada paciente’ (2). A incorporação da HS dentro das Psicoterapias Breves cumpre totalmente essa expectativa por ser uma verdadeira terapia feita sob medida às necessidades dos pacientes, implementando um fonema da palavra hierarquizada como fator terapêutico que busca as modificações fisiológicas, funcionais e anímicas que o paciente requer. (2ª) (3) (10).
- No que se refere à patologia gastrointestinal (GI) e em especial aos transtornos funcionais, vários pesquisadores sinalam fatores de ordem emocional como capazes de produzir espasmos, dor e alterações do trato GI. O stress emocional foi claramente relacionado com os sintomas funcionais do GI e, mesmo assim, as funções viscerais como a secreção do suco gástrico e a motilidade da vesícula biliar, estomago e intestinos podem ser também condicionados. (4)
- A imaginação exerce um papel importante nos transtornos digestivos, como por exemplo, apenas com a descrição de um odor desagradável, ou a ingestão de alguma substancia em mal estado, costuma ser suficiente para induzir a uma sensação de náusea mesmo em pessoas pouco suscetíveis.
As correlativas fisiológicas das emoções podem ser induzidas mediante condicionamento hipnótico. Muito provavelmente essas emoções exercem sua atividade sob todo o trato GI em uma combinação de vias bidirecionais, que através do eixo cérebro-intestino atua reciprocamente em conjunção com uma vulnerabilidade do tecido local conduzindo como resposta a sintomatologia funcional.
Nas enfermidades ‘psicossomáticas’ com o diagnóstico GI funcional, em particular o SII ou colón irritável, os sintomas costumam aparecer perante sucessos vitais ameaçadores durante períodos de stress ou tensão emocional, mesmo depois desses períodos, com manifestações do tipo transtorno de ansiedade, transtorno do estado anímico (depressão) (4:a), e desejo sexual inibido, sendo este último em uma proporção de 5 a 15 vezes maior que em uma patologia intestinal orgânica (7:a), ou seja, incluem uma variedade de fatores emocionais e reações viscerais a tensões físicas, anímicas e sociais. O adequado e oportuno tratamento desses fatores emocionais são coadjuvantes em diminuir o estado de vigilância sintomática e a tendência ao isolamento, melhorando a resposta satisfatória a medicação. Particularmente, no SII, em função da hipersensibilidade visceral, a indicação de uma psicoterapêutica que inclua a HS, seja essa em forma de HS prolongada tal como foi usada no Japão (8) (9), ou em forma de sessões espaçadas, o paciente se vê favorecido a partir da inibição cortical que se produz a indução ao estado de relaxamento profundo, dada essa mutua interação por meio do eixo cérebro-intestino.
Por isso que um programa terapêutico misto que contemple os aspectos biopsicossociais, com a hipnoterapia incorporada ao apoio psicoterapêutico, empregado de forma criteriosa é uma alternativa capaz de obter uma melhora favorável e benéfica.
A combinação da Psicoterapia Breve, que inclua a Hipnoterapia juntamente com o acompanhamento do gastroenterólogo, e uma boa relação da tríade médico-paciente-terapeuta, além de uma mudança na alimentação, caso seja necessário, pois alguns pacientes ficam ansiosos ao não reportarem resultados importantes, anula frequentemente as influências corticais nocivas. Essa combinação diminui as tensões e o stress emocional, melhorando a motilidade alterada e o ânimo perturbado resultante, assim como o alivio da dor abdominal e dos estados ansiosos e depressivos.
Ela atua facilitando o relaxamento do paciente ansioso e emocionalmente perturbado, reduzindo suas tensões, aliviando a irritabilidade e aumentando as possibilidades de auto colaboração do paciente com as indicações do tratamento médico.
“A Hipnose pode ser usada nas conseqüências das patologias GI de ordem funcional como método seguro, não invasivo e eficaz, em relação ao custo, concebido para reduzir níveis de ansiedade, ensinar ao paciente a empregar condutas motivantes, a ter uma participação mais ativa em prol da sua saúde e a melhorar o controle de suas dores”.
Mesmo assim, a impressão de que todos os casos foram aliviados ou curados tampouco deve ser passada. Houve também frustrações na expectativa de uma franca melhora.
Dos 24 casos avaliados que se obtiveram respostas satisfatórias com a utilização da hipnoterapia, pôde-se observar nos pacientes tratados uma franca evolução em direção uma melhora da sintomatologia manifestada nos seguintes termos:
Diminuição:
Stress emocional 82%;
Ansiedade 67%
Estado de Angústia 71%
Estado Depressivo 63%
Dores 87%
Tensão Motriz 75%
Necessidade de Dietas 58%
Adaptação a Realidade Patológica 85%
Vigilância Sintomática 63%
Isolamento 48%
Melhora da autoestima em 65%, do descanso noturno em 78% e da sensação de esgotamento em 67%.
*Atualização do trabalho apresentado no III Simpósio de Motilidade e Patologia Funcional Digestiva. Cariló, Julio de 2000.
** Ex-Secretário Científico da Sociedade Argentina de Sofrologia e Medicina Psicossomática.
Tradução:
Clarisse Evelin (cladutora) – cladutora@yahoo.com.br
Referência: www.pnlnet.com/chasq/a/1762
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