Efetividade pessoal e organizacional e inteligência emocional
Apresentação
Com o propósito de contribuir com a difusão da proposta de efetividade pessoal e organizacional de Stephen R. Covey, que claramente é de muita importância para impulsionar o desenvolvimento das pessoas e organizações em um cenário mundial de intensas mudanças, crescentes desafios e exigências de maior competitividade, desenvolvo neste trabalho alguns de seus conceitos mais importantes. Do mesmo modo, apresento algumas idéias sobre o novo conceito de inteligência emocional e a importância que tem para o desenvolvimento do indivíduo e as organizações, de acordo com os estudos de Daniel Goleman. Entre o Covey, com sua visão administrativa, e Goleman, com sua visão psicológica, introduzo algumas idéias gerais sobre o Viktor E. Frankl, com sua visão filosófica, sobre os problemas existenciais do mundo contemporâneo.
Apesar de que Stephen R. Covey e Daniel Goleman são autores muito conhecidos nos Estados Unidos, seu país de origem, assim como em muitas partes do mundo, em nosso meio realmente não o são. Penso, então, que a oportunidade é propícia para conhecer suas idéias, primeiro, assim como valorizar a possibilidade de aplicá-las, depois.
1°. Quem é Stephen R. Covey?
Uma década atrás Stephen R. Covey, o denominado Sócrates americano, escreveu: Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes (1989), convertendo seu livro em um extraordinário sucesso de vendas primeiro em seu país e depois no resto do mundo.
Este excepcional livro se traduziu a mais de vinte e cinco idiomas, foram editados mais de doze milhões de exemplares e seu estudo se multiplica cada dia mais.
Depois deste grande sucesso editorial, Covey continuou sua carreira de escritor, escrevendo as obras: A liderança centrada em princípios (1990); Meditações diárias para pessoas altamente eficazes (1994); Primeiro o primeiro (1994), escrito com a colaboração de A. Roger Merrill e Rebecca R. Merrill; Os 7 hábitos das famílias altamente eficazes (1998); The Nature of Leadership (1999), escrito com a participação de A. Roger Merril e Dewitt Jones; e Living the 7 habits: Story of Courage and Inspirations (1999).
Stephen R. Covey, BA pela Universidade de Utah, MBA pela Universidade de Harvard e Ph.D pela Bringham Young University, foi considerado pela prestigiosa revista Time como um dos vinte e cinco americanos mais influentes de seu país. O doutor Covey também se fez merecedor de numerosos prêmios pela excelência de sua contribuição ao desenvolvimento das pessoas e organizações.
Atualmente o doutor Covey lidera a Franklin Covey Company, importante empresa que realiza, entre outras atividades, estudos e aplicações sobre Liderança Centrada em Princípios nas organizações e instituições mais importantes do mundo. Seu portfólio de clientes inclui 82 das 100 Fortune e mais de dois terços das 500 Fortune, milhares de médias e pequenas empresas e entidades governamentais e muitas milhares de famílias e pessoas em todo mundo.
Os produtos e serviços Covey se encontram disponíveis em mais de vinte e oito idiomas, e seus produtos de planejamento são utilizados por mais de 15 milhões de pessoas. A organização Franklin Covey tem uma rede mundial de escritórios e lojas; conta com uma Sede Central localizada em Salt Lake, Utah (USA), e mais de cem representações dispersas nos Estados Unidos da América do Norte, Europa, Ásia, América Latina, Oceania e África.
Stephen R. Covey propõe em sua consagrada obra: Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes, uma renovada filosofia de vida sustentada na compreensão e aplicação dos sete hábitos de eficácia pessoal e organizacional. Tais hábitos -síntese de seu estudo magistral sobre a cultura do sucesso em duzentos anos nos Estados Unidos- são os seguintes: 1. Seja proativo; 2. Comece com seus objetivos em mente; 3. Estabeleça primeiro o primeiro; 4. Pense em ganhar / ganhar; 5. Procure primeiro compreender e depois ser compreendido; 6. Crie sinergia; e 7. Afiar a serra.
A pergunta que certamente muitos podemos nos fazer, é a seguinte: por que o primeiro livro do Stephen R. Covey -Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes- causou sensação em todo mundo?
Me arriscarei a assinalar três razões para tentar explicar este singular sucesso editorial, o mesmo que, por sua vez, originou um extraordinário sucesso empresarial refletido no Franklin Covey Company.
Primeiro, porque o livro em menção se encontra muito solidamente fundamentado nos estudos que realizou Stephen R. Covey sobre as idéias escritas sobre o sucesso nos últimos duzentos anos em seu país de origem. Em efeito, o próprio autor assinala que seu estudo sobre a literatura do sucesso compreende os milhares de escritos realizados desde 1776 em seu país. Este extraordinário conhecimento não constituiria a não ser a essência da sabedoria de um povo democrático sobre a arte de viver baseando-se em princípios.
Segundo, porque as idéias do Stephen R. Covey são extremamente didáticas e enriquecedoras para todo aquele que seja capaz de responder ao desafio pessoal que lhe expõe sua própria superação. Sobre a base do importante conceito de princípios sustenta a arquitetura dos sete hábitos das pessoas altamente eficazes. Sem perder profundidade conceitual, Covey expõe todo um programa de desenvolvimento aplicável a indivíduos, famílias, grupos e organizações de todo tipo.
Terceiro, porque o livro do Stephen R. Covey chega à comunidade no tempo preciso para ser valorizado, assimilado e explorado. É indubitável que existe nas pessoas uma necessidade de encontrar um sentido para suas próprias vidas, assim como também é inegável que as idéias de Covey se transformam nas mãos de cada qual em poderosas ferramentas de modelamento da própria vida.
Stephen R. Covey iluminou em nossa época a necessidade de compreensão sobre o caminho do desenvolvimento pessoal e organizacional. Corresponde agora a cada indivíduo e organização percorrer o fatigante e comprido caminho que conduz à própria superação. Cada qual iluminará sua vida com uma maior compreensão e superação em suas próprias circunstâncias. Esse é o desafio que a cada um de nos cabe responder com a qualidade de nossas decisões e ações.
2°. Fundamentos da eficácia pessoal e organizacional
As cinco colunas que sustentam a estrutura conceitual do pensamento de Stephen R. Covey, são as seguintes: 1. Paradigmas; 2. Princípios; 3. Processo de dentro para fora; 4. Hábitos de eficácia; e 5. Níveis de eficácia. Convém ao chegar a este ponto explicar somente cada um destes conceitos para entender os hábitos da eficácia pessoal e organizacional.
2.1 Paradigmas
De acordo com Covey, os paradigmas são os modos em que as pessoas vêem o mundo, no sentido de percepção, compreensão ou interpretação. Outro modo de entender os paradigmas é a idéia de que são teorias, explicações, modelos ou supostos que são úteis para explicar a realidade. Os paradigmas não seriam a não ser mapas de nossas mentes e corações que dão origem a nossas atitudes e condutas e, em última instância, a resultados.
A psicologia tem três paradigmas importantes para entender o psiquismo e comportamento humano. Um paradigma -ou força psicológica- é a psicanálise de Sigmund Freud; outro é o condutismo de John B. Watson; e, por último, o humanismo de Abraham H. Maslow. Certamente que cada um destes paradigmas ou forças psicológicas se dividiu em muitíssimas outras, mas este tema não constitui propriamente um motivo central desta exposição.
Em administração também podemos encontrar pensamentos administrativos paradigmáticos. No século XVIII apareceram as idéias de Adam Smith; no século XIX as idéias de Charles Babbage; no início do século XX as idéias do Frederick W. Taylor; e, finalmente, nas postrimerías deste século as idéias de W. Edwards Deming.
2.2 Princípios
Os princípios -sempre na visão de Covey- são leis naturais na dimensão humana que governam a eficácia e que não podem quebrantar-se. Estes princípios representam verdades profundas, fundamentais, duradouras, universais e permanentes que foram reconhecidas por todas as civilizações importantes através do tempo.
Se os paradigmas é o mapa, pois os princípios é o território. Um dos princípios mais importantes é a lei da colheita. Bastaria para compreendê-lo nos perguntar o seguinte: Podemos colher aquilo que não semeamos com nosso próprio esforço? Alguns outros princípios são os seguintes: Qualidade, mudança, desenvolvimento, dignidade humana, educação, integridade, retidão, serviço, potencial e processo.
2.3 Processo de dentro para fora
Conforme Covey, o processo de mudança e desenvolvimento pessoal sempre se produz de dentro para fora, e se sustenta nos princípios, a pessoa humana (caráter, paradigmas e motivações) e os hábitos da eficácia. Isto quer dizer que os programas de mudança e desenvolvimento pessoal para poder ser realmente efetivos têm antes que ser assimilados internamente pela pessoa transpassando as resistências internas e as barreiras externas.
2.4 Hábitos de efetividade
Os hábitos de efetividade pessoal e organizacional constituem um novo paradigma proposto por Stephen R. Covey, sustentados em sete hábitos reconhecidos por nosso autor em seu original e produtivo estudo a respeito da literatura do sucesso em seu país durante o período 1776 – 1976.
Os hábitos não seriam a não ser a resultante da intercessão de três elementos: 1. Conhecimento, responde ao o que fazer e por que; 2. Capacidade, responde ao como fazer; e 3. Desejo, responde ao querer fazer ou motivação. Estes três elementos são requeridos para converter algo em um hábito em nossas vidas.
Vejamos, a título de ilustração, o hábito da leitura através destes três elementos: 1. O que devo ler e por que devo ler?; 2. Como devo ler?; 3. Desejo ler? Se uma determinada pessoa carece do hábito da leitura, resulta indubitável que um ou mais destes elementos não estão na intercessão. A propósito do hábito da leitura, recentes estatísticas oficiais informam, por exemplo, que o Peru só supera em índice de leitura na América Latina ao Haiti. Como contrapeso desta situação podemos dizer que o hábito de ver a televisão está substituindo o hábito da leitura. Lamentável, sim, que a televisão peruana não ofereça ainda todas as possibilidades educativas que devesse pôr a serviço de sua própria comunidade.
A chave da efetividade é a relação entre a produção e a capacidade de produção. Covey ilustra muito bem esta relação narrando a fábula do Esopo da galinha dos ovos de ouro. Conta o fabulista que em certa ocasião um granjeiro teve a sorte de encontrar-se com uma galinha que punha cada dia um ovo de ouro. Não dando crédito ao que seus sentidos percebiam, o desconfiado granjeiro fez verificar por outras pessoas o ovo. E em efeito, pôde realmente comprovar que o ovo era de ouro. Por certo que nosso granjeiro enriqueceu notavelmente, pois cada dia que passava a galinha lhe punha um ovo de ouro. Não passou muito tempo antes de que suas ambições desmedidas lhe fizessem pensar que era melhor dar morte à galinha para ter de uma vez todos os ovos de ouro. Em efeito, sem pensar mais, decidiu matar a galinha dos ovos de ouro. Mas ao lhe dar morte e abri-la comprovou para seu desespero que em seu interior não havia nenhum ovo de ouro. Tinha matado sem pensar nas conseqüências à galinha dos ovos de ouro. Assim, pois, o ovo de ouro de cada dia da galinha representa a produção, assim como a galinha representa a capacidade de produção.
Os sete hábitos encarnam princípios essenciais arraigados em nossa consciência moral e em nosso sentido comum. Os hábitos da efetividade são os seguintes: 1. Seja proativo – hábito da responsabilidade-; 2. Comece com seus objetivos em mente-hábito da liderança pessoal-; 3. Estabeleça primeiro o primeiro – hábito da administração pessoal-; 4. Pense em ganhar / ganhar – hábito do benefício mútuo-; 5. Procure primeiro compreender e depois ser compreendido – hábito da comunicação efetiva-; 6. Sinergia – hábito da interdependência-; e 7. Afiar a serra- habito da melhora contínua-.
2.5 Níveis de efetividade
Estes níveis de efetividade, sempre na visão do Covey, são os seguintes: 1. Efetividade pessoal; 2. Efetividade interpessoal; 3. Efetividade gerencial; e 4. Efetividade organizacional. Vejamos muito brevemente cada um destes níveis de efetividade:
1. A efetividade pessoal, apoiada no princípio da confiabilidade, constitui a relação comigo mesmo;
2. A efetividade interpessoal, sustentada no princípio de confiança, são minhas relações e interações com outros;
3. A efetividade gerencial, sustentada no princípio do facultamento, é a responsabilidade de fazer que outros levem adiante determinada tarefa com um claro sentido de responsabilidade e compromisso; e
4. A efetividade organizacional, sustentada no princípio de alinhamento, é a necessidade de organizar as pessoas em harmonia com as linhas professoras da organização.
3°. Os hábitos da efetividade pessoal e organizacional.
3.1 Primeiro hábito: Seja proativo.
Este hábito de efetividade representa a possibilidade de assumir novos desafios em um ambiente de liberdade individual e responsabilidade social da pessoa humana. Este é o hábito da consciência e conduta de responsabilidade, que resulta determinante em cada pessoa para compreender suas realizações e frustrações, suas provocações e suas respostas, suas ambições e seus resultados.
É muito importante entender que entre os estímulos, procedentes do ambiente externo e interno, e as respostas manifestadas em condutas observáveis ou não, existe a liberdade interior de decidir. Esta é evidentemente uma postura não determinista, tal como o próprio Viktor E. Frankl a assinalasse ao considerá-la a última das liberdades humanas. Ao homem lhe pode despojar de tudo salvo a de escolher seus valores de atitude frente às circunstâncias de sua própria vida. Uma lição magistral de liberdade interior de escolher a deu o próprio Frankl como resultado de sua dolorosa experiência durante seus anos de confinamento (1942 – 1945) em quatro campos de concentração nazista. Seu extraordinário livro: Um psicólogo em um campo de concentração (1946), publicado depois com o título de: O homem em busca de sentido, sempre perdurará como um dos mais valiosos legados de valor e esperança humana nas condições mais difíceis de suportar para um ser humano.
Alguns exemplos ilustrativos sobre o que constitui o hábito da responsabilidade, são os seguintes:
- Valorize positivamente a proatividade porque sua prática cotidiana lhe significará também maior liberdade pessoal.
- Sinta, pense e atue reconhecendo que sua família é sua responsabilidade mais importante.
- Aceite novos desafios que o desafiem a questionar e romper sua precária segurança para desenvolver-se cada vez mais.
- Supere com decisão e valor as barreiras internas e externas que lhe impedem de atuar em forma proativa.
- Antecipe-se ao futuro desenhando com criatividade e oportunidade ações preventivas.
- Atue com suma responsabilidade em seu trabalho como um caminho inteligente para progredir.
- Reafirme dia a dia a responsabilidade que tem sobre sua própria vida.
3.2 Segundo hábito: Comece com seus objetivos em mente
Este hábito de efetividade reflete a liderança pessoal e satisfaz plenamente a necessidade de encontrar um sentido para a própria existência. Este é o hábito da primeira criação ou criação mental, que resulta essencial em cada pessoa para compreender o cumprimento de sua missão existencial.
As observações e estudos realizados a respeito da visão de futuro revelam que esta é na verdade extraordinária e, tal como o considera Stephen R. Covey, o poder de uma visão de futuro é incrível. A literatura mundial abunda em casos que demonstram a maneira em que a visão de futuro possibilita o cumprimento dos próprios objetivos. Viktor E. Frankl o demonstrou pessoalmente, assim como nos casos daqueles outros indivíduos que enfrentaram situações limites nos campos de concentração nazista. Benjamin Singer também comprovou o caso de crianças na escola que tinham uma imagem de rol centrados no futuro e sua influência para seu desenvolvimento. Andrew Campbell e Laura L. Nash estudaram a influência do sentido de missão para o caso das organizações e equipes. Por último, Fred Polak estudou, para o caso das civilizações, a influência da visão coletiva de futuro.
Alguns exemplos ilustrativos sobre o que é o hábito da liderança pessoal, são os seguintes:
- Decida e atue iluminando-se com sua própria visão de futuro.
- Dirija sua vida prevendo seu roteiro futuro.
- Contraste suas decisões e ações com sua missão pessoal e realize os ajustes que correspondam.
- Aceite que sua vida tem um sentido. . . Mas reconheça também que é você quem tem que descobri-lo.
- Identifique os princípios e valores que orientam sua própria vida.
- Determine o sentido de sua vida e comprometa-se com o mesmo.
- Lidere sua vida traçando o rumo que percorrerá hoje e amanhã.
3.3 Terceiro hábito: Estabeleça primeiro o primeiro
Este hábito de efetividade interpreta a idéia da administração pessoal, e sua aplicação inteligente possibilita que as pessoas possam encontrar a diferença entre o importante e o urgente para ser mais efetivas. Este é o hábito da segunda criação ou criação física, que resulta básico para compreender a qualidade das decisões e ações no dia a dia.
Existem várias gerações de aplicações inteligentes em relação à administração do tempo, cada uma das quais obteve um avanço essencial com respeito à anterior: Desde a primeira, apoiada nas notas e listas de tarefas; passando pela segunda, apoiada nas agendas; até a terceira, fundamentada na administração do tempo. Stephen R. Covey tem proposto uma quarta que encontra seu sustento na matriz de administração pessoal, em que cada atividade pode ser classificada segundo dois critérios: 1) Urgência, aquelas atividades que requerem uma ação imediata; e 2) Importância, aquelas atividades que têm a ver com os resultados. Assim, cada atividade é suscetível de classificar-se nos seguintes quadrantes: 1) Urgente e importante: Administração por crise; 2) Não urgente e importante: Administração proativa; 3) Urgente e não importante: Administração reativa; e 4) Não urgente e não importante: Administração inefetiva. Resulta óbvio que é o segundo quadrante o que se torna chave para o resultado da efetividade.
Alguns exemplos ilustrativos sobre o hábito da administração pessoal, são os seguintes:
- Defina em forma prioritária os objetivos e metas que deverá alcançar no curto, médio e longo prazo.
- Decida sobre aquilo que não é urgente mas sim importante em sua vida . . . e determine atuar em conseqüência.
- Precise seus róis e objetivos, esforce-se para cumpri-los . . . e renove-os.
- Estabeleça um modelo de conduta que lhe permita ser plenamente interdependente.
- Efetive seus resultados definindo previamente a hierarquia de suas obrigações.
- Trabalhe e comprometa-se diariamente sobre sua vitória privada.
- Pratique diariamente o uso de seu planejador (agenda) para marcar dia a dia a diferença.
3.4 Quarto hábito: Pense em ganhar / ganhar
Este hábito de efetividade exemplifica o benefício mútuo e ajuda poderosamente a encontrar o equilíbrio nas relações humanas com um sentido de bem comum e eqüidade. Este é o hábito que possibilita o resultado de satisfações compartilhadas entre todas aquelas pessoas que participam de um processo de negociação.
Este hábito compreende o estudo de seis paradigmas de interação humana: 1) ganhar / ganhar; 2) ganho / perde; 3) perco / vontades; 4) perco / perde; 5) Ganho; e 6) ganhar / ganhar ou não há trato. Cada um destes paradigmas é um modelo de relações humanas que suporta determinados objetivos e resultados; entretanto, o primeiro modelo dos nomeados em uma realidade interdependente é o único viável. Este primeiro modelo representa benefícios mutuamente satisfatórios, além de que supõe aprendizagem recíproca e influência mútua. A história dos conflitos em todos os âmbitos psicológicos e sociais reflete a ausência desta compreensão, primeiro, e a prática desafortunada das negociações, depois. Os processos de negociação coletiva levados em forma periódica entre representações empresariais e sindicais refletem, na maioria das realidades empresariais latino-americanas, um modelo apoiado no paradigma ganho / perde, o mesmo que ao final se converte em um paradigma perco / perde.
Alguns exemplos ilustrativos sobre o hábito do benefício mútuo, são os seguintes:
- Pense que se tratar ao outro como você mesmo gostaria de ser tratado, estaria semeando a semente do ganhar / ganhar.
- Aceite o fato de que tanto você como outros podem e devem ser beneficiados em uma negociação.
- Negocie atuando com integridade, maturidade e mentalidade de abundância.
- Decida aquilo que favoreça o bem comum e a eqüidade.
- Atue pensando em que todos devem beneficiar-se.
- Cultive uma filosofia de vida ganhar / ganhar na vida familiar, trabalhista e social.
- Estimule a inteligência da equipe de trabalho contribuindo com uma filosofia e conduta sustentada em ganhar / ganhar.
3.5 Quinto hábito: Procure primeiro compreender e depois ser compreendido
Este hábito de efetividade descreve a comunicação efetiva e convém aplicá-lo aos efeitos de desenvolver os benefícios da inteligência emocional e obter um clima social de respeito e convivência harmoniosa. Este é o hábito que sustenta a necessidade de compreender com empatia ao outro para depois ser compreendido e poder edificar relações interpessoais mais construtivas.
Destaca muito especialmente neste hábito a importância da escuta empática no processo da comunicação humana. Embora todos os hábitos da efetividade se encontram muito relacionados com a inteligência emocional, este hábito está em um grau maior por suas próprias conotações emocionais. Comprovou-se através de diversos estudos que a escuta ativa resulta para o supervisor uma aptidão crítica para obter o êxito em sua gestão. Esta escuta é com a intenção sincera de compreender profunda e realmente à outra pessoa. Pode recordar-se aqui que a antiga filosofia grega reconhece o ethos, fundamento do caráter e integridade; o pathos, base da empatia e o sentimento; e o logos, sustento da lógica e a razão.
Alguns exemplos ilustrativos sobre o hábito da comunicação empática, são as seguintes:
- Aprenda mentalmente a ficar nos sapatos do outro para começar a compreendê-lo.
- Pergunte-se se a qualidade de sua comunicação com as pessoas contribui o respeito necessário e possibilita uma convivência harmoniosa.
- Reconheça que para compreender ao outro, deverá aprender a escutá-lo. . . com a mente aberta.
- Entenda ao outro para comunicar-se, primeiro, e encontrar juntos uma solução efetiva, depois.
- Comporte-se com a necessária firmeza e segurança frente a outros para ser escutado.
- Realize depósitos constantes e positivos na conta bancária emocional de outros.
- Aprenda a estabelecer uma comunicação empática escutando e deixando-se escutar.
3.6 Sexto habito: Sinergia
Este hábito de efetividade implica a interdependência e é o produto social de indivíduos, famílias, equipes de trabalho e organizações bem integradas, produtivas e criativas. Este é o hábito que fundamenta os lucros sinérgicos do trabalho em equipe, vale dizer daquelas equipes nos que o resultado do coletivo é maior que a simples soma de seus integrantes. Também poderia afirmar-se que o quociente intelectual da equipe é maior que o médio do quociente intelectual daqueles que participam de sua composição.
A sinergia é um produto resultante da qualidade das relações internas e externas de qualidade singular. Assim, a sinergia intrapessoal é conseqüência da prática dos três primeiros hábitos que propiciam a vitória privada ou maestria pessoal; no entanto a sinergia interpessoal é o resultado da prática dos três segundos hábitos que geram a vitória pública ou maestria interpessoal. Outra maneira de enfocar a sinergia interpessoal é considerá-la como um produto da mentalidade de abundância, a conta bancária emocional e o esforço por procurar primeiro compreender. Um exemplo notável de sinergia são os círculos de qualidade comprometidos, produtivos e criativos.
Alguns exemplos ilustrativos sobre o hábito da interdependência, são os seguintes:
- Sinergia atuando com proatividade, competitividade e criatividade em sua equipe de trabalho.
- Selecione a terceira idéia superior nos grupos humanos nos que participa.
- Alcance novos resultados e propicie a inovação em sua própria família.
- Supere a si mesmo para desenvolver cada uma das dimensões de sua personalidade e obter uma maior sinergia interna.
- Atue proativamente para ajudar à formação de uma equipe de trabalho bem integrado e produtivo.
- Aceite a diversidade como uma fortaleza da equipe de trabalho que se precisa explorar com inteligência, criatividade e sensibilidade.
- Integre-se a uma equipe de trabalho somando e multiplicando esforços para alcançar os objetivos do grupo em forma sinérgica.
3.7 Sétimo hábito: Afiar a serra
Este hábito de efetividade interpreta a melhora contínua e oferece um horizonte de superação pessoal em todas e cada uma das áreas de nossa personalidade. Este é o hábito que permite entender o melhoramento pessoal nas dimensões física, mental, sócio-emocional e espiritual.
Stephen R. Covey denomina a este hábito afiar a serra por aquela história que relata a respeito de um lenhador que se encontra em pleno bosque tratando com muita vontade de derrubar árvores com seu machado. Entretanto, não lhe passa por sua mente que seu machado também precisa ser afiado cada certo tempo para que recupere seu fio e possa seguir fazendo um bom serviço. Pois isso é precisamente o que acontece com as pessoas quando não são capazes de fazer uma parada no caminho de sua vida para recuperar novas energias com o descanso reparador, a leitura de estudo, a ajuda solidária ao próximo ou a meditação. As pessoas requerem renovação em todas e cada uma das dimensões de nossa personalidade: física, mental, sócio-emocional e espiritual. Em qualquer caso, a falta de uma apropriada renovação nestas dimensões pode ter um preço elevado para as pessoas.
Alguns exemplos ilustrativos sobre o hábito da melhora contínua, são as seguintes:
- Descanse placidamente as horas que necessita para repor suas energias físicas e mentais.
- Leia, estude e reflita. . . ainda segue sendo uma das maneiras mais inteligentes de informar-se, educar-se e cultivar-se.
- Melhore tudo o que realiza, sempre existirá a possibilidade de melhorar.
- Alimente-se em forma nutritiva e saudável para estar sempre em boa forma.
- Desenvolva seu caráter expressando em sua conduta princípios e valores positivos.
- Ofereça-se a si mesmo a possibilidade de renovar-se em todas as dimensões de sua personalidade.
- Cultive uma vocação de serviço, servindo a outros com amor.
Fonte: www.rrhhmagazine.com

