A Atitude – O trabalho espiritual
por Michael R. Kellogg
Todos os dias, passamos por dezenas ou centenas de situações com as quais podemos não concordar de uma maneira ou outra. Nós podemos acordar ao lado de um cônjuge resmungão, ter ao lado uma pessoa que nos incomoda durante a viajem diária ao trabalho, problemas com o chefe ou com um projeto; a lista é interminável.
No entanto, a grande maioria destas experiências negativas quase nem nos afeta e nem sequer perdemos um segundo do nosso pensamento com elas. Quase nem se nota o menor dos acontecimentos. Se nos sentimos incômodos na cadeira ou nos afogamos com um copo de água, fazemos uma careta, nos acomodamos e continuamos com as nossas atividades.
Porém, cada um desses acontecimentos negativos nos dá uma oportunidade para preparar o trabalho espiritual. É assim porque a espiritualidade tem tudo a ver com a nossa atitude em relação ao Criador. Nos disseram que há dois fatos fundamentais. Em primeiro lugar, “Não existe ninguém mais além Dele”, o que significa que não existe nenhuma outra força no mundo que não seja o Criador, e Ele é a força motriz que está atrás de cada ato.
Em segundo lugar, nos dizem que não é apenas o Criador responsável por cada evento que ocorre, mas que todas as situações que experimentamos durante o dia inteiro, até as mínimas circunstâncias são boas. Ou seja, independentemente se nos parece que experimentamos um evento como negativo ou positivo, é na verdade o Criador que realiza um ato de amor que somente contém o bem. Isso significa que cada ato que ocorre em nossas vidas é uma oportunidade para o trabalho espiritual.
Com a nossa atitude diante do Criador, começamos o nosso caminho espiritual. Com cada evento temos três opções diferentes a respeito de qual atitude podemos tomar diante do Criador. As opções são:
1. Nem sequer considerar o Criador relacionado à situação. Esta é uma desconsideração total pela espiritualidade e estamos apenas na nossa natureza corporal. Isto se chama viver como uma mula.
2. Podemos repensar a nossa atitude diante do Criador e perceber que não necessariamente podemos dizer que o Criador estava por trás deste ato. Em outras palavras, sabemos que existe um Criador, mas pode haver outras forças no mundo que também podem provocar estas coisas, assim como o ato que acabamos de experimentar. Isto é conhecido como ocultação dupla.
3. Por último, a terceira atitude que podemos experimentar é que sim, entendemos que o Criador seja o responsável por cada evento no mundo, embora alguns sejam maus e nos causem sofrimento. Isto é conhecido como ocultação simples (ou única).
Certamente, o nosso objetivo é perceber que o Criador é o responsável por tudo o que acontece e tudo o que ocorre é grande, perfeito e não poderia ser melhor. Mas, às vezes, nos confundimos pensando que o nosso trabalho seja o de mudar a nossa atitude quando pensamos assim. Isso é totalmente impossível. Que alguém possa pensar que pode mudar a própria natureza, é a prova de que está delirando. Somente o Criador pode realizar esta transformação. Mas o que podemos fazer é desejar e desejar de coração. Esta última parte, de ser capazes de dar todo o mérito ao Criador e entender que tudo é bom, é a etapa mais importante do nosso trabalho. Isto é conhecido como oração.
Mas esta última etapa requer que primeiro nos acostumemos a analisar tudo com cada evento que nos é apresentado e que não estamos de acordo; e fazê-lo quantas vezes forem possíveis. Lembre-se de que o nosso objetivo, antes de entrar na espiritualidade, é primeiro analisar a nossa atitude diante do Criador. E quando descobrirmos fatos que não podemos atribuir a Ele ou não possamos dizer que a ação do Criador foi apenas boa (para justificar as suas ações), então deveremos tentar justificar essas ações. Quanto mais queiramos justificar o Criador, mais rápido conseguiremos o nosso objetivo. Ao estudar e trabalhar no centro do grupo, por estes esforços, o Criador nos oferece grandes oportunidades para aumentar a velocidade do processo de revelação espiritual. Mas corresponde a nós aproveitar estes maravilhosos presentes Dele.
Michael R. Kellogg, é um importante instrutor de Cabala em Bnei Baruch Kabbalah e no Instituto de Pesquisas de Educação nos Estados Unidos, autor do livro de introdução à Cabala “Wondrous Wisdom: Everyone’s Guide to the Study of Authentic Kabbalah” sobre o Estudo de Cabala Autêntica, e é aluno de Rav Michael Laitman, PhD. Ele tem atuado como diretor gerente da América do Norte para Bnei Baruch, editor de “Kabbalah Today” e atua no conselho de administração de projetos de Bnei Baruch na América do Norte.
Tradução
Luciana Alves
Tradutora Técnica Inglês/Espanhol/Português
luciana_trad@terra.com.br
Tags: atitude, Cabala, trabalho espiritual

